Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.
Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios, ingressando no iFood em 2022. Antes, atuou como Head de Aquisição de Talentos na frete.com, foi Líder de Aquisição de Talentos - América Latina na GE, Especialista Sênior em Aquisição de Talentos - LATAM na Johnson & Johnson, entre outras.

Compartilhar:

Vivemos um cenário de transformação acelerada onde a palavra de ordem no mercado corporativo parece ser a eficiência tecnológica. Diante do avanço da Inteligência Artificial (IA), é comum observarmos um receio latente: o medo de que os algoritmos impessoalizem as relações de trabalho. Minha visão caminha na direção oposta. Acredito que a IA aplicada à gestão de pessoas não substitui o papel do líder: pelo contrário, ela o potencializa e abre espaço para resgatar o olhar humano e estratégico no dia a dia.

A evolução das estratégias de Recompensa Total (Total Rewards) – que unificam remuneração, benefícios, reconhecimento e bem-estar – encontrou na tecnologia uma grande aliada para otimizar processos e criar experiências cada vez mais fluidas e personalizadas. Ao automatizar tarefas repetitivas e transacionais, a tecnologia atua como um elemento libertador, permitindo que os pacotes de benefícios e incentivos deixem de ser vistos apenas como itens operacionais e ganhem um protagonismo genuinamente estratégico no negócio.

Essa oportunidade de automatizar para focar nas pessoas é corroborada por pesquisas globais de mercado. Estudos do Gartner apontam que lideranças de RH que adotam IA Generativa em rotinas operacionais conseguem liberar até 70% do tempo do time de RH antes consumido por tarefas burocráticas e atendimentos repetitivos. Além disso, segundo levantamentos da McKinsey, mais de 60% dos executivos de RH já enxergam a tecnologia de dados como o principal motor para prever tendências de talentos e personalizar benefícios, mostrando que a automação é o caminho direto para uma gestão mais analítica e assertiva.

Na prática, o uso inteligente de algoritmos nos permite analisar de forma preditiva os indicadores de turnover, desenhar modelos de equidade salarial e trazer mais agilidade para as engrenagens da empresa. Ao deixar que a tecnologia absorva a camada operacional, abrimos espaço para que a tomada de decisão humana, baseada no julgamento crítico, na empatia e no fortalecimento da cultura organizacional, se torne o verdadeiro diferencial competitivo. Liberamos a liderança para atuar onde a IA não chega: na escuta ativa, na construção de confiança e no desenvolvimento de pessoas.

Essa perspectiva pautou os debates do Rewards Connection, iniciativa criada como uma comunidade estratégica de executivos e especialistas de RH para conectar as macrotendências globais em gestão de pessoas – como as debatidas no congresso internacional Total Rewards’26, da WorldatWork, referência global no tema – às necessidades práticas e reais das organizações brasileiras. O fórum nacional visa justamente transformar dados e conceitos globais em soluções aplicáveis que impulsionem o setor no país.

Os novos tempos exigem soluções que traduzam dados complexos em bem-estar real para as equipes. As soluções de incentivo e benefícios geram valor quando oferecem autonomia real e personalização, garantindo que o cuidado com o colaborador acompanhe as transformações das suas vidas.

A evolução da gestão de pessoas não se mede apenas pelo número de ferramentas adotadas, mas pela experiência concreta e positiva que chega na ponta. O futuro do trabalho será moldado por líderes que utilizam a IA a seu favor para ter mais tempo para ouvir, acolher e desenvolver pessoas. A tecnologia nos dá os recursos; cabe a nós, lideranças, usá-los para estruturar ambientes corporativos mais saudáveis, transparentes e sustentáveis.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que os lugares ensinam sobre controle

Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Circulando pelo mundo, com sotaque brasileiro

Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Organizações vivas: o que o levain ensina a quem lidera?

Ao acompanhar o desenvolvimento de um levain, o autor encontrou paralelos inesperados com a vida nas organizações. Alimentar, observar, ajustar o ambiente e respeitar o tempo do processo são gestos que ajudam a entender uma das funções mais importantes da liderança: criar condições para que pessoas e equipes alcancem seu potencial coletivo.

Inovação farmacêutica brasileira: um ponto de inflexão nas análises do setor

Este é o quinto artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira. Após examinarmos a posição global do país, o acesso a medicamentos e a capacidade científica e industrial, a conversa com Norberto Prestes, da Abiquifi, amplia a investigação para as conexões entre empresas, pesquisadores, universidades e financiamento.
Como avaliar investimentos e resultados com informações pouco comparáveis? Entre orçamentos de P&D, incentivos acadêmicos e descobertas de pequenas equipes, buscamos parâmetros para examinar como o conhecimento se converte em aplicações, capacidade econômica e benefícios para a população.

Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

13 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução