Bem-estar & saúde
3 minutos min de leitura

A NR‑1 começa em um mês – e testa a maturidade do RH

Com a nova regulamentação prestes a entrar em vigor, saúde mental, riscos psicossociais e gestão contínua deixam de ser discurso e passam a integrar o centro das decisões corporativas.
Natalia Ubilla é diretora de RH no iFood Pago, tendo ingressado no iFood em 2022. Antes, atuou como head de aquisição de talentos na frete.com, foi líder de aquisição de talentos para a América Latina na GE, especialista sênior em aquisição de talentos na Johnson & Johnson para Latam, entre outras posições ocupadas.

Compartilhar:

A contagem regressiva para 26 de maio de 2026 já começou. Para o mercado de RH, essa não é apenas a data de entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), mas o marco de uma mudança relevante na forma como as organizações lidam com a saúde e o bem-estar dos colaboradores. Trata-se da transição de um modelo reativo para uma abordagem baseada na visão integral do colaborador, além da antecipação e gestão contínua.

A atualização da norma coloca o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) no centro das estratégias corporativas. O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) passa a estruturar um fluxo permanente de identificação de questões e avaliação de desdobramentos, com foco na prevenção. Na prática, esse movimento amplia o papel do RH, que deixa de olhar apenas para a integridade física e passa a incorporar de forma mais consistente os aspectos psicossociais da saúde do colaborador no ambiente de trabalho.

O desafio é significativo, pois segundo dados da Starbem, parceira do iFood Benefícios, mais de 500 mil pessoas se afastaram pelo INSS em 2025 por problemas relacionados à saúde mental. O número evidencia como o tema deixou de ser periférico e passou a impactar diretamente produtividade, clima organizacional e ter reflexos nos custos corporativos.

Nesse cenário, a gestão de dados, potencializada por tecnologias de Inteligência Artificial (IA), ganha protagonismo. Quando o diagnóstico de bem-estar ocupacional é analisado com o suporte de IA, o RH passa a atuar de forma mais estratégica: identificando padrões, direcionando iniciativas preventivas, ajustando políticas de benefícios e oferecendo apoio aos colaboradores com maior precisão. A prevenção, nesse sentido, deixa de ser apenas uma exigência normativa e se transforma em um instrumento estratégico na gestão, capaz de alinhar saúde ocupacional à sustentabilidade e ao desempenho organizacional.

A própria NR-1 reforça esse movimento ao promover a relevância dos fatores psicossociais no ambiente de trabalho. Dados apresentados pela Starbem indicam que cerca de 89% dos colaboradores que recebem suporte psicológico relatam melhora geral na saúde mental. Ao mesmo tempo, estudos apontam que 50% dos conflitos corporativos têm origem em comunicações apressadas e que cerca de 62% dos profissionais relatam falta de conexão com o trabalho (Gallup 2025). Esses indicadores mostram que o cuidado com o bem-estar também passa por liderança preparada, comunicação estruturada e cultura organizacional consistente.

Nesse cenário, a nova NR-1 cria uma oportunidade para integrar segurança ocupacional, saúde mental e gestão de pessoas dentro de uma mesma estratégia. Programas de benefícios, por exemplo, passam a desempenhar papel relevante ao oferecer acesso a suporte psicológico, incentivo a hábitos saudáveis e ferramentas de acompanhamento da saúde.

Iniciativas que incentivam pausas e qualidade de vida, como programas voltados à alimentação e bem-estar, contribuem para uma visão mais ampla de saúde no ambiente corporativo.

Ao mesmo tempo, soluções apoiadas por tecnologia e análise de dados ampliam a capacidade de acompanhar essas demandas. Plataformas digitais permitem equilibrar atendimento automatizado com suporte humano.

Diante de todo o contexto, a NR-1 reforça uma tendência que já vinha ganhando espaço: organizações que investem de forma consistente em saúde e bem-estar tendem a construir ambientes mais engajados, reduzir afastamentos e fortalecer sua sustentabilidade no longo prazo. A nova norma, portanto, não representa apenas uma obrigação regulatória, mas também uma oportunidade para repensar o cuidado com as pessoas como parte central da estratégia de negócios.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Cultura no centro do lucro

Este artigo revela por que a cultura deixou de ser um elemento simbólico e passou a representar um dos custos – e ativos – mais invisíveis do lucro, mostrando como liderança, engajamento e visão sistêmica definem a competitividade e a perenidade das organizações.

User Experience, UX, Marketing & growth
20 de março de 2026 14H00
Entenda como experiências simples, contextualizadas e humanas constroem marcas que duram.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de março de 2026 08H00
Este artigo provoca uma pergunta incômoda: por que seguimos tratando o novo com lentes velhas? Estamos vivendo a maior revolução tecnológica desde a internet - e, ainda assim, as empresas estão tropeçando exatamente nos mesmos erros da transformação digital.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

6 minutos min de leitura
Lifelong learning
19 de março de 2026 17H00
Entre escuta, repertório e prática, o que conversas com executivos revelam sobre desenvolvimento profissional no novo mercado.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de março de 2026 08H00
Enquanto as empresas correm para adotar IA, pouquíssimas fazem a pergunta que realmente importa: o que somos quando nosso modelo de negócio muda completamente?

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de março de 2026 13H00
Nada destrói uma empresa tão rápido - e tão silenciosamente - quanto um líder mal escolhido. Uma única nomeação equivocada corrói cultura, paralisa times, distorce decisões e drena resultado. Este artigo expõe por que insistir nesse erro não é só imprudência: é um passivo estratégico que nenhuma organização deveria tolerar.

Sylvestre Mergulhão - CEO e fundador da Impulso

3 minutos min de leitura
Estratégia
18 de março de 2026 06H00
Sua estratégia de 3 anos foi desenhada para um ambiente que já virou história. O custo de continuar executando um mapa desatualizado é mais alto do que você imagina.

Atila Persici Filho - COO da Bolder

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
17 de março de 2026 17H15
Direto do SXSW 2026, surge um alerta: E se o maior risco da IA não for errar, mas concordar demais?

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Empreendedorismo
17 de março de 2026 11H00
No SXSW 2026, Lucy Blakiston mostrou como uma ideia criada na faculdade se transformou na SYSCA, um ecossistema de mídia com impacto global.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
17 de março de 2026 08H00
Neste artigo, exploramos por que a capacidade de execução, discernimento aplicado e proximidade com a realidade estão redefinindo o que significa liderar - e por que títulos, discursos sofisticados e metodologias brilhantes já não bastam para garantir relevância em 2026.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
16 de março de 2026 15H00
Dados apresentados por Kasley Killam no SXSW 2026 mostram que a qualidade das nossas conexões não influencia apenas o bem‑estar emocional - ela afeta longevidade, risco de doenças e mortalidade. Ainda assim, poucas organizações tratam conexão como parte da operação, e não como um efeito colateral da cultura.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...