Bem-estar & saúde, Estratégia
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Você tem uma estratégia de saúde social?

Dados apresentados por Kasley Killam no SXSW 2026 mostram que a qualidade das nossas conexões não influencia apenas o bem‑estar emocional - ela afeta longevidade, risco de doenças e mortalidade. Ainda assim, poucas organizações tratam conexão como parte da operação, e não como um efeito colateral da cultura.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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Em 2025, a Organização Mundial da Saúde passou a considerar saúde como bem-estar físico, mental e social. Este último pilar começou a ganhar atenção há menos tempo, mas já aparece numa escalada de buscas na internet e nas redes sociais. Talvez porque estejamos flertando com a solidão; tão perto e tão longe uns dos outros ao mesmo tempo.

Na sua palestra no SXSW 2025, Kasley Killam, pesquisadora dedicada ao tema há décadas, apresentou dádos contundentes. Décadas de estudos com um número muito significativo de participantes mostram que a qualidade das nossas conexões impacta diretamente nossa longevidade, nosso risco de doenças cardíacas e nossa mortalidade geral. A OCDE estimou que solidão e falta de interação regular respondem por até 871 mil mortes prematuras por ano. O dado escancara algo que precisa ser encarado, nas empresas e do ponto de vista da saúde pública.

Kasley Killam – The Art and Science of Connection no palco do SXSW 2026 | Foto: Viviane Mansi

Qual o papel das organizações? Funcionários conectados são sete vezes mais propensos ao engajamento, produzem trabalho de maior qualidade, faltam menos e permanecem por mais tempo. Quando a palestrante perguntou quem no auditório tinha uma estratégia interna de saúde social para si e para o time, uma única pessoa levantou a mão. A audiência era composta por algumas centenas de profissionais de diferentes partes do mundo, pessoas que trabalham com educação, tecnologia e recursos humanos, entre outras áreas.

O problema está em tratarmos conexão como consequência de uma boa cultura, quando ela é a condição para isso. Esperamos que as pessoas se conectem naturalmente, que o escritório faça esse trabalho sozinho, que o evento de integração resolva o que o dia a dia não constrói. Não resolve. Músculo social se treina; quem não treina, atrofia.

Quem tem mais músculo social? Surpreendendo zero pessoas: a Gen Z é a geração mais solitária em todos os levantamentos. Cresceram com a tela disponível, com os pais voltados para o trabalho; buscaram o trabalho remoto desde o primeiro emprego e construíram amizades mediadas por tela.

Para além da Gen Z, em todos os recortes há um sinal de que a solidão está presente em todas as gerações. Esse é o estado real de muitos adultos que aparecem nas reuniões, respondem e-mails e entregam resultados. Por dentro, o isolamento avança em silêncio.

O que fazer com isso? Kasley propôs algo prático: ser intencional. Perguntar como as pessoas estão. Criar rituais que gerem presença genuína, e não apenas performance. Entender que atos simples de gentileza reduzem a solidão em quem os pratica, e não só em quem os recebe.

A pergunta que fica para a liderança é: você tem uma estratégia de saúde social para o seu time? Um happy hour isolado não responde a essa pergunta. Busque algo que trate conexão como parte da operação: “tão sério quanto produtividade, tão mensurável quanto resultado”. Se a resposta for não, é hora de pensar nisso. Isso é bom para você, para o seu time, para a empresa e para a sociedade.

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É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

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