Marketing e vendas

Por que a web3 não é mais apenas um hype

Conheça as possibilidades e aplicações efetivas dessa nova tecnologia; há pelo menos três uso práticos muito claros para as marcas
Eduardo Paraske é co-fundador e sócio da Deboo e 1601 - Consultoria. Tem mais de 16 anos de experiência em multinacionais, como Google, Waze, Samsung, Unilever, Roche Pharmaceuticals e Outback Steakhouse. Além disso, é mentor de startups pelo Google for Startups.
Eduardo Paraske é co-fundador e sócio da Deboo e 1601 - Consultoria. Tem mais de 16 anos de experiência em multinacionais, como Google, Waze, Samsung, Unilever, Roche Pharmaceuticals e Outback Steakhouse. Além disso, é mentor de startups pelo Google for Startups.

Compartilhar:

Imaginemos a web3 como um potente ecossistema repleto de possibilidades. Mas, no cerne de toda inovação tecnológica do momento, permanece uma pergunta inquietante: a deslumbrante tecnologia por si só é suficiente, ou será que precisamos criar um ambiente onde todos possam participar, se beneficiar e agregar valor?

A nova fase da internet oferece oportunidades para marcas e empresas aprimorarem a experiência do consumidor, expandirem seus negócios e estabelecerem confiança com seu público-alvo. Ao acompanhar as tendências e avanços no tema, as marcas podem se manter relevantes e competitivas no mercado. Assim como as pessoas físicas, que também podem encontrar alternativas de negócio nesta nova era digital.

E tem mais, a partir da descentralização possibilitada pela web3, há uma maior segurança e confiança nas relações entre os usuários virtuais. Além disso, a tokenização de ativos pode oferecer a oportunidade de democratizar o acesso a diversos tipos de serviços, sejam financeiros ou intelectuais, por exemplo.

As marcas precisam estar vigilantes em relação à web3 e não se deixar levar apenas pelo seu “hype”. Isso significa, que não é simplesmente falar sobre as oportunidades que ela traz, mas sim, torná-las aplicáveis e tangíveis por meio de um planejamento estratégico e visão de futuro, atrelados sempre ao DNA de inovação.

Aqui vão três possibilidades de aplicação da web3 bem claras:

__• Marketing e comunidade:__ Permitindo a construção de relacionamentos mais próximos e diretos com os consumidores, além da implantação de sistemas de comunicação de protocolo para carteiras digitais, bem como a co-criação e a construção de comunidades, aumentando assim a conexão dos clientes com uma marca, indo da experiência até a participação e propriedade.

__• Identidade e gestão de dados:__ Possibilitar a criação de soluções que permitam a gestão de dados digitais, que atuem em uma forma de privacidade seletiva, bem como auxiliem na identificação de usuários que passam do mundo físico para o virtual. Pode também permitir a criação de protocolos sociais e comunidades, que venham a gerar: espaços onde as pessoas possam se relacionar, como por exemplo comunidades fechadas e somente acessadas via tokens.

__• Virtualização:__ Fazendo com que seja possível trazer e inserir ativos físicos para o mundo digital e vice-versa.

As marcas precisam ir além e pensar diferente quando o assunto é a web3, não é mesmo? Isso porque, os usuários desejam utilidade e valores reais. O que importa aqui não é a tecnologia empregada. O foco deve ser o usuário. Afinal, de nada adianta lançar um NFT, se esse não tiver nenhum valor agregado, ou só porque está na moda fazê-lo e não saber como e para que ele funciona, entende? Ou seja, devemos orientar o usuário para que esse possa interagir no momento certo com um ponto de contato da marca.

Para isso, as marcas precisam pensar em:

– Dar acesso e participação em experiências e comunidades exclusivas;
– Permitir a participação na formação de uma marca ou produto;
– Recompensar o usuário adequadamente por lealdade a uma marca;
– Ter produtos de proveniência infalsificável e permitir que a garantia destes seja reivindicada para os produtos adquiridos, aumentando assim o valor de revenda desses produtos;
– Disponibilizar o status social do usuário dentro da comunidade da marca e até mesmo além do seu ecossistema.

