ESG
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Sua empresa precisa de um cargo ou de uma competência?

Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

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Open Talent é o modelo de gestão em que uma empresa deixa de depender só do quadro fixo de funcionários e passa a acessar talento qualificado, interno ou externo, sempre que uma competência específica é necessária, pelo tempo que for necessário. Não é a terceirização tradicional. Não é freelancer avulso. É uma mudança necessária que vem antes da contratação: em vez de “quem eu coloco nesse cargo?”, a empresa prioriza “que capacidade eu preciso acessar agora e por quanto tempo? “Se você nunca ouviu esse termo, saiba que boa parte do mercado já opera nesse conceito, só não tinha nomeado ele ainda. Entender a lógica por trás do nome muda a forma como você vai tomar a próxima decisão de contratação.

O termo ganhou força com o livro “Open Talent”, de John Winsor e Jin Paik (Harvard Business Review Press, 2024). A tese central dos autores é simples de enunciar e mais difícil de aceitar: a disputa tradicional por talento fixo e definitivo perdeu espaço para um modelo diferente de organizações que operam como redes, acionando talento interno e externo, conforme a necessidade real do negócio, não conforme a estrutura do organograma. É uma mudança na forma como a capacidade produtiva de uma empresa é organizada.

O maior mal-entendido sobre Open Talent é confundi-lo com práticas que já existem há décadas. Não é terceirização clássica, que geralmente troca custo por qualificação. A lógica de Open Talent é o oposto, trata-se de: buscar mais qualificação, mas de forma mais flexível.

Também não é freelancer avulso, contratado sem estratégia para tarefas pontuais e desconectadas do planejamento da empresa. Open Talent pressupõe integração real com a operação, ainda que por tempo determinado.

E não é a “gig economy” de aplicativo, pensada para tarefas padronizadas e de baixa complexidade. Open Talent nasce para acessar experiência de alto nível (financeira, jurídica, operacional, estratégica) sem exigir vínculo permanente para isso.

A ciência de redes ajuda a explicar por que esse modelo funciona. Albert-László Barabási, um dos maiores nomes em teoria de redes, descreve como conexões esporádicas, os chamados “laços fracos”, geram mais acesso a oportunidades e recursos do que vínculos fixos e constantes. Uma rede bem ativada bate uma estrutura rígida, mesmo quando a estrutura rígida é maior.

Na prática, isso significa que a vantagem competitiva não vem de manter o maior quadro fixo possível. Vem da capacidade de ativar a competência certa no momento certo e de não pagar, pelos próximos anos, por uma cadeira que só era necessária por um trimestre.

Por isso que o mercado ainda contrata cargos, mas a economia já exige capacidades. A distância entre essas duas frases é onde a maioria das empresas brasileiras está perdendo dinheiro sem perceber.

Na Talento Sênior, já vimos essa lógica resolver situações que nenhuma descrição de cargo prevê, o que prova que o Open Talent não é uma tese abstrata.

Confira esse exemplo real. Em uma empresa em crescimento, dois sócios não conseguiam chegar a um consenso sobre os próximos passos do negócio. Não faltava competência técnica na mesa, faltava alguém com repertório e neutralidade suficientes para conduzir a conversa até uma decisão. Encontramos e alocamos um profissional muito sênior nessa função. Se aquela cadeira tivesse nome, seria “gestor de conflitos societários”, um cargo que não existe em nenhum organograma, mas que destravou, em poucos meses, uma decisão que estava parada havia mais tempo do que deveria.

Em outra empresa, um executivo recém-contratado assumiu a área de tecnologia com forte conhecimento técnico, mas sem repertório no segmento de logística em que a companhia operava. Em vez de deixar essa curva de aprendizado se resolver sozinha ao longo de meses, indicamos um profissional sênior com décadas de experiência em logística para mentorá-lo por três meses, traduzindo o segmento, os gargalos e as prioridades reais do negócio. O objetivo não era substituir o executivo e sim encurtar a distância entre a contratação dele e o primeiro resultado de verdade.

Em nenhum dos dois casos a pergunta foi “que cargo eu preciso preencher”. O foco sempre foi em “que capacidade falta agora na sua empresa, e por quanto tempo ela é necessária”. Empresas que ainda respondem essa pergunta por instinto, promovendo, contratando ou deixando a vaga aberta por padrão, carregam um custo que raramente aparece separado no balanço, mas que está lá.

Entender Open Talent não significa abandonar contratação permanente. Funções centrais e recorrentes vão continuar exigindo vínculo definitivo. Significa parar de tratar toda necessidade de talento como se fosse a mesma pergunta, com a mesma resposta. A cadeira fixa parou de ser garantia. Capacidade certa, no tempo certo, é a vantagem de quem saiu na frente e quem ainda contrata por hábito está pagando essa conta todo mês, mesmo sem ver a cobrança.

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