Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura
Oferecido por:

Os benefícios corporativos como alavanca estratégica de negócio

Quando bem interpretados, os sinais do comportamento das equipes deixam de ser rotina e passam a revelar o que realmente sustenta performance, engajamento e resultado.
Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios, ingressando no iFood em 2022. Antes, atuou como Head de Aquisição de Talentos na frete.com, foi Líder de Aquisição de Talentos - América Latina na GE, Especialista Sênior em Aquisição de Talentos - LATAM na Johnson & Johnson, entre outras.

Compartilhar:

Durante anos, o benefício corporativo ocupou um lugar quase invisível na pauta estratégica das empresas. Era um item de conformidade, uma linha no orçamento de RH, uma obrigação trabalhista. Hoje, vejo esse quadro mudar de forma consistente e acelerada.

O benefício deixou de ser acessório. Ele passou a ser dado de negócio.

Trabalho com isso diretamente. E o que tenho observado não é apenas uma tendência de mercado: é uma mudança estrutural na forma como as organizações entendem o que mantém pessoas engajadas, produtivas e presentes. Não basta oferecer um pacote generoso. É preciso entender como ele é usado, o que esse uso revela e o que ele impede de revelar quando está mal desenhado.

Da oferta para o dado

Quando analisamos o comportamento de uso de benefícios, o que encontramos é inteligência sobre o estado real das equipes. Um colaborador que concentra gastos em saúde por meses consecutivos está comunicando algo. Um time que subutiliza a categoria de educação pode estar sobrecarregado ou pode indicar que a oferta não é relevante para aquele perfil.

Esse tipo de leitura transforma o RH. Em vez de desenhar políticas a partir de pesquisas pontuais e suposições, passamos a tomar decisões com base em comportamento real e continuado. É uma diferença significativa. E isso só é possível quando o sistema de benefícios tem a granularidade necessária para capturar esses sinais.

Avançar de um modelo padronizado para uma gestão orientada por dados não é simples. Exige tecnologia, mas exige também disposição para questionar o que foi construído. Modelos rígidos, criados para uma realidade que já não existe, dificilmente entregam essa leitura.

O papel da IA nessa transformação

A inteligência artificial agêntica está acelerando essa mudança de forma relevante. No iFood, já operamos com mais de 12 mil agentes ativos que apoiam a otimização de processos internos. Os resultados práticos incluem uma redução de até 40% no tempo dedicado a tarefas operacionais dentro da nossa operação.

Esse ganho não é marginal. Ele representa horas de trabalho que o RH pode redirecionar para análise, escuta e decisão estratégica. Mas isso claramente não é suficiente.

A automação de processos operacionais de ponta a ponta libera o RH para atuar onde a máquina não chega: na leitura de contexto, na construção de confiança e na capacidade de fazer perguntas que os dados ainda não conseguem formular sozinhos.

Liderança como condição de entrega

Tem uma coisa que nenhuma tecnologia resolve por si só: o ambiente em que as pessoas trabalham. E esse ambiente é construído, em grande parte, pela qualidade da liderança.

Satya Nadella transformou a Microsoft ao colocar a cultura no centro da estratégia. Não como discurso como critério de decisão. A mudança que ele promoveu foi de mentalidade, e ela precedeu qualquer transformação tecnológica. Marc Benioff, na Salesforce, defende com consistência que bem-estar e equidade não são agenda de RH: são condições para performance sustentável. Ambos mostram, na prática, que liderar bem é uma escolha operacional, não um traço de personalidade.

O que esses casos têm em comum é simples: líderes que criam condições para que as pessoas performem de forma sustentável entregam resultados melhores do que aqueles que apenas cobram resultados. Benefício mal desenhado, liderança ausente e carga excessiva produzem exatamente o mesmo efeito: perda de talentos que custam caro para repor.

Isso não é “abraçar a árvore”. É cálculo de negócio.

Flexibilidade não é concessão

Um dos pontos em que tenho posição clara é sobre a flexibilidade nos benefícios. Não se trata de generosidade corporativa. Trata-se de reconhecer que uma empresa com perfis diversos de colaboradores não pode operar com um modelo único de suporte.

Colaborador em início de carreira, com renda menor, prioriza categorias diferentes de quem tem 45 anos, filhos e plano de saúde familiar. Modelo rígido, nesse contexto é ineficiente. O colaborador não usa o que não precisa, e o RH paga por algo que não gera valor percebido.

Quando o benefício se alinha ao momento de vida de cada pessoa, a percepção de valor aumenta. E a percepção de valor, no contexto de benefícios, é diretamente proporcional à retenção. Não é complexo. O que é complexo é implementar sem perder escala e controle.

O que o RH precisa fazer agora

O campo está aberto para o RH ampliar seu papel dentro das organizações. Mas isso não acontece por decreto. Acontece quando o profissional de pessoas passa a falar a linguagem de resultados e a demonstrar, com dados, que suas decisões impactam a operação.

Benefício como dado. Tecnologia como alavanca. Liderança como condição. São três vetores que, combinados, mudam o que o RH consegue entregar.

A transformação da gestão de pessoas não se mede pelo número de iniciativas lançadas. Mede-se pela experiência concreta que chega ao colaborador e pelo impacto que essa experiência tem nos resultados da empresa. É nesse ponto que a estratégia se torna real.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
20 de agosto de 2026 18H00
Há um problema crescente nas organizações que não aparece nos dashboards nem nos relatórios: a desconexão humana. Ela se manifesta em relações fragilizadas, conversas evitadas e culturas que existem no discurso, mas encontram dificuldade para ganhar vida no cotidiano.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução