Estratégia
2 minutos min de leitura

Eventos não são agenda: são estratégia para a indústria têxtil

Feiras não servem mais para “aparecer” - quem participa apenas para “marcar presença” perde o principal - a chance de antecipar movimentos, ampliar repertório e tomar decisões mais inteligentes em um mercado cada vez mais complexo.
Natural de Indaial (SC), Fábio Kreutzfeld é CEO e cofundador da Delta Máquinas Têxteis, de Pomerode (SC). Com trajetória iniciada aos 15 anos na indústria, formou-se em eletrônica e automação industrial e acumulou experiência em empresas do setor têxtil, incluindo uma multinacional de tecnologia. Há 18 anos, empreende no desenvolvimento de soluções para acabamento têxtil, com foco em inovação, produtividade e atendimento consultivo, liderando uma equipe de 80 colaboradores e atendendo clientes no Brasil e nas Américas.

Compartilhar:

Durante muito tempo, participar de feiras e eventos foi tratado como um compromisso de calendário: marcar presença, expor soluções, reencontrar parceiros e seguir a agenda institucional do setor. Esse modelo, no entanto, já não responde à complexidade do mercado atual. Em um cenário de transformação acelerada, eventos deixaram de ser vitrine e passaram a funcionar como verdadeiros laboratórios de futuro.

A indústria têxtil, meu ramo de atuação, vive um momento de pressão constante. Competitividade global, avanços tecnológicos, busca por eficiