Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
2 minutos min de leitura

A geração que já é adulta, mas que ninguém preparou para ser

Direto do SXSW 2026, uma reflexão sobre o que está acontecendo com a Gen Z chegando ao mercado de trabalho cheia de responsabilidades de adulto e ferramentas emocionais de adolescente.
Economista, palestrante, estrategista de negócios e conselheira. Fundadora da Trama, consultoria estratégica focada no crescimento de negócios, já ajudou mais de 1.000 empresas e produtos a escalarem com inteligência e impacto real. Com passagens por organizações como Cubo Itaú, Stefanini e Liga Ventures, e conselheira de empresas em crescimento. Foi reconhecida pela Exame como uma das 10 profissionais mais influentes em Open Innovation no Brasil e pela Wired como uma das 50 pessoas multiplicadoras de criatividade.

Compartilhar:

Fui assistir a uma sessão sobre Gen Z esperando ouvir sobre TikTok e hábitos de consumo. Saí pensando em gestão de pessoas.

Os dados da Kantar, apresentados por Andrew Yahanan no SXSW, são difíceis de ignorar: 62% da Gen Z com mais de 18 anos já se identifica como adulta. 43% gerencia as finanças da casa. 18% são pais. Mas o salário não acompanhou. A relação entre renda e preço de moradia foi de 3,6 em 1984 para 5,0 em 2026. O pagamento de entrada de um imóvel equivale a 78 iPhones. E a geração que nasceu com acesso a tudo está descobrindo que não consegue pagar quase nada.

A resposta deles não foi esperar o sistema funcionar. Foi criar um novo sistema. Yahanan chamou de “Village Advantage”: 39% já discutem salários abertamente com colegas. 62% compartilham senhas de streaming apesar dos bloqueios. Dividem compras no Costco (uma rede de supermercados grande no país e que nos últimos meses tem viralizado no TikTok), racham Uber com seis pessoas, fazem clubes de investimento pelo celular. A transparência financeira virou norma, não tabu. E isso vai chegar (se já não chegou) à sua organização.

Mas aqui está o paradoxo que essa geração vive. Eles agem com a pragmaticidade de quem não tem escolha mas também estão emocionalmente sobrecarregados. Em outro painel, pesquisadores da Brookings mostraram que 88% dos jovens acreditam que precisarão de habilidades de IA no futuro e 53% já se sentem prontos para usar essas ferramentas. Ao mesmo tempo, quando escolas baniram celulares, os alunos primeiro protestaram e depois disseram que se sentiam mais livres. Uma pesquisa sobre saúde social revelou que 49% já formaram relações significativas com uma inteligência artificial. Não por escolha. Por falta de alternativa humana.

Então temos uma geração que gerencia orçamentos domésticos, mas não aprendeu a lidar com ansiedade. Que é pragmática com dinheiro, mas emocionalmente desassistida. Que sabe negociar salários pelo TikTok, mas não sabe pedir ajuda ao gestor.

E o que as organizações estão fazendo com isso? Na maioria dos casos, tratando como “problema de engajamento” ou “falta de resiliência”. As competências que mais vão importar nessa era pós-IA são as que menos ensinamos: inteligência emocional, pensamento crítico, julgamento ético e adaptabilidade. Não porque são bonitas no discurso corporativo, mas porque são as únicas que a IA não replica.

O que ficou para mim é incômodo e urgente ao mesmo tempo: a Gen Z não precisa de mais treinamento técnico. Precisa de líderes que entendam que transparência não é ameaça, que colaboração não é fraqueza e que a “comunidade” que eles estão construindo fora do escritório é, na verdade, o modelo que as empresas deveriam estar aprendendo a replicar dentro delas.

Compartilhar:

Economista, palestrante, estrategista de negócios e conselheira. Fundadora da Trama, consultoria estratégica focada no crescimento de negócios, já ajudou mais de 1.000 empresas e produtos a escalarem com inteligência e impacto real. Com passagens por organizações como Cubo Itaú, Stefanini e Liga Ventures, e conselheira de empresas em crescimento. Foi reconhecida pela Exame como uma das 10 profissionais mais influentes em Open Innovation no Brasil e pela Wired como uma das 50 pessoas multiplicadoras de criatividade.

Artigos relacionados

Quanto vale uma franquia da Omie?

Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Como a inteligência artificial pode destravar R$ 2,5 trilhões em crédito

Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Nem toda empresa precisa de um C-level

Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Hiperconectados, solitários e irrelevantes?

Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

A próxima revolução será humana?

Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Inovação & estratégia
4 de julho de 2026 08H00
A partir de casos reais do agronegócio, este artigo mostra por que decisões baseadas em análises isoladas tendem a falhar e como a integração de múltiplas variáveis pode transformar a gestão de risco, dentro e fora do campo.

Kallil Chebaro - CEO e Head de Produto na Agscore

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing & growth
3 de julho de 2026 15H00
Se o cliente já sabe tudo, o que ainda falta ao vendedor? Este artigo mostra como a tecnologia expôs o vendedor despreparado e como isso mudou o jogo das vendas.

Mari Genovez - CEO da Matchez

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Comunicação, Estratégia
3 de julho de 2026 08H00
Se a sua mensagem interna viralizar amanhã, você sustentaria o que disse?

Ana Paula Soares - Fundadora e diretora-geral da Encaso Assessoria

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, User Experience, UX
2 de julho de 2026 14H00
A digitalização do pós-obra pode transformar operações, reduzir custos e fortalecer a experiência do cliente no setor imobiliário. Este artigo mostra que as construtoras podem transformar o momento da entrega das chaves em inteligência, eficiência e vantagem competitiva.

Jean Ferrari - CEO da FastBuilt

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de julho de 2026 08H00
Seu maior risco digital pode estar no bolso do seu colaborador. Este artigo revela por que a gestão da frota móvel deixou de ser uma questão operacional e passou a ser uma decisão estratégica de segurança e eficiência.

Stephanie Peart - Head da Leapfone

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de julho de 2026 15H00
A liderança centrada no controle está perdendo espaço. Este artigo mostra como a capacidade de desenvolver autonomia será o principal diferencial das organizações do futuro.

Marcelo Neri - CEO, Mentor Executivo, Palestrante Internacional e Escritor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, User Experience, UX
1º de julho de 2026 08H00
Muito além do debate entre humano e IA, este artigo expõe o verdadeiro problema do atendimento moderno: não é quem responde, mas quem tem poder para decidir, e por que a falta de autoridade na ponta continua destruindo experiências e confiança.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

8 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
30 de junho de 2026 15H00
A partir dos sinais do Web Summit Rio 2026, este artigo mostra como a saúde mental deixou de ser benefício periférico para se tornar uma variável crítica de negócio, impactando investimento, regulação e a própria sustentabilidade das empresas.

Weber Stival - Fundador e CEO da Unolife.

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de junho de 2026 08H00
A NR-1 mudou a regra: cuidar da saúde mental agora exige gestão. Este artigo mostra como a nova norma transforma riscos psicossociais em variável estratégica, exigindo das empresas organização, método e accountability na gestão do ambiente de trabalho.

Erich Silva - COO e Head de Talentos da Lecom

3 minutos min de leitura
Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo