ESG
6 min de leitura

Benefícios corporativos: por que as viagens de incentivo podem ser o novo queridinho dos RHs?

Entenda viagens de incentivo só funcionam quando deixam de ser prêmios e viram experiências únicas
CEO da Onhappy, empresa de benefícios corporativos de viagens a lazer da Onfly. É bacharel em Comunicação Social pela Universidade São Judas Tadeu e conta com certificado como Chief Happiness Officer (CHO) pela Reconnect – Happiness at Work & Human Sustainability. Com mais de 10 anos de experiência em vendas, gestão de times e desenvolvimento de talentos, possui passagens por empresas como Férias & Co. Beltis Tecnologia e Máquina Cohn e Wolfe

Compartilhar:

O estalo pra escrever esse artigo veio depois de uma conversa com uma empresa que queria premiar seus colaboradores com viagens. A ideia era ótima, mas o modelo escolhido — aquele já batido, via agência, com pacotes prontos e pouca flexibilidade — virou um mini caos. Cotações demoradas, preferências individuais que não se encaixavam, agendas que não batiam. No fim, a viagem virou um problema para a empresa, não uma solução.


Essa situação traz à tona uma verdade sobre a forma como as empresas incentivam seus funcionários: não dá mais pra tratar reconhecimento como algo padronizado. Cada pessoa tem uma história, um momento, um desejo diferente. E os dados confirmam esse movimento. Segundo um estudo do Incentive Research Foundation, empresas que usam viagens de incentivo performam até 22% melhor.

Coincidência ou não, naquela mesma semana estive num evento sobre comportamento do novo consumidor — e, claro, do novo colaborador também. Falamos sobre propósito, experiências e o quanto a tecnologia tem sido mal utilizada. Tem muito algoritmo tentando prever o que a gente quer, mas pouca escuta ativa para entender de verdade quem está do outro lado.

Modelos tradicionais de incentivo estão defasados e pouco eficazes diante das novas demandas dos colaboradores. Em um cenário cada vez mais digital, torna-se evidente que a conexão humana continua sendo o principal fator de engajamento.

Viagens de incentivo ainda funcionam? Muito. Mas com novos códigos.

Se você acha que esse tipo de premiação ficou no passado, vale repensar. O mercado global de viagens de incentivo deve ultrapassar US$ 90 bilhões até 2027, de acordo com uma projeção da Allied Market Research — não é pouca coisa.

Hoje, mais do que nunca, as pessoas valorizam experiências que fazem sentido para elas, que se distanciam do convencional e que tenham “tamanho único”. Nesse contexto, as viagens de incentivo surgem não como brindes, mas como um reconhecimento genuíno do trabalho realizado. É aí que as viagens entram, como uma forma de dizer: a gente te enxerga. E a gente valoriza o que você constrói aqui.

Uma pesquisa da Eventbrite mostrou que 81% dos colaboradores, hoje, preferem experiências a prêmios materiais. Além disso, programas de incentivo bem estruturados aumentam em até 44% a retenção de talentos, conforme dados do Aberdeen Group. Ou seja, o objetivo não é apenas motivar, mas criar vínculos emocionais duradouros.

Os colaboradores não buscam mais “prêmios” comuns. Eles querem liberdade, autonomia e a oportunidade de escolher quando viajar, para onde ir e com quem compartilhar a experiência. Eles desejam moldar seu próprio roteiro, assim como desejam construir suas carreiras de forma personalizada, no seu tempo e no seu próprio ritmo. A lógica do incentivo evoluiu: sai o reconhecimento estático, entra a jornada personalizada.

E como a tecnologia se encaixa nesse novo modelo? 

A tecnologia, incluindo IA, automações e plataformas, precisa ser utilizada para potencializar o lado humano, sem perder seu propósito original. Quando bem aplicada aos benefícios de incentivo, a tecnologia se torna uma ponte que conecta, mas, quando mal utilizada, pode se tornar ruído. Três movimentos têm se destacado nesse novo cenário:

  1. Gamificação verdadeira: Não se trata de criar jogos simples, mas de desenhar jornadas que gerem envolvimento real, com metas claras, recompensas bem estruturadas e estímulos contínuos. Esses elementos se conectam de maneira mais eficaz do que simplesmente enviar e-mails.
  2. Analytics com intenção: Muitas empresas coletam dados, mas poucas utilizam essas informações para compreender melhor os colaboradores. Quando bem aplicado, o analytics revela padrões de comportamento, preferências e até sinais de desengajamento. Isso permite a personalização das experiências de maneira eficaz.
  3. Comunicação contextualizada: Enviar a mensagem certa, mas no canal errado pode gerar indiferença. O que funciona hoje é ser relevante e direto, escolhendo o tom certo e o canal adequado no momento oportuno — seja uma notificação no app, uma interação no Teams ou uma mensagem leve no WhatsApp.

No final, o que o colaborador quer, assim como eu e você, é ser tratado como indivíduo. O que a reflexão sobre viagens de incentivo nos ensina é que o desejo de ser reconhecido como uma pessoa única, com seus próprios desejos, momentos de vida e sonhos, está mais forte do que nunca. Portanto, o diferencial de uma estratégia de engajamento não está no que é oferecido, mas na forma como é entregue.

As viagens de incentivo continuam sendo uma das formas mais eficazes de engajar, reconhecer e construir cultura dentro das empresas. No entanto, o futuro exige mais do que boas intenções: exige experiências com liberdade, tecnologia com propósito e reconhecimento genuíno.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que pensar sua carreira como um sistema

Mais do que acumular experiências, este artigo propõe uma mudança na forma de pensar carreira. Para a autora, currículo registra conquistas, mas a verdadeira vantagem competitiva nasce de como elas se conectam.

O que significa educar quando as máquinas também aprendem?

Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Estratégia, Liderança, Marketing & growth
3 de junho de 2026 08H00
Em meio à obsessão por crescimento, este artigo propõe uma mudança de perspectiva: não é o quanto a empresa cresce que define seu sucesso, mas sua capacidade de transformar expansão em valor real e sustentável ao longo do tempo.

Alexandre Costa - Gerente de Estratégia Financeira, Pricing e Revenue Management

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de junho de 2026 13H00
Este artigo mostra como o agronegócio brasileiro precisa evoluir para uma arquitetura integrada de dados e gestão - transformando tecnologia em vantagem competitiva, governança robusta e valor sustentável no longo prazo.

AAdilson Martins - Sócio líder para o setor de agronegócio da Deloitte; André Ferreira - VP Global de Agronegócios da SAP; Lígia Penna - Sócia de Enterprise Technology & Performance da Deloitte e Rafael Okuda - Vice-presidente de Agribusiness & Food da SAP Brasil.

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Empreendedorismo, Inovação & estratégia
2 de junho de 2026 08H00
Por que uma sociedade que partiu de uma base agrária se tornou referência global em execução ágil, iteração contínua e adaptação sistêmica? A resposta não está apenas em políticas industriais ou acesso a capital. Está em um código cultural que transforma simplicidade, memória organizacional e julgamento contextual em vantagem competitiva - e que cabe perfeitamente no radar da gestão brasileira. Este artigo apresenta cinco lições operacionais da China, com cases empresariais, dados de 2025-2026 e reflexões aplicáveis a conselheiros e executivos latino-americanos.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Rael Mairesse - Cofundador e diretor da Luming

13 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de junho de 2026 14H00
A IA não está otimizando empresas, está testando se elas ainda fazem sentido. Este artigo demonstra que bons agentes inteligentes podem reconstruir o que antes exigia uma organização inteira.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
1º de junho de 2026 09H00
Em um ambiente saturado de narrativas, este artigo revela por que confiança não é construída pela comunicação - mas pela consistência entre discurso, cultura e decisões.

Karen Fontana - CCSO e sócio-diretora da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Estratégia
31 de aio de 2026 15H00
Em um cenário de excesso de informações e alta volatilidade, este artigo questiona a falsa sensação de clareza que os dados oferecem, e mostra por que o verdadeiro desafio das organizações está em transformar volume em leitura qualificada e decisão relevante no tempo certo.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de maio de 2026 09H00
Este artigo revela por que a competitividade no setor automotivo está migrando da produção para a capacidade de prever, integrar e governar dados com precisão.

Lorena França - Account manager da A3Data

4 minutos min de leitura
Estratégia, User Experience, UX
30 de maio de 2026 14H00
Com o avanço do PL 5605/2019, este artigo mostra como a gestão de garantias e o pós-obra ganham nova centralidade no setor imobiliário, exigindo mais organização, rastreabilidade e maturidade operacional para reduzir conflitos e fortalecer a confiança do cliente.

Jean Ferrari - Engenheiro civil e CEO da FastBuilt

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema não está na tecnologia, mas na manutenção de estruturas organizacionais inchadas e pouco preparadas para extrair valor da nova lógica do trabalho.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo
29 de maio de 2026 15H00
O problema não é a falta de empreendedoras, é um sistema que ainda não foi feito para elas. Este artigo mostra por que a formalização ainda é um obstáculo estrutural - e como redesenhar o sistema para transformar negócios invisíveis em motores reais de desenvolvimento econômico.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão