Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.
Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP, membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS), certificado em Transformação Digital pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e sócio-diretor do Construtivo, empresa de tecnologia com DNA de engenharia, que é parceira em treinamento e certificação da buildingSMART Brasil.

Compartilhar:

Apesar dos avanços observados nos últimos anos, ainda existe um equívoco recorrente no setor de engenharia e construção: tratar o BIM (Building Information Management) como um objetivo em si, e não como parte de uma estratégia mais ampla de transformação do negócio. 

Em muitas organizações, a metodologia continua restrita a um departamento especializado, responsável por desenvolver modelos, conduzir projetos piloto e disseminar boas práticas, enquanto o restante da empresa mantém processos, estruturas de gestão e formas de tomada de decisão praticamente inalteradas. 

O resultado costuma ser previsível. O BIM passa a gerar ganhos pontuais, alguns casos de sucesso e até reconhecimento no mercado, mas não consegue produzir mudanças estruturais na forma como a empresa opera. A metodologia permanece como uma iniciativa paralela, sem influência efetiva sobre a estratégia corporativa, a gestão da informação ou a integração entre as áreas. 

Esse cenário não é exclusivo da engenharia. Diversos setores já enfrentaram o mesmo desafio ao tentar conduzir iniciativas de inovação sem transformar o modelo de negócio. Um dos exemplos mais emblemáticos é apresentado pelo professor Davi Rogers em seu livro Transformação Digital 2, ao analisar a trajetória do The New York Times, que fo um caso de fracasso no que chamamos hoje de Digital Transformation (DX). 

Nesse exemplo, temos a iniciativa da transformação realizada pelo executivo chefe da empresa, que criou uma divisão para comandar os esforços de transformação digital. Na ocasião, ele contratou um executivo experiente de mercado para dirigi-la, além de uma equipe com os melhores profissionais da área, iniciativa que rendeu projetos de destaque, contando até mesmo com premiações, como o Prêmio Pulitzer com a matéria “Snow Fall”, que narrou a avalanche de neve na cidade de Washington, ocorrida em 2012, de forma inédita ao integrar recursos de áudio e design.

Um ponto de atenção neste caso é que, neste departamento, os projetos de DX ficaram separados da produção diária do jornal, funcionando como uma ilha de inovação. Na ocasião, havia também o pensamento de que a transformação digital era sinônimo de digitalização, o que levou ao desenvolvimento de projetos como a digitalização dos arquivos e a criação de versões digitais dos produtos legados e analógicos. 

Num segundo momento, houve um esforço na integração, experimentando novas tecnologias, como mídias sociais, realidade virtual e chatbots, mas sem uma visão estratégica da transformação digital, sem a disciplina de avaliar, abortar ou pivotar os diversos projetos piloto. 

Mesmo com essas iniciativas ocorrendo, a estrutura organizacional legada não mudou, não havia, por exemplo, o uso de dados para tomar decisões e, por isso, todo o esforço da transformação digital acabou ficando marginal e sem real impacto. Com o tempo, a visão de se manter a operação da forma tradicional prevaleceu, os talentos digitais foram saindo da empresa, assim como seus resultados, que foram sendo esmagados pela concorrência. 

Ao ler este caso, é impossível não fazer um paralelo com as iniciativas de BIM dentro das empresas de engenharia. Muitas organizações já provaram que conseguem modelar melhor, produzir projetos de qualidade e até conquistar reconhecimento pelo uso da metodologia. O desafio, porém, nunca foi implantar o BIM, mas incorporá-lo à estratégia da empresa. Enquanto ele continuar restrito a um departamento, ou uma ilha, como fez o The New York Times, dificilmente produzirá mudanças estruturais na forma como o negócio opera e gera valor.
 
O princípio de tudo é entender que os especialistas em BIM devem executar a transformação, mas não podem conduzi-la sozinhos. A pergunta que toda liderança deveria responder é: o BIM ainda é um projeto da sua empresa ou já se tornou parte da estratégia de negócio?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução