ESG
4 min de leitura

Você chegou ao seu destino. E agora?

Inclua uma nova métrica no seu dashboard: bem-estar. Porque nenhum KPI de entrega importa se o motorista (você) está com o tanque vazio
Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Compartilhar:

Uma notificação familiar ecoa no carro: “Você chegou ao seu destino.” Mas será mesmo? Em quantas áreas da sua vida essa frase parece mais automática do que verdadeira?

Maio é o mês do trabalho e como toda boa data simbólica, me pareceu uma ótima desculpa para pausar e me perguntar: para onde estou indo? Ou melhor: quem está no controle do meu volante?

Escrevo como quem já recalculou rotas algumas vezes – por escolha e por necessidade. E como alguém que observa, cada vez mais, líderes, profissionais e empreendedores sentindo a mesma inquietação: será que estou no caminho certo? Muitas pessoas que, ao alcançarem o “lugar” desejado, perceberam que a paisagem do destino não era bem como imaginavam. E não estou falando só de altos cargos ou conquistas. É sobre um sentimento meio difuso, às vezes silencioso, mas que nos incomoda internamente: era isso mesmo que eu queria? Se você pudesse reprogramar seu destino profissional hoje, o que mudaria no percurso? E quem você convidaria para ir junto?

No mundo corporativo, os caminhos que pareciam óbvios — subir na hierarquia, seguir um plano de carreira mais linear — se tornaram bifurcações, desvios e, às vezes, becos sem saída. A segurança foi substituída pela fluidez. Buscamos mentores, ferramentas, cursos. Mas, paradoxalmente, nunca estivemos tão perdidos (e talvez até menos autorais) sobre os próprios caminhos.

Fiz ao longo da minha jornada algumas pausas. Uma parada estratégica no acostamento, que depois descobri que na realidade era mesmo um mirante, um lugar de observação, para recalcular a rota. E aprendi que parar não é retroceder, mas se reconectar com o que faz sentido.

Muitas pessoas me procuram para aquele cafezinho e compartilham histórias muito parecidas, este desejo de transição. Não necessariamente de carreira, mas de lógica. De ritmo. De propósito. E talvez você esteja dirigindo rápido demais para perceber o quanto gostaria de mudar de estrada. Porque a promessa de velocidade nos atrai. Mas também cobra um preço alto: esgotamento, perda de propósito, ou decisões apressadas que custam caro depois.

O mercado está em crise. E com ele, há também uma crise silenciosa de humanização. Estamos empilhando entregas, metas e dashboards, mas deixando o nosso próprio GPS interno sem bateria. E isso cobra um preço: burnout, desconexão das pessoas, esgotamento coletivo. Neste momento, parar é revolucionário. E oferecer ou pedir uma carona pode ser o gesto de liderança mais humano e eficaz que existe. Já pensou em incluir nos seus indicadores mensais pelo menos uma métrica qualitativa ligada a clima, escuta ou bem-estar? Afinal, se só medimos o que entregamos, deixamos de valorizar o que sustenta as entregas.

E agora, talvez o melhor que possamos fazer por nós e também pelos outros seja olhar a rota com mais intenção. Então que tal fazer um check-in de rota a cada trimestre, perguntando a si mesmo: O que me move? O que estou perseguindo? É algo que faz sentido agora, ou é um objetivo herdado de um “eu” antigo? Quais paradas eu deveria planejar para recuperar energia e perspectiva?

Redesenhe seus trajetos. Aceite desvios. Crie novas paradas. Ofereça (ou aceite) mais caronas pelo caminho. E lembre-se: todo sistema de navegação pode sugerir um atalho. Mas vale se questionar, por que tanta pressa?

Compartilhar:

Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Artigos relacionados

O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução