Vou mostrar meu lado tiete: sou fã da Cris Junqueira.
Não daquele tipo que admira de longe, não.
Acompanho de perto: vejo todos os stories, assisto as entrevistas, repito vários bordões dela e, como boa profissional de Comunicação, analiso o que está por trás de cada iniciativa.
E quanto mais eu estudo sobre marca pessoal executiva, mais o case dela me impressiona, justamente porque ela nunca precisou fazer nada disso.
Ela cofundou o Nubank, ajudou a construir o maior banco digital independente do mundo e tem patrimônio estimado em bilhões.
A Cris apareceu grávida na capa da Forbes como uma das mulheres mais poderosas do Brasil e até se reuniu com a Rainha Máxima da Holanda para falar sobre inclusão financeira.
Por qualquer métrica convencional, ela já havia chegado “lá”.
E mesmo assim, escolheu se posicionar.
O mais legal: ela desceu do salto e mostrou quem era de verdade.
Abro meu Instagram e lá está a Cris: fazendo canjica, levando filho na escola e desabafando que precisava chorar, mas não estava arrumando tempo para isso.
Quem nunca?
Uma bilionária que faz canjica e admite que chora quando não tem espaço.
Ao contrário do que muitos executivos pensam, isso não enfraquece sua autoridade executiva.
Pelo contrário. Isso aproxima e gera identificação em escala!
Ela mesma já disse: “Não dá para escapar de mostrar pelo menos um pouco de quem você é quando o seu negócio é uma parte tão importante da sua vida. O desafio é abraçar a responsabilidade que vem junto.”
A Cris mergulhou fundo mesmo nisso, e o resultado é uma das marcas pessoais mais sólidas do mercado brasileiro.
O caminho inverso que poucos têm coragem de fazer.
A maioria dos executivos que constrói marca pessoal segue uma lógica linear: primeiro aparece, depois entrega. Primeiro fala, depois prova. O problema é que, quando não há substância por trás, as pessoas percebem, e rápido!
A Cris fez o caminho inverso.
Primeiro construiu algo sólido: fundou uma das principais marcas brasileiras e, ao que tudo indica, com potencial para escalar globalmente!
Só depois disso que ela começou a contar, e aí, havia tanto para dizer que a autenticidade era inevitável.
Esse é o ponto que eu sempre ressalto com meus clientes: o problema não é o executivo que construiu muito e não conta, mas aquele que ainda não construiu nada e quer sair falando daquilo que não viveu.
(Não à toa, minha carteira de clientes hoje é praticamente composta de executivos 50+. Com bagagem, repertório e com a serenidade de saber que a construção da marca pessoal é um processo de longo prazo.)
Sair da cadeira é parte da estratégia.
Tem uma expressão que uso muito com executivos: mostrar o lado “fora da cadeira”.
Não significa expor a vida privada, nem transformar o LinkedIn em diário pessoal. Significa deixar aparecer quem você é quando não está em modo executivo.
A Cris faz isso com maestria. Ela alterna entre o posicionamento institucional do Nubank, análises sobre mercado financeiro e inclusão digital, e os momentos humanos: a mãe, a mulher que admite vulnerabilidades, a pessoa que está em constante processo de evolução.
E é essa combinação que faz a marca dela funcionar. Não é a bilionária inacessível, nem a executiva que só fala de números. É alguém que construiu algo extraordinário e ainda assim continua sendo gente como a gente.
O que isso tem a ver com nós, meros mortais?
Você provavelmente não fundou um banco digital – eu também não!
Mas quase com certeza construiu algo que vale ser contado: um projeto que deu certo, uma virada difícil, uma decisão que você tomou e que moldou quem você é hoje como líder.
E se você está lendo esse texto achando que “já chegou” e que não precisa mais construir presença, eu te convido a pensar diferente. Quem já construiu muito tem ainda mais responsabilidade de contar, porque a experiência é exatamente o que faz uma marca pessoal ser verdadeira.
Reputação não se constrói de uma vez. É step by step, com consistência, disciplina, profundidade e, principalmente, com a coragem de mostrar quem você é fora da cadeira também.
A Cris Junqueira não precisava de nada disso, e talvez seja exatamente por isso que o que ela construiu é tão difícil de copiar.




