ESG
4 min de leitura

Saúde psicossocial é inclusão

Quando 84% dos profissionais com deficiência relatam saúde mental afetada no trabalho, a nova NR-1 chega para transformar obrigação legal em oportunidade estratégica. Inclusão real nunca foi tão urgente
Desde 2008, a Talento Incluir tem a missão de levar ações focada em colaborar com o desenvolvimento das pessoas com deficiência para ampliar a inclusão no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. É a pioneira em inclusão produtiva de Profissionais com Deficiência. Seu propósito Propósito é romper o capacitismo para que as pessoas com deficiência ocupem os espaços nas empresas e na sociedade.
CEO e fundadora do Grupo Talento Incluir.

Compartilhar:

Organização

O último South by Southwest (SXSW), um dos maiores festivais de inovação do mundo, trouxe luz a um novo conceito: a saúde social — termo que, segundo a cientista social Kasley Killam, se refere à qualidade das conexões e relacionamentos das pessoas dentro e fora do ambiente de trabalho. A ideia ganha força no Brasil com a implementação da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), que começa a valer em todo o território nacional a partir de 25 de maio de 2025, com impactos diretos sobre a saúde mental e emocional dos trabalhadores, especialmente das pessoas com deficiência, parte fundamental da saúde social.

Emitida pelo Ministério do Trabalho e Previdência, a NR1 estabelece diretrizes sobre segurança e saúde no trabalho, e foi atualizada com foco na prevenção de riscos psicossociais. Entre as exigências, destacam-se a obrigatoriedade de implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), instrumentos que passam a integrar a rotina das empresas de forma sistemática.

Ao contrário do que ocorria até então, a saúde mental dos trabalhadores passa a ser objeto formal de atenção das organizações. A NR1 exige que sejam avaliados riscos como assédio moral, sobrecarga emocional, discriminação e capacitismo. Isso significa que situações como falta de acessibilidade, ausência de suporte, isolamento de profissionais com deficiência ou invisibilização de suas competências não podem mais ser tratadas apenas como questões culturais, mas como riscos à integridade psicossocial dos colaboradores. É um benefício à inclusão.

O cronograma de implementação da NR1 prevê três fases:

  • Fase de preparação (dez/2024): diagnóstico inicial, planejamento de ações e capacitação de equipes;
  • Fase de implementação (jan a abr/2025): execução das mudanças, ajustes e treinamentos;
  • Fase de consolidação (a partir de maio/2025): monitoramento contínuo e melhorias.

Empresas que não cumprirem o prazo podem sofrer penalidades administrativas, financeiras e até ter suas atividades suspensas, além de impactos na imagem e reputação.

No caso da inclusão de pessoas com deficiência, a urgência da regulamentação se justifica. De acordo com a pesquisa “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência”, realizada em 2023, 84% dos profissionais com deficiência afirmaram ter sua saúde mental afetada por ações capacitistas no ambiente corporativo. Entre os relatos mais frequentes estão comentários ofensivos (75%), discriminação por superiores (64%), desqualificação (51%) e falta de promoção (49%).

Dessas pessoas, apenas 35% relataram os episódios à empresa. Dentre os que não denunciaram, os principais motivos foram medo de retaliação ou demissão (38%) e descrença de que algo mudaria (29%).

Com a NR1, as empresas precisarão ir além da diversidade por conveniência. Será necessário comprovar, por meio de indicadores e ações, que o ambiente de trabalho está estruturado para acolher, desenvolver e preservar a saúde integral de todos os colaboradores. Isso inclui capacitação de lideranças, avaliação constante dos fatores psicossociais, revisão de metas e adaptação de funções com base na realidade de cada profissional. Mais que nunca, aqueles investimentos na cultura de inclusão, em ações para aumentar a inclusão além da contratação, vão se justificar. Quem não fez está atrasado.

Os investimentos em DE&I passam a ser essenciais para a conformidade legal e a sustentabilidade dos negócios. Serão também argumentos imbatíveis para comprovar à fiscalização a qualidade dessa inclusão, além da quantidade.

A NR1 marca, portanto, o início de uma nova era no mercado de trabalho brasileiro — uma era em que cuidar da saúde social das pessoas é não só desejável, mas obrigatório. Ao promover ambientes justos, empáticos e acessíveis, as empresas aumentam sua capacidade de inovação, atraem e retêm talentos diversos, e constroem um clima organizacional mais saudável e produtivo.

Compartilhar:

Desde 2008, a Talento Incluir tem a missão de levar ações focada em colaborar com o desenvolvimento das pessoas com deficiência para ampliar a inclusão no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. É a pioneira em inclusão produtiva de Profissionais com Deficiência. Seu propósito Propósito é romper o capacitismo para que as pessoas com deficiência ocupem os espaços nas empresas e na sociedade.

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução