Liderança

Quem não sabe fazer, não sabe liderar

A liderança de uma empresa deve ser capaz de inspirar os colaboradores, agregar valor e ser resiliente, contribuindo para o engajamento da equipe e, consequentemente, para melhores resultados
Matheus Danemberg é fundador e CEO da nav9.

Compartilhar:

Um líder enfrenta grandes desafios no mercado inovador, e passar para sua equipe suas ideias e se tornar uma fonte de inspiração são alguns deles. Um bom líder tem a habilidade de manter o time engajado com uma visão de futuro na qual o trabalho de hoje irá impactar o futuro, tanto no crescimento da empresa quanto no individual. Um líder precisa ter em mente que, dentro do contexto que está inserido, suas ações devem levá-lo a crescer. E, com isso, vem a responsabilidade de o líder ajudar seus liderados a evoluírem em suas carreiras também.

De acordo com a [Gallup](https://www.gallup.com/home.aspx), uma empresa global de análise e consultoria norte-americana, quando os funcionários confiam em seu líder, eles têm quatro vezes mais chances de serem engajados. E, quando uma equipe se sente mais envolvida e confiante em sua empresa, o desempenho e resultados de negócios aumentam. A instituição ainda aponta que líderes que se comunicam de maneira eficaz com o restante da organização têm 73% menos probabilidade de se sentirem esgotados no trabalho, e estima que, no futuro, será fundamental apoiar e desenvolver líderes, uma vez que eles respondem por 70% da variação no engajamento de sua própria equipe.

E aí vem a dúvida: como desenvolver habilidades para ser um bom líder e ter uma equipe engajada? Primeiro, é preciso ter ciência de que nada acontecerá da noite para o dia, a experiência adquirida ao longo do tempo é fundamental. Gosto muito dos conceitos apresentados no livro *Feitas para durar*, de Jim Collins, que aborda um tipo de liderança e gestão de empresas que é totalmente focado no longo prazo. Vejo que aumentar o nível de comunicação e clareza entre os objetivos da empresa e da equipe fazem com que as pessoas acreditem no mesmo futuro que o líder e se sintam engajadas e motivadas com o que tem por vir.

Antes de tudo, um bom líder não deve perder a sua identidade própria. Uma equipe precisa de uma liderança capaz de dar o norte e estar com a inteligência emocional em dia. Acredito que não há como conduzir uma boa equipe se não se conhecer e entender seus pontos fortes e fracos. Sendo assim, é necessário respeitar a sua identidade própria para conseguir liderar com excelência. A inteligência emocional é um tópico que, para mim – e para muitas outras pessoas –, é considerado o mais desafiador quando se trata em ajudar outras pessoas a se desenvolverem. No meu caso, estar em um ambiente que sei que posso confiar nas pessoas, com feedbacks recorrentes e liberdade para expor meus sentimentos foi o que me fez cada vez mais entender sobre essa habilidade.

No dia a dia do processo de liderança você acaba se deparando com problemas complexos – interpessoais ou técnicos – e, como responsável pelo time, é papel do gestor gerenciar essas situações. É importante conhecer seu time e agir de maneira inteligente, isso pode ser, em alguns momentos, agir muito rápido e diretamente no problema, e, em outros, agir devagar e deixar que as coisas se resolvam a partir da equipe. Saber gerenciar as tuas emoções é também um ato de responsabilidade com a saúde mental de cada membro do time. No meu caso, não posso deixar de adicionar aqui o processo de terapia com uma psicóloga com longa experiência trabalhando com executivos. Ter o auxílio profissional de alguém que entende o contexto que estou inserido acelerou esse momento de autoconhecimento.

Mas, para além da inteligência emocional, também precisamos olhar para a capacidade intelectual. Aqui estamos falando de esforço aplicado em leitura de livros, artigos, cursos e muita conversa com pessoas que já passaram pelo mesmo que você. Uma liderança precisa intencionalmente se desenvolver e buscar solucionar os seus pontos fracos. Por muito tempo me desenvolvi com um orçamento limitado e com conteúdos grátis na internet. Entretanto, assim que fui tendo a possibilidade de investir, uma parte considerável dos meus ganhos se voltaram para a atualização e evolução da minha capacidade técnica.

Agora, para se destacar no mercado competitivo, entender no detalhe qual resultado a organização espera que você e o seu time produzam é essencial. A partir disso, você pode encontrar uma forma de fazer todo mundo compreender esse objetivo, o que ajuda a equipe a avançar em direção ao resultado. Um time unido, que entende qual briga está brigando, vai atingir os resultados e, no caminho, ter a evolução individual que todo mundo espera. Ter consciência de que o trabalho do líder é fazer o liderado crescer muda a forma como um time entrega resultado. Um bom líder jamais coloca a responsabilidade de resultados ruins na sua equipe. Para conseguir liderar pessoas boas, a liderança precisa ter a experiência necessária para agregar valor ao seu time e ser resiliente. Acredito naquela frase popular: quem não sabe fazer, não sabe mandar. Apenas trocaria o mandar por liderar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que sustenta uma indústria ao longo do tempo

Em um setor marcado por desafios constantes, este artigo revela por que a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de evoluir com consistência, fortalecer relações e entregar valor sustentável no longo prazo.

Conselhos homogêneos falham em silêncio

Em um mundo de incerteza crescente, manter conselhos homogêneos deixou de ser conforto – passou a ser risco. Este artigo deixa claro que atingir massa crítica de diversidade não é agenda social, é condição para decisões mais robustas e resultados superiores no longo prazo.

A maleabilidade mental como nova vantagem competitiva

Neste artigo, a capacidade de discordar surge como um ativo estratégico: ao ativar a neuroplasticidade, líderes e organizações deixam de apenas reagir ao novo e passam a construir transformação real, sustentada por pensamento crítico, consistência e integridade cognitiva.

Gestão empresarial entra em uma nova era com Reforma Tributária e IA

Ao colocar lado a lado a Reforma Tributária e o avanço da inteligência artificial, este artigo mostra por que a gestão empresarial no Brasil entrou em um novo patamar – no qual decisões em tempo real, dados integrados e precisão operacional deixam de ser vantagem e passam a ser condição de sobrevivência.

Paralisia executiva: O paradoxo da escolha na era da IA ilimitada

Em vez de acelerar a inovação, o excesso de opções em inteligência artificial está paralisando líderes. Este artigo mostra por que a indecisão virou risco estratégico – e apresenta um caminho prático para escolher, implementar e capturar valor antes que seja tarde.

Bem-estar & saúde
29 de março de 2026 18H00
Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de março de 2026 13H00
Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência - com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
29 de março de 2026 07H00
Este artigo revela por que entender o nível real de complexidade do próprio negócio deixou de ser escolha estratégica e virou condição de sobrevivência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de março de 2026 11H00
A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo - e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Poliana Abreu - Chief Knowledge Officer da Singularity Brazil, HSM e Learning Village

2 minutos min de leitura
Estratégia
28 de março de 2026 06H00
Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência - e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

André Veneziani - VP Comercial Brasil e Latam da C-MORE

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de março de 2026 13H00
Investir em centros de P&D deixou de ser opcional: tornou‑se uma decisão estratégica para competir em mercados cada vez mais tecnológicos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
27 de março de 2026 07H00
Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
25 de março de 2026 15H00
IA executa, analisa e recomenda. Cabe ao líder humano decidir, inspirar e construir cultura.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão