Estratégia
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Eventos não são agenda: são estratégia para a indústria têxtil

Feiras não servem mais para “aparecer” - quem participa apenas para “marcar presença” perde o principal - a chance de antecipar movimentos, ampliar repertório e tomar decisões mais inteligentes em um mercado cada vez mais complexo.
Natural de Indaial (SC), Fábio Kreutzfeld é CEO e cofundador da Delta Máquinas Têxteis, de Pomerode (SC). Com trajetória iniciada aos 15 anos na indústria, formou-se em eletrônica e automação industrial e acumulou experiência em empresas do setor têxtil, incluindo uma multinacional de tecnologia. Há 18 anos, empreende no desenvolvimento de soluções para acabamento têxtil, com foco em inovação, produtividade e atendimento consultivo, liderando uma equipe de 80 colaboradores e atendendo clientes no Brasil e nas Américas.

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Durante muito tempo, participar de feiras e eventos foi tratado como um compromisso de calendário: marcar presença, expor soluções, reencontrar parceiros e seguir a agenda institucional do setor. Esse modelo, no entanto, já não responde à complexidade do mercado atual. Em um cenário de transformação acelerada, eventos deixaram de ser vitrine e passaram a funcionar como verdadeiros laboratórios de futuro.

A indústria têxtil, meu ramo de atuação, vive um momento de pressão constante. Competitividade global, avanços tecnológicos, busca por eficiência produtiva, escassez de mão de obra qualificada e novas exigências de sustentabilidade impõem decisões cada vez mais rápidas e estratégicas. Nesse contexto, estar presente em feiras e encontros do setor é, para além de uma ação de relacionamento, uma forma de leitura antecipada do mercado.

Experiências recentes em eventos como o MBA Fashion Day, no Brasil, e a Colombiatex, na Colômbia, reforçam essa minha percepção. Em ambientes distintos, mas complementares, é possível observar algo em comum: quem participa com olhar atento volta com mais do que contatos e materiais institucionais. Volta com repertório, referências e clareza para conduzir o negócio.

Eventos nacionais têm um papel fundamental ao aproximar indústria, moda, gestão e formação. São espaços de escuta qualificada, onde emergem as dores reais das empresas, as lacunas de conhecimento e a necessidade de profissionalização em toda a cadeia produtiva. Mais do que tendências, esses encontros revelam comportamentos, prioridades e o nível de maturidade do mercado interno.

Já feiras internacionais ampliam o campo de visão. Elas permitem comparar o Brasil com outros polos têxteis, entender como a tecnologia está sendo aplicada em diferentes contextos e identificar movimentos que, em pouco tempo, devem impactar o nosso mercado. É ali que se percebe, de forma concreta, como inovação, automação e eficiência estão deixando de ser diferenciais e se tornando pré-requisitos.

Outro aspecto muitas vezes subestimado é o networking qualificado. Em feiras e eventos bem direcionados surgem parcerias, projetos conjuntos e oportunidades de negócio que dificilmente nasceriam em interações digitais ou reuniões formais. A proximidade, a conversa aberta e a troca de experiências aceleram decisões e criam confiança.

Há ainda um valor intangível, mas decisivo: a capacidade de tomar decisões melhores a partir da presença. Relatórios, indicadores e estudos são essenciais, mas não substituem a experiência de ver uma solução em funcionamento, comparar processos, ouvir diferentes perspectivas e compreender o contexto em que as transformações estão acontecendo. Estar presente é, também, uma forma de reduzir riscos.

Por isso, a pergunta que as empresas precisam se fazer não é mais ‘se devem’ participar de feiras e eventos, mas ‘como’ participar. Ir apenas para cumprir agenda tende a gerar retornos limitados. Ir para observar, aprender, se conectar e provocar reflexões internas transforma o evento em uma valiosa ferramenta de gestão.  

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