Essas são algumas entre muitas possibilidades, porque a lista pode ser bem extensa. O lance aqui é a experimentação, permitindo levar hipóteses para o mundo e estudando para ver como as pessoas reagem. Então, assim, eles se adaptam. Essa é a beleza da mudança. É ir muito além da utilidade e investir na construção coletiva da marca.

## Construção de marcas
Uma marca na web3 é transparente, participativa e de propriedade da comunidade. Além do produto, os usuários agora podem possuir parte da marca, parte da história, parte da cultura que ajudam a criar. Isso é pertencimento e muda a forma como as comunidades de clientes são gerenciadas e como o valor do produto é criado e compartilhado.

Isso também requer a construção de relacionamentos entre as marcas, as comunidades e os criadores. Muitas vezes, os membros das comunidades se tornam parte da geração de valor por meio da cocriação, dos collabs, e essas comunidades podem ser gerenciadas, incentivadas e recompensadas por meio de ferramentas baseadas na tecnologia blockchain e podem até ser organizadas de forma descentralizada, como é o caso das chamadas DAOs.

Então, quais são os desafios de infraestrutura mais prementes a serem resolvidos para que tudo isso aconteça?

__UX:__ A experiência do usuário requer de todos nós que possamos pensar em como podemos tornar a experiência web 3.0 mais fácil, suave e direta e como podemos evitar más experiências;

__Interoperabilidade:__ Devemos pensar também em como garantirmos que colecionáveis de marca possam ser interoperáveis entre plataformas;

__Privacidade:__ É preciso pensar em como serão preservados os dados e a privacidade de certas transações e carteiras, quando realizadas pelo usuário.

Quando o assunto é web3, as empresas devem ter em mente, algumas questões relevantes que auxiliarão em muito nos próximos passos e na sua estratégia de negócios, como por exemplo:

– Que utilidade dentro do meu ecossistema de marca posso desbloquear?
– O que os clientes/usuários amam na minha marca, e como posso ampliar isso?
– Como posso envolver e recompensar meus fãs mais leais de maneiras mais relevantes?
– Que histórias e artefatos posso anexar aos ativos digitais que estão vinculados exclusivamente à minha marca e vão além da utilidade, para torná-los mais emocionais e pessoais?

__SÃO MUITAS AS NECESSIDADES__, oportunidades e desafios em torno da web3. Para isso, é preciso continuar questionando, experimentando e construindo. E ainda mais: estarmos sempre abertos às mudanças. Essa nova era da internet ainda está em produção. Claro que os desafios são enormes e muita coisa ainda precisa ser discutida e desenvolvida sobre esta tecnologia. Mas apesar dos desafios, os benefícios superam – e muito – todas essas dificuldades.

Você vem junto nessa?

Crédito da imagem: Shutterstock, com inteligência artificial

Compartilhar:

Eduardo Paraske é co-fundador e sócio da Deboo e 1601 - Consultoria. Tem mais de 16 anos de experiência em multinacionais, como Google, Waze, Samsung, Unilever, Roche Pharmaceuticals e Outback Steakhouse. Além disso, é mentor de startups pelo Google for Startups.

Artigos relacionados

Antes de encantar, tente não atrapalhar o cliente!

Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia – é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Por que bons líderes fracassam quando cruzam fronteiras

Executivos não falham no cenário internacional por falta de competência, mas por aplicar decisões no código cultural errado. Este artigo mostra que no ambiente global, liderar deixa de ser comportamento e passa a ser tradução

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de março de 2026
Falta de diagnóstico, de planos de carreira, de feedbacks estruturados e programas individualizados comprometem a permanência dos profissionais mais estratégicos nas organizações brasileiras

Maria Paula Paschoaletti - Sócia da EXEC

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
7 de março de 2026
Por que sistemas parecem funcionar… até o cliente realmente precisar deles

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
6 de março de 2026 06H00
A maior feira de varejo do mundo confirmou: não faltam soluções digitais, falta maturidade humana para integrá‑las.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...