Bem-estar & saúde
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A NR‑1 começa em um mês – e testa a maturidade do RH

Com a nova regulamentação prestes a entrar em vigor, saúde mental, riscos psicossociais e gestão contínua deixam de ser discurso e passam a integrar o centro das decisões corporativas.
Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios, ingressando no iFood em 2022. Antes, atuou como Head de Aquisição de Talentos na frete.com, foi Líder de Aquisição de Talentos - América Latina na GE, Especialista Sênior em Aquisição de Talentos - LATAM na Johnson & Johnson, entre outras.

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A contagem regressiva para 26 de maio de 2026 já começou. Para o mercado de RH, essa não é apenas a data de entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), mas o marco de uma mudança relevante na forma como as organizações lidam com a saúde e o bem-estar dos colaboradores. Trata-se da transição de um modelo reativo para uma abordagem baseada na visão integral do colaborador, além da antecipação e gestão contínua.

A atualização da norma coloca o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) no centro das estratégias corporativas. O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) passa a estruturar um fluxo permanente de identificação de questões e avaliação de desdobramentos, com foco na prevenção. Na prática, esse movimento amplia o papel do RH, que deixa de olhar apenas para a integridade física e passa a incorporar de forma mais consistente os aspectos psicossociais da saúde do colaborador no ambiente de trabalho.

O desafio é significativo, pois segundo dados da Starbem, parceira do iFood Benefícios, mais de 500 mil pessoas se afastaram pelo INSS em 2025 por problemas relacionados à saúde mental. O número evidencia como o tema deixou de ser periférico e passou a impactar diretamente produtividade, clima organizacional e ter reflexos nos custos corporativos.

Nesse cenário, a gestão de dados, potencializada por tecnologias de Inteligência Artificial (IA), ganha protagonismo. Quando o diagnóstico de bem-estar ocupacional é analisado com o suporte de IA, o RH passa a atuar de forma mais estratégica: identificando padrões, direcionando iniciativas preventivas, ajustando políticas de benefícios e oferecendo apoio aos colaboradores com maior precisão. A prevenção, nesse sentido, deixa de ser apenas uma exigência normativa e se transforma em um instrumento estratégico na gestão, capaz de alinhar saúde ocupacional à sustentabilidade e ao desempenho organizacional.

A própria NR-1 reforça esse movimento ao promover a relevância dos fatores psicossociais no ambiente de trabalho. Dados apresentados pela Starbem indicam que cerca de 89% dos colaboradores que recebem suporte psicológico relatam melhora geral na saúde mental. Ao mesmo tempo, estudos apontam que 50% dos conflitos corporativos têm origem em comunicações apressadas e que cerca de 62% dos profissionais relatam falta de conexão com o trabalho (Gallup 2025). Esses indicadores mostram que o cuidado com o bem-estar também passa por liderança preparada, comunicação estruturada e cultura organizacional consistente.

Nesse cenário, a nova NR-1 cria uma oportunidade para integrar segurança ocupacional, saúde mental e gestão de pessoas dentro de uma mesma estratégia. Programas de benefícios, por exemplo, passam a desempenhar papel relevante ao oferecer acesso a suporte psicológico, incentivo a hábitos saudáveis e ferramentas de acompanhamento da saúde.

Iniciativas que incentivam pausas e qualidade de vida, como programas voltados à alimentação e bem-estar, contribuem para uma visão mais ampla de saúde no ambiente corporativo.

Ao mesmo tempo, soluções apoiadas por tecnologia e análise de dados ampliam a capacidade de acompanhar essas demandas. Plataformas digitais permitem equilibrar atendimento automatizado com suporte humano.

Diante de todo o contexto, a NR-1 reforça uma tendência que já vinha ganhando espaço: organizações que investem de forma consistente em saúde e bem-estar tendem a construir ambientes mais engajados, reduzir afastamentos e fortalecer sua sustentabilidade no longo prazo. A nova norma, portanto, não representa apenas uma obrigação regulatória, mas também uma oportunidade para repensar o cuidado com as pessoas como parte central da estratégia de negócios.

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