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Projeto de lei que aprimora garantias no pós-obra e reforça necessidade de gestão inteligente na construção civil

Com o avanço do PL 5605/2019, este artigo mostra como a gestão de garantias e o pós-obra ganham nova centralidade no setor imobiliário, exigindo mais organização, rastreabilidade e maturidade operacional para reduzir conflitos e fortalecer a confiança do cliente.
Engenheiro civil e CEO da FastBuilt

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O avanço do Projeto de Lei 5605/2019, que propõe aprimorar as regras de garantia pós-obra de imóveis no Brasil, reforça uma discussão cada vez mais relevante para a construção civil: a necessidade de trazer mais clareza, rastreabilidade e organização para a relação entre construtoras, empreendimentos e consumidores após a entrega das chaves.

A proposta, que já avançou em comissões da Câmara dos Deputados e segue em tramitação no Congresso Nacional, prevê mudanças importantes nas regras atuais relacionadas às responsabilidades das construtoras sobre vícios e defeitos construtivos. Entre os pontos previstos estão a ampliação da transparência sobre prazos de garantia, diferenciação das responsabilidades conforme a natureza do problema identificado e maior clareza jurídica sobre deveres relacionados à conservação e manutenção das edificações.

Na prática, o projeto ajuda a estruturar um tema que historicamente gerou interpretações divergentes no setor imobiliário brasileiro. Afinal, grande parte dos conflitos no pós-obra ocorre justamente pela ausência de informações organizadas, dificuldade de rastrear históricos técnicos e falta de clareza sobre responsabilidades entre construtora, condomínio e moradores.

O movimento é importante porque fortalece uma visão mais madura sobre o ciclo de vida dos empreendimentos.

Durante muitos anos, o pós-obra foi tratado de forma secundária por parte do mercado, frequentemente limitado à abertura de chamados de assistência técnica e resolução pontual de problemas. Mas o cenário atual exige uma abordagem muito mais estratégica. O empreendimento não encerra sua jornada quando a obra termina. Pelo contrário: é após a ocupação que começam desafios relacionados à durabilidade, manutenção, desempenho construtivo e preservação patrimonial.

Nesse contexto, uma gestão inteligente de garantias passa a ser fundamental. Ter controle sobre prazos, registros de manutenção, histórico técnico do imóvel e recorrência de ocorrências não é importante apenas para responder demandas operacionais, mas essencial para reduzir riscos jurídicos, melhorar a previsibilidade, evitar retrabalhos e gerar inteligência para futuras obras.

Quando uma construtora consegue acompanhar de forma estruturada o comportamento dos empreendimentos ao longo do tempo, ela passa a identificar padrões importantes para evolução do próprio negócio. Isso inclui compreender quais sistemas construtivos demandam mais atenção, quais problemas se repetem, quais fornecedores apresentam maior índice de ocorrência e quais ações preventivas podem reduzir custos futuros.

O desafio é que muitas empresas ainda atuam com informações descentralizadas, documentos dispersos e processos pouco integrados. Históricos da evolução da obra e do pós-obra acabam fragmentados entre diferentes áreas, planilhas, e-mails e registros físicos, dificultando o acesso rápido às informações e comprometendo a tomada de decisão.

É através da evolução tecnológica, com sistemas integrados e plataformas que proporcionam uma interface de acesso ao consumidor, que é possível centralizar garantias, históricos de atendimento, registros de manutenção, documentos técnicos e indicadores operacionais. A inovação não vem apenas para reduzir o trabalho operacional, mas para fortalecer a governança das construtoras, ampliar a rastreabilidade das informações e oferecer mais segurança na gestão dos dados relacionados ao ciclo de vida dos empreendimentos.

Além disso, esse nível de organização contribui diretamente para melhorar a experiência do cliente no pós-obra, tornando a comunicação mais transparente e o acompanhamento das demandas muito mais eficiente.

O avanço do PL 5605/2019 ajuda justamente a acelerar essa transformação cultural dentro da construção civil. Independentemente do texto final que venha a ser aprovado, o principal recado que emerge dessa discussão é claro: o pós-obra deve ocupar, cada vez mais, um espaço estratégico dentro da gestão das construtoras.

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