Direito, Regulação & Compliance
3 minutos min de leitura

A Reforma Tributária vai criar uma nova onda de negócios B2B

Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.
Sócio Fundador da Pezco Economics, tradicional empresa de consultoria econômica com 25 anos no mercado brasileiro. É também Presidente do PSP Hub, um think tank de estudos em infraestrutura e urbanismo. Foi economista do Banco WestLB no Brasil. Atua como professor e pesquisador de universidades, como ESPM e Fundação Getúlio Vargas. É Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM – Câmara de Comércio Suíço Brasileira. É economista com Mestrado e Doutorado em Economia de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV/SP) e com intercâmbio em Economia Internacional e Finanças na Universidade de Brandeis nos Estados Unidos.

Compartilhar:

A Reforma Tributária traz muitas mudanças na vida das empresas. Entre elas, uma das menos comentadas é a grande oportunidade que trará para novos fornecedores de bens e serviços.

A própria lógica da reforma é voltada à redução do valor adicionado internamente por cada uma das empresas. É claro que se a tributação é sobre valor adicionado, as empresas buscarão adicionar valor internamente só naquilo que fazem muito bem. No resto, vão adquirir no mercado para tomar créditos de fornecedores.

Isso significa uma verdadeira onda de terceirização de atividades. A maioria dessas atividades não estão no coração das competências das empresas e hoje são feitas “em casa” porque o sistema tributário é cumulativo. Ou seja, com a dificuldade ou impossibilidade atual de obter créditos de ISS ou recuperar créditos de ICMS, muitos fornecedores deixam de ser competitivos e a solução é fazer em casa.

Na linguagem econômica, a cumulatividade tributária leva à internalização de atividades na empresa. Os tributos indiretos atuais levam à chamada integração vertical – execução in house de muitas atividades que poderiam ser contratadas ou compradas no mercado.

As grandes empresas já estão começando a entender essa lógica e já começam a planejar aquisições externas de bens e de serviços que hoje fazem internamente. Seus departamentos de compras terão que buscar novos fornecedores com a desmobilização dessas operações internas.

Esta é uma grande oportunidade para empresas em segmentos business-to-business, ou B2B. Uma grande variedade de oportunidades vai surgir com esse movimento, que realmente está só no seu comecinho. Isso vai muito longe, aproximando o desenho de cadeia das empresas brasileiras ao que já funciona em países desenvolvidos.

Junto com essas oportunidades, virão novos modelos de negócios, mais alinhados aos novos padrões tributários do valor adicionado. Por exemplo, algumas empresas fornecedoras de equipamentos deverão considerar seriamente a mudança para modelos “as a service”. Isto porque as grandes empresas precisarão assegurar fornecimento estável dos bens que hoje garantem na produção própria.

Estamos diante de grandes mudanças do estilo de fornecer bens e serviços no Brasil. Mais do que pensar sobre o que vender, é preciso pensar como vender, como entregar, como assegurar a continuidade do fornecimento. As transações de venda podem dar lugar a relações de médio e longo prazo entre fornecedores e clientes. 

É a substituição do arms-lenght (transacional e pontual, com preço definido a cada venda) pelo verdadeiro relacionamento de longo prazo. É a arte de fazer as vendas virarem parcerias de verdade, na base da confiança e do entrosamento técnico. Isso tudo será intensificado no ambiente de crescimento dos modelos de linguagem da inteligência artificial, que vão transferir parte do B2B para o B2AI – os negócios com agentes compradores não humanos.

Está aí o mar de oportunidades da Reforma Tributária, e pouca gente está vendo o que vem pela frente! Para surfar nessa onda, é hora de pensar em novos negócios e novos modelos de fornecimento.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O futuro do trabalho será criativo, conectado e escalável

A IA vai tirar empregos ou reinventar o trabalho? A pergunta mais comum sobre inteligência artificial ainda gira em torno da substituição de empregos. O artigo propõe uma reflexão sobre o futuro das carreiras, questionando a estrutura tradicional das organizações e defendendo um modelo em que pessoas se concentram cada vez mais em criar, conectar, verificar e escalar, enquanto a IA assume grande parte das atividades operacionais.

Criatividade deixou de ser campanha. Tornou-se estratégia.

O artigo defende que a criatividade deixou de ser um recurso pontual para se tornar uma capacidade organizacional capaz de conectar tecnologia, inovação, cultura e estratégia, sustentando o crescimento contínuo e a relevância das empresas no longo prazo.

O que os lugares ensinam sobre controle

Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Circulando pelo mundo, com sotaque brasileiro

Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Liderança, Estratégia
17 de outubro de 2026 15H00
Em um momento em que denúncias de assédio, investigações internas e crises de liderança ganham cada vez mais espaço nas organizações, cresce a necessidade de diferenciar autoridade de poder. O texto analisa por que líderes que dependem do cargo ou da imposição para obter resultados acabam comprometendo justamente aquilo que mais precisam preservar: pessoas, confiança e performance.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
17 de outubro de 2026 09H00
O artigo propõe uma reflexão sobre como energia, bem-estar, desenvolvimento de lideranças e autonomia deixaram de ser temas periféricos para se tornarem elementos centrais da infraestrutura necessária para escalar negócios sem esgotar os recursos humanos que tornam esse crescimento possível.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

6 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
16 de outubro de 2026 15H00
Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de outubro de 2026 09H00
Entre previsões apocalípticas e promessas de produtividade ilimitada, os dados mais recentes sobre inteligência artificial publicados pela Gartner, MIT e Frontiers contam uma história mais complexa.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
15 de outubro de 2026 14H00
Inspirado pela trajetória de Rafael Nadal retratada no documentário Rafa, o artigo propõe uma reflexão sobre a forma como empresas constroem seus planejamentos estratégicos.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
15 de outubro de 2026 08H00
Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução