Bem-estar & saúde, Estratégia
3 minutos min de leitura

Você tem uma estratégia de saúde social?

Dados apresentados por Kasley Killam no SXSW 2026 mostram que a qualidade das nossas conexões não influencia apenas o bem‑estar emocional - ela afeta longevidade, risco de doenças e mortalidade. Ainda assim, poucas organizações tratam conexão como parte da operação, e não como um efeito colateral da cultura.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Em 2025, a Organização Mundial da Saúde passou a considerar saúde como bem-estar físico, mental e social. Este último pilar começou a ganhar atenção há menos tempo, mas já aparece numa escalada de buscas na internet e nas redes sociais. Talvez porque estejamos flertando com a solidão; tão perto e tão longe uns dos outros ao mesmo tempo.

Na sua palestra no SXSW 2025, Kasley Killam, pesquisadora dedicada ao tema há décadas, apresentou dádos contundentes. Décadas de estudos com um número muito significativo de participantes mostram que a qualidade das nossas conexões impacta diretamente nossa longevidade, nosso risco de doenças cardíacas e nossa mortalidade geral. A OCDE estimou que solidão e falta de interação regular respondem por até 871 mil mortes prematuras por ano. O dado escancara algo que precisa ser encarado, nas empresas e do ponto de vista da saúde pública.

Kasley Killam – The Art and Science of Connection no palco do SXSW 2026 | Foto: Viviane Mansi

Qual o papel das organizações? Funcionários conectados são sete vezes mais propensos ao engajamento, produzem trabalho de maior qualidade, faltam menos e permanecem por mais tempo. Quando a palestrante perguntou quem no auditório tinha uma estratégia interna de saúde social para si e para o time, uma única pessoa levantou a mão. A audiência era composta por algumas centenas de profissionais de diferentes partes do mundo, pessoas que trabalham com educação, tecnologia e recursos humanos, entre outras áreas.

O problema está em tratarmos conexão como consequência de uma boa cultura, quando ela é a condição para isso. Esperamos que as pessoas se conectem naturalmente, que o escritório faça esse trabalho sozinho, que o evento de integração resolva o que o dia a dia não constrói. Não resolve. Músculo social se treina; quem não treina, atrofia.

Quem tem mais músculo social? Surpreendendo zero pessoas: a Gen Z é a geração mais solitária em todos os levantamentos. Cresceram com a tela disponível, com os pais voltados para o trabalho; buscaram o trabalho remoto desde o primeiro emprego e construíram amizades mediadas por tela.

Para além da Gen Z, em todos os recortes há um sinal de que a solidão está presente em todas as gerações. Esse é o estado real de muitos adultos que aparecem nas reuniões, respondem e-mails e entregam resultados. Por dentro, o isolamento avança em silêncio.

O que fazer com isso? Kasley propôs algo prático: ser intencional. Perguntar como as pessoas estão. Criar rituais que gerem presença genuína, e não apenas performance. Entender que atos simples de gentileza reduzem a solidão em quem os pratica, e não só em quem os recebe.

A pergunta que fica para a liderança é: você tem uma estratégia de saúde social para o seu time? Um happy hour isolado não responde a essa pergunta. Busque algo que trate conexão como parte da operação: “tão sério quanto produtividade, tão mensurável quanto resultado”. Se a resposta for não, é hora de pensar nisso. Isso é bom para você, para o seu time, para a empresa e para a sociedade.

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Essa reunião podia ser um agente

Enquanto agendas lotam e decisões patinam, este artigo mostra como a ascensão dos agentes de IA expõe a fragilidade das arquiteturas de decisão – e por que insistir em reuniões pode ser sinal de atraso estrutural.

Inovação & estratégia
1º de abril de 2026 15H00
Entre renováveis, risco sistêmico e pressão por eficiência, a energia em 2026 exige decisões orientadas por dados e governança robusta.

Rodrigo Strey - Vice-presidente da AMcom

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de abril de 2026 08H00
Felicidade não é benefício: é condição de sustentabilidade para mulheres em cargos de liderança.

Vanda Lohn

4 minutos min de leitura
Lifelong learning
31 de março de 2026 18H00
Quando conversar dá trabalho e a tecnologia não confronta, aprender a conviver se torna um desafio estratégico.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de março de 2026 08H00
Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade - estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Marilia Rocca - CEO da Funcional

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de março de 2026 15H00
Números não executam estratégia sozinhos - pessoas mal posicionadas também a sabotam. O verdadeiro ganho de eficiência nasce quando estrutura, dados e pessoas operam como um único sistema.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de março de 2026 06H00
No auge do seu próprio hype, a inovação virou palavra‑de‑ordem antes de virar prática - e este artigo desmonta mitos, expõe exageros e mostra por que só ao realinhar expectativas conseguimos devolver à inovação o que ela realmente é: ferramenta estratégica, não mágica.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
29 de março de 2026 18H00
Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de março de 2026 13H00
Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência - com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
29 de março de 2026 07H00
Este artigo revela por que entender o nível real de complexidade do próprio negócio deixou de ser escolha estratégica e virou condição de sobrevivência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de março de 2026 11H00
A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo - e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Poliana Abreu - Chief Knowledge Officer da Singularity Brazil, HSM e Learning Village

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão