Marketing
4 minutos min de leitura

Cris Junqueira não precisava de marca pessoal, e foi exatamente por isso que a construiu

Executivo tende a achar que, depois de um certo ponto, não é mais preciso contar o que faz. O case da co-founder do Nubank prova exatamente o contrário.
Uma das 50 principais criadoras de conteúdo de marca pessoal no LinkedIn no Brasil, Bruna tem 15 anos de experiência em Comunicação Digital e é responsável por desenvolver a estratégia de executivos de grandes empresas, founders e conselheiros.

Compartilhar:

Vou mostrar meu lado tiete: sou fã da Cris Junqueira.

Não daquele tipo que admira de longe, não.

Acompanho de perto: vejo todos os stories, assisto as entrevistas, repito vários bordões dela e, como boa profissional de Comunicação, analiso o que está por trás de cada iniciativa.

E quanto mais eu estudo sobre marca pessoal executiva, mais o case dela me impressiona, justamente porque ela nunca precisou fazer nada disso.

Ela cofundou o Nubank, ajudou a construir o maior banco digital independente do mundo e tem patrimônio estimado em bilhões.

A Cris apareceu grávida na capa da Forbes como uma das mulheres mais poderosas do Brasil e até se reuniu com a Rainha Máxima da Holanda para falar sobre inclusão financeira.

Por qualquer métrica convencional, ela já havia chegado “lá”.

E mesmo assim, escolheu se posicionar.

O mais legal: ela desceu do salto e mostrou quem era de verdade.

Abro meu Instagram e lá está a Cris: fazendo canjica, levando filho na escola e desabafando que precisava chorar, mas não estava arrumando tempo para isso.

Quem nunca?

Uma bilionária que faz canjica e admite que chora quando não tem espaço.

Ao contrário do que muitos executivos pensam, isso não enfraquece sua autoridade executiva.

Pelo contrário. Isso aproxima e gera identificação em escala!

Ela mesma já disse: “Não dá para escapar de mostrar pelo menos um pouco de quem você é quando o seu negócio é uma parte tão importante da sua vida. O desafio é abraçar a responsabilidade que vem junto.”

A Cris mergulhou fundo mesmo nisso, e o resultado é uma das marcas pessoais mais sólidas do mercado brasileiro.

O caminho inverso que poucos têm coragem de fazer.

A maioria dos executivos que constrói marca pessoal segue uma lógica linear: primeiro aparece, depois entrega. Primeiro fala, depois prova. O problema é que, quando não há substância por trás, as pessoas percebem, e rápido!

A Cris fez o caminho inverso.

Primeiro construiu algo sólido: fundou uma das principais marcas brasileiras e, ao que tudo indica, com potencial para escalar globalmente!

Só depois disso que ela começou a contar, e aí, havia tanto para dizer que a autenticidade era inevitável.

Esse é o ponto que eu sempre ressalto com meus clientes: o problema não é o executivo que construiu muito e não conta, mas aquele que ainda não construiu nada e quer sair falando daquilo que não viveu.

(Não à toa, minha carteira de clientes hoje é praticamente composta de executivos 50+. Com bagagem, repertório e com a serenidade de saber que a construção da marca pessoal é um processo de longo prazo.)

Sair da cadeira é parte da estratégia.

Tem uma expressão que uso muito com executivos: mostrar o lado “fora da cadeira”.

Não significa expor a vida privada, nem transformar o LinkedIn em diário pessoal. Significa deixar aparecer quem você é quando não está em modo executivo.

A Cris faz isso com maestria. Ela alterna entre o posicionamento institucional do Nubank, análises sobre mercado financeiro e inclusão digital, e os momentos humanos: a mãe, a mulher que admite vulnerabilidades, a pessoa que está em constante processo de evolução.

E é essa combinação que faz a marca dela funcionar. Não é a bilionária inacessível, nem a executiva que só fala de números. É alguém que construiu algo extraordinário e ainda assim continua sendo gente como a gente.

O que isso tem a ver com nós, meros mortais?

Você provavelmente não fundou um banco digital – eu também não!

Mas quase com certeza construiu algo que vale ser contado: um projeto que deu certo, uma virada difícil, uma decisão que você tomou e que moldou quem você é hoje como líder.

E se você está lendo esse texto achando que “já chegou” e que não precisa mais construir presença, eu te convido a pensar diferente. Quem já construiu muito tem ainda mais responsabilidade de contar, porque a experiência é exatamente o que faz uma marca pessoal ser verdadeira.

Reputação não se constrói de uma vez. É step by step, com consistência, disciplina, profundidade e, principalmente, com a coragem de mostrar quem você é fora da cadeira também.

A Cris Junqueira não precisava de nada disso, e talvez seja exatamente por isso que o que ela construiu é tão difícil de copiar.

Compartilhar:

Uma das 50 principais criadoras de conteúdo de marca pessoal no LinkedIn no Brasil, Bruna tem 15 anos de experiência em Comunicação Digital e é responsável por desenvolver a estratégia de executivos de grandes empresas, founders e conselheiros.

Artigos relacionados

A energia invisível da liderança – revelando a verdadeira natureza do “Ki” irradiado por Masao Ogura, da Yamato Transport

Da criação do Takkyubin à reinvenção da logística japonesa, a história de Masao Ogura, responsável por transformar a Yamato Transport em um dos maiores cases de inovação logística do Japão. Este artigo revela como os princípios das artes marciais podem oferecer novas perspectivas sobre cultura organizacional, inovação, tomada de decisão e liderança em tempos de transformação.

Ageivism: o que acontece quando as organizações envelhecem, mas suas ideias não?

Enquanto a longevidade transforma a composição da sociedade e do mercado de trabalho, muitas organizações continuam operando com modelos de gestão construídos para uma realidade demográfica que já não existe. Este artigo discute o conceito que desafia o jovem-centrismo corporativo e convida líderes a repensarem o valor da experiência, da diversidade geracional e da longevidade nas empresas.

Inovação & estratégia, Liderança
10 de julho de 2026 08H00
Da Kodak aos desafios da economia digital, a história dos negócios mostra que organizações raramente fracassam por um único erro. Elas perdem relevância quando insistem em estratégias, processos e crenças que deixaram de responder às transformações do mercado.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Inovação & estratégia, Liderança
9 de julho de 2026 15H00
O maior risco da sucessão não é a troca de comando. É deixar para depois. Este artigo mostra por que a continuidade dos negócios depende menos dos herdeiros e mais da preparação, da governança e da capacidade de construir o próximo ciclo de crescimento.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio da FC Partners

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
9 de julho de 2026 08H00
A inteligência artificial já consegue executar boa parte do trabalho operacional. O que ela ainda não faz é dar sentido, construir confiança e imaginar futuros. Este artigo mostra por que o verdadeiro gargalo das empresas deixou de ser tecnológico e passou a ser a forma como lideram, colaboram e tomam decisões.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de julho de 2026 15H00
A inteligência artificial deixou de ser um projeto da área de tecnologia e passou a fazer parte da rotina de todas as áreas da empresa. O problema é que, em muitos casos, sua adoção avança mais rápido do que os mecanismos de segurança, compliance e governança capazes de sustentá-la.

Rodrigo Hülsenbeck - CEO da Premiersoft

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de julho de 2026 08H00
A maior vulnerabilidade da era da IA pode não estar nos profissionais juniores, mas nos cargos criados para coordenar fluxos e transmitir informações. O que acontece quando a tecnologia passa a fazer isso melhor, mais rápido e mais barato?

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

4 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
7 de julho de 2026 14H00
Entre Polônia e Brasil, teatro e negócios, cultura e estratégia, a autora propõe uma reflexão instigante sobre pertencimento, inteligência cultural e a capacidade, cada vez mais rara, de pensar com independência em um mundo saturado de narrativas.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

15 minutos min de leitura
Liderança
7 de julho de 2026 08H00
As mulheres brasileiras nunca estudaram tanto nem estiveram tão qualificadas para ocupar posições de decisão. Este artigo discute por que a desigualdade de representação persiste e como educação, networking e visibilidade continuam sendo fundamentais para transformar preparo em oportunidade.

Luiza Helena Trajano - Presidente do Conselho do Magazine Luiza e Presidente do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
6 de julho de 2026 16H00
Enquanto o networking superficial busca visibilidade, as conexões que realmente transformam carreiras nascem da credibilidade construída em projetos, desafios e relações pautadas pela confiança.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
6 de julho de 2026 09H00
Com a aceleração da inteligência artificial e a explosão de conteúdo, a liderança passa a exigir menos consumo de informação e mais capacidade de interpretar tendências, conectar contextos e tomar decisões em meio à complexidade.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
ESG
5 de julho de 2026 14H00
O maior risco do ESG não está no “E” nem no “S”, mas na fragilidade da governança que deveria sustentar ambos. Este artigo mostra como a NBR ISO 37301 ajuda organizações a transformar ética, compliance e gestão de riscos em evidências concretas de maturidade ESG.

Fernando Palamone - CEO da RT-One

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo