Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura

Será que a sua empresa está pronta para lidar com colaboradores que não podem ser demitidos?

Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?
Fundador e CEO da B2B Match, a mais exclusiva e impactante comunidade de CEOs e C-Levels do Brasil. Com mais de duas décadas de experiência no mercado de eventos corporativos, ele já promoveu mais de 600 eventos voltados para líderes empresariais e é responsável por desenvolver experiências que conectam altos executivos e geram oportunidades de negócio em todo o país. Sob sua liderança, a B2B Match se consolidou como referência em conexões estratégicas para tomadores de decisão, reunindo mais de três mil profissionais de alto nível em eventos e iniciativas que unem conteúdo relevante, networking qualificado e impacto real para o ecossistema empresarial brasileiro.

Compartilhar:

Ok, vamos lá!

Sei que este título pode soar um pouco intimidador e muitos colegas CEOs podem pensar “como assim, um colaborador que eu não possa desligar?”

Vou explicar melhor.

É claro que estou falando da IA no mercado de trabalho. Como já foi amplamente discutido, a IA tem revolucionado diversos setores da economia e muito se foi falado também sobre se ela iria (ou não) roubar os empregos. Mas, em minha opinião, o problema maior não é esse, mas sim o fato de que ela (e todos os seus recursos e aplicações) não se encaixam mais nas regras tradicionais de gestão que conhecemos, ou seja: as pessoas trabalham, as ferramentas são auxiliares e os líderes tomam as decisões.

Mas esse caminho já não é tão linear, pois o movimento que estamos vivendo (e que será ainda mais intensificado nos próximos anos) será o de agentes de IA que não são meras ferramentas. Agora eles recebem objetivos, interpretam informações, planejam etapas, acessam sistemas diversos e são capazes de executar múltiplas tarefas. 

Para vocês terem uma ideia do que estou falando, no começo de 2026, o NIST, instituto responsável por padrões e tecnologias, anunciou o lançamento de uma iniciativa específica para criar alguns padrões de segurança e interoperabilidade para os agentes de IA autônomos, reconhecendo que tais agentes já conseguem atuar por horas de maneira independente.

Diante disso, acho que a grande pergunta que muitos de nós CEOs devem começar a fazer é: a IA já entrou em nossas empresas (fato!). Agora, como vamos gerenciar uma verdadeira força de trabalho que não é humana?! A resposta para um novo ecossistema complexo, é claro, não poderia ser simples.

Para ilustrar melhor esse desafio, vou dar um exemplo. Pensem em um colaborador novo na empresa, mas ele pode trabalhar por 24 horas todos os dias, não pede férias, não reclama de cargos ou organogramas, executa muitas tarefas ao mesmo tempo e, algumas vezes, nem exige treinamentos intensos.

Parece bom né?! Mas não se esqueça de que tudo têm dois lados. Esse colaborador tem acesso a permissões, informações e dados, operando sistemas e até mesmo tomando decisões de forma autônoma. As questões, portanto, são: se esse profissional cometer um erro, quem se responsabiliza?; caso ele tome uma decisão errada que impacte a empresa ou prejudique um cliente, quem responderá por isso?; se ele vazar algum dado confidencial, quem será responsabilizado?!

O fato novo encarado é que estamos criando uma enorme força de trabalho, mas não estamos nos debruçando para criar uma estrutura de gestão que seja aplicada a ela. Alguns dados confirmam isso. Segundo dados da Deloitte, deste ano, apontam que 85% das empresas esperam customizar  seus agentes de IA, mas apenas 34% afirmam usar à IA para transformar profundamente seus negócios e entregas para o mercado.

Outro dado relevante é da Microsoft, que segue a mesma linha de raciocínio. Para essa pesquisa, 82% dos líderes consideram que 2025 foi um ano decisivo para repensar estratégias e 46% afirmam que sua organização já fazia uso de agentes para automatizar fluxos de trabalhos ou processos.

Meu ponto central aqui não é (de forma alguma) levantar uma bandeira contra a IA (até porque ela nos ajuda muito), mas acho que ainda existem questões essencialmente humanas, e delegar é uma delas, sendo um dos focos de uma boa gestão, pois quando um CEO delega uma decisão importante a um executivo existem mecanismos de autoridade, responsabilidade e prestação de contas. Existe, neste contexto, toda uma cadeia e organograma claros, que se baseiam em conhecimentos, confiança, transparência e ética. Já com os agentes, ainda estamos em processo de construir esse caminho.

Estamos vivendo uma era que já está sendo batizada de “Human-agent teams”, onde teremos que redesenhar o trabalho híbrido entre humanos e agentes. Para entendermos um pouco mais, a PwC já encontrou consequências desse novo movimento e as reportou no “Global AI Jobs Barometer 2026”. Após analisar os anúncios de empregos em 6 continentes, a consultoria identificou que as empresas mais expostas à IA não estão, necessariamente, contratando menos. Elas apresentaram crescimento de headcount de 52%, contra 36% nas empresas menos expostas, além de crescimento salarial maior. Outro dado apontado é que as funções mais expostas à IA estão passando a exigir competências tradicionalmente associadas a posições mais seniores, como julgamento e liderança.

Finalizo retomando o tema do meu artigo anterior. O CAIO (Chief AI Officer) passa, cada dia mais, a ser extremamente necessário, não apenas para estudar e adotar recursos de IA dentro das organizações, mas principalmente para trazer para as mesas de negociações com CIOs, CEOs, CFOs e tantos outros líderes o novo modelo de gestão que se torna cada dia mais urgente para as empresas.

Compartilhar:

Fundador e CEO da B2B Match, a mais exclusiva e impactante comunidade de CEOs e C-Levels do Brasil. Com mais de duas décadas de experiência no mercado de eventos corporativos, ele já promoveu mais de 600 eventos voltados para líderes empresariais e é responsável por desenvolver experiências que conectam altos executivos e geram oportunidades de negócio em todo o país. Sob sua liderança, a B2B Match se consolidou como referência em conexões estratégicas para tomadores de decisão, reunindo mais de três mil profissionais de alto nível em eventos e iniciativas que unem conteúdo relevante, networking qualificado e impacto real para o ecossistema empresarial brasileiro.

Artigos relacionados

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Centauros corporativos: quem está no controle da inteligência?

Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Cláusula de raio: proteção legítima ou barreira à concorrência?

Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo