ESG
4 minutos min de leitura

Sua empresa precisa de um cargo ou de uma competência?

Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

Compartilhar:

Open Talent é o modelo de gestão em que uma empresa deixa de depender só do quadro fixo de funcionários e passa a acessar talento qualificado, interno ou externo, sempre que uma competência específica é necessária, pelo tempo que for necessário. Não é a terceirização tradicional. Não é freelancer avulso. É uma mudança necessária que vem antes da contratação: em vez de “quem eu coloco nesse cargo?”, a empresa prioriza “que capacidade eu preciso acessar agora e por quanto tempo? “Se você nunca ouviu esse termo, saiba que boa parte do mercado já opera nesse conceito, só não tinha nomeado ele ainda. Entender a lógica por trás do nome muda a forma como você vai tomar a próxima decisão de contratação.

O termo ganhou força com o livro “Open Talent”, de John Winsor e Jin Paik (Harvard Business Review Press, 2024). A tese central dos autores é simples de enunciar e mais difícil de aceitar: a disputa tradicional por talento fixo e definitivo perdeu espaço para um modelo diferente de organizações que operam como redes, acionando talento interno e externo, conforme a necessidade real do negócio, não conforme a estrutura do organograma. É uma mudança na forma como a capacidade produtiva de uma empresa é organizada.

O maior mal-entendido sobre Open Talent é confundi-lo com práticas que já existem há décadas. Não é terceirização clássica, que geralmente troca custo por qualificação. A lógica de Open Talent é o oposto, trata-se de: buscar mais qualificação, mas de forma mais flexível.

Também não é freelancer avulso, contratado sem estratégia para tarefas pontuais e desconectadas do planejamento da empresa. Open Talent pressupõe integração real com a operação, ainda que por tempo determinado.

E não é a “gig economy” de aplicativo, pensada para tarefas padronizadas e de baixa complexidade. Open Talent nasce para acessar experiência de alto nível (financeira, jurídica, operacional, estratégica) sem exigir vínculo permanente para isso.

A ciência de redes ajuda a explicar por que esse modelo funciona. Albert-László Barabási, um dos maiores nomes em teoria de redes, descreve como conexões esporádicas, os chamados “laços fracos”, geram mais acesso a oportunidades e recursos do que vínculos fixos e constantes. Uma rede bem ativada bate uma estrutura rígida, mesmo quando a estrutura rígida é maior.

Na prática, isso significa que a vantagem competitiva não vem de manter o maior quadro fixo possível. Vem da capacidade de ativar a competência certa no momento certo e de não pagar, pelos próximos anos, por uma cadeira que só era necessária por um trimestre.

Por isso que o mercado ainda contrata cargos, mas a economia já exige capacidades. A distância entre essas duas frases é onde a maioria das empresas brasileiras está perdendo dinheiro sem perceber.

Na Talento Sênior, já vimos essa lógica resolver situações que nenhuma descrição de cargo prevê, o que prova que o Open Talent não é uma tese abstrata.

Confira esse exemplo real. Em uma empresa em crescimento, dois sócios não conseguiam chegar a um consenso sobre os próximos passos do negócio. Não faltava competência técnica na mesa, faltava alguém com repertório e neutralidade suficientes para conduzir a conversa até uma decisão. Encontramos e alocamos um profissional muito sênior nessa função. Se aquela cadeira tivesse nome, seria “gestor de conflitos societários”, um cargo que não existe em nenhum organograma, mas que destravou, em poucos meses, uma decisão que estava parada havia mais tempo do que deveria.

Em outra empresa, um executivo recém-contratado assumiu a área de tecnologia com forte conhecimento técnico, mas sem repertório no segmento de logística em que a companhia operava. Em vez de deixar essa curva de aprendizado se resolver sozinha ao longo de meses, indicamos um profissional sênior com décadas de experiência em logística para mentorá-lo por três meses, traduzindo o segmento, os gargalos e as prioridades reais do negócio. O objetivo não era substituir o executivo e sim encurtar a distância entre a contratação dele e o primeiro resultado de verdade.

Em nenhum dos dois casos a pergunta foi “que cargo eu preciso preencher”. O foco sempre foi em “que capacidade falta agora na sua empresa, e por quanto tempo ela é necessária”. Empresas que ainda respondem essa pergunta por instinto, promovendo, contratando ou deixando a vaga aberta por padrão, carregam um custo que raramente aparece separado no balanço, mas que está lá.

Entender Open Talent não significa abandonar contratação permanente. Funções centrais e recorrentes vão continuar exigindo vínculo definitivo. Significa parar de tratar toda necessidade de talento como se fosse a mesma pergunta, com a mesma resposta. A cadeira fixa parou de ser garantia. Capacidade certa, no tempo certo, é a vantagem de quem saiu na frente e quem ainda contrata por hábito está pagando essa conta todo mês, mesmo sem ver a cobrança.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que os lugares ensinam sobre controle

Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Circulando pelo mundo, com sotaque brasileiro

Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Organizações vivas: o que o levain ensina a quem lidera?

Ao acompanhar o desenvolvimento de um levain, o autor encontrou paralelos inesperados com a vida nas organizações. Alimentar, observar, ajustar o ambiente e respeitar o tempo do processo são gestos que ajudam a entender uma das funções mais importantes da liderança: criar condições para que pessoas e equipes alcancem seu potencial coletivo.

Inovação farmacêutica brasileira: um ponto de inflexão nas análises do setor

Este é o quinto artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira. Após examinarmos a posição global do país, o acesso a medicamentos e a capacidade científica e industrial, a conversa com Norberto Prestes, da Abiquifi, amplia a investigação para as conexões entre empresas, pesquisadores, universidades e financiamento.
Como avaliar investimentos e resultados com informações pouco comparáveis? Entre orçamentos de P&D, incentivos acadêmicos e descobertas de pequenas equipes, buscamos parâmetros para examinar como o conhecimento se converte em aplicações, capacidade econômica e benefícios para a população.

Inovação & estratégia
22 de outubro de 2026 08H00
O artigo explora como a colaboração entre montadoras, startups, centros de pesquisa e programas de fomento está acelerando a criação de soluções centradas na experiência humana, mostrando que o futuro da mobilidade será construído pela capacidade de conectar tecnologia, ecossistemas de inovação e necessidades reais da sociedade.

Ana Claudia Didier -

4 minutos min de leitura
Marketing, Estratégia
21 de outubro de 2026 12H00
Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Caio Esteves

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de outubro de 2026 08H00
Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Carolina Ferrés - Diretora POK Brasil

Oferecido por POK Brasil
8 minutos min de leitura
ESG, Liderança
20 de outubro de 2026 08H00
Ao celebrar 13 anos de atuação, o Grupo Mulheres do Brasil reafirma seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e diversa. Mas sua trajetória revela um impacto que vai além das causas e dos projetos: a força de uma rede capaz de conectar mulheres, criar oportunidades, fortalecer vínculos e promover desenvolvimento pessoal e coletivo.

Alexandra Segantin - CEO do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de outubro de 2026 14H00
Ao acompanhar o desenvolvimento de um levain, o autor encontrou paralelos inesperados com a vida nas organizações. Alimentar, observar, ajustar o ambiente e respeitar o tempo do processo são gestos que ajudam a entender uma das funções mais importantes da liderança: criar condições para que pessoas e equipes alcancem seu potencial coletivo.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

11 minutos min de leitura
Estratégia
19 de outubro de 2026 08H00
Este é o quinto artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira. Após examinarmos a posição global do país, o acesso a medicamentos e a capacidade científica e industrial, a conversa com Norberto Prestes, da Abiquifi, amplia a investigação para as conexões entre empresas, pesquisadores, universidades e financiamento. Como avaliar investimentos e resultados com informações pouco comparáveis? Entre orçamentos de P&D, incentivos acadêmicos e descobertas de pequenas equipes, buscamos parâmetros para examinar como o conhecimento se converte em aplicações, capacidade econômica e benefícios para a população.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, User Experience, UX
18 de outubro de 2026 15H00
Recursos avançados, aplicativos e conectividade impressionam, mas raramente são o motivo principal de uma decisão de compra. O que as pessoas realmente buscam é uma solução capaz de tornar a vida mais simples e agradável. O artigo explora por que o sucesso de produtos inteligentes depende menos das funcionalidades e mais da capacidade de entregar uma experiência intuitiva e consistente.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor responsável técnico da Hotfloor

5 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de outubro de 2026 09H00
Inclusão não se resume ao acesso ao emprego. Ela envolve reconhecimento, desenvolvimento, representatividade e perspectivas reais de carreira. O artigo reflete sobre os avanços conquistados, os desafios que persistem e o papel das organizações na construção de ambientes onde todas as pessoas possam prosperar.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
17 de outubro de 2026 15H00
Em um momento em que denúncias de assédio, investigações internas e crises de liderança ganham cada vez mais espaço nas organizações, cresce a necessidade de diferenciar autoridade de poder. O texto analisa por que líderes que dependem do cargo ou da imposição para obter resultados acabam comprometendo justamente aquilo que mais precisam preservar: pessoas, confiança e performance.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
17 de outubro de 2026 09H00
O artigo propõe uma reflexão sobre como energia, bem-estar, desenvolvimento de lideranças e autonomia deixaram de ser temas periféricos para se tornarem elementos centrais da infraestrutura necessária para escalar negócios sem esgotar os recursos humanos que tornam esse crescimento possível.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução