Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
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Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.
Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios, ingressando no iFood em 2022. Antes, atuou como Head de Aquisição de Talentos na frete.com, foi Líder de Aquisição de Talentos - América Latina na GE, Especialista Sênior em Aquisição de Talentos - LATAM na Johnson & Johnson, entre outras.

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Vivemos um cenário de transformação acelerada onde a palavra de ordem no mercado corporativo parece ser a eficiência tecnológica. Diante do avanço da Inteligência Artificial (IA), é comum observarmos um receio latente: o medo de que os algoritmos impessoalizem as relações de trabalho. Minha visão caminha na direção oposta. Acredito que a IA aplicada à gestão de pessoas não substitui o papel do líder: pelo contrário, ela o potencializa e abre espaço para resgatar o olhar humano e estratégico no dia a dia.

A evolução das estratégias de Recompensa Total (Total Rewards) – que unificam remuneração, benefícios, reconhecimento e bem-estar – encontrou na tecnologia uma grande aliada para otimizar processos e criar experiências cada vez mais fluidas e personalizadas. Ao automatizar tarefas repetitivas e transacionais, a tecnologia atua como um elemento libertador, permitindo que os pacotes de benefícios e incentivos deixem de ser vistos apenas como itens operacionais e ganhem um protagonismo genuinamente estratégico no negócio.

Essa oportunidade de automatizar para focar nas pessoas é corroborada por pesquisas globais de mercado. Estudos do Gartner apontam que lideranças de RH que adotam IA Generativa em rotinas operacionais conseguem liberar até 70% do tempo do time de RH antes consumido por tarefas burocráticas e atendimentos repetitivos. Além disso, segundo levantamentos da McKinsey, mais de 60% dos executivos de RH já enxergam a tecnologia de dados como o principal motor para prever tendências de talentos e personalizar benefícios, mostrando que a automação é o caminho direto para uma gestão mais analítica e assertiva.

Na prática, o uso inteligente de algoritmos nos permite analisar de forma preditiva os indicadores de turnover, desenhar modelos de equidade salarial e trazer mais agilidade para as engrenagens da empresa. Ao deixar que a tecnologia absorva a camada operacional, abrimos espaço para que a tomada de decisão humana, baseada no julgamento crítico, na empatia e no fortalecimento da cultura organizacional, se torne o verdadeiro diferencial competitivo. Liberamos a liderança para atuar onde a IA não chega: na escuta ativa, na construção de confiança e no desenvolvimento de pessoas.

Essa perspectiva pautou os debates do Rewards Connection, iniciativa criada como uma comunidade estratégica de executivos e especialistas de RH para conectar as macrotendências globais em gestão de pessoas – como as debatidas no congresso internacional Total Rewards’26, da WorldatWork, referência global no tema – às necessidades práticas e reais das organizações brasileiras. O fórum nacional visa justamente transformar dados e conceitos globais em soluções aplicáveis que impulsionem o setor no país.

Os novos tempos exigem soluções que traduzam dados complexos em bem-estar real para as equipes. As soluções de incentivo e benefícios geram valor quando oferecem autonomia real e personalização, garantindo que o cuidado com o colaborador acompanhe as transformações das suas vidas.

A evolução da gestão de pessoas não se mede apenas pelo número de ferramentas adotadas, mas pela experiência concreta e positiva que chega na ponta. O futuro do trabalho será moldado por líderes que utilizam a IA a seu favor para ter mais tempo para ouvir, acolher e desenvolver pessoas. A tecnologia nos dá os recursos; cabe a nós, lideranças, usá-los para estruturar ambientes corporativos mais saudáveis, transparentes e sustentáveis.

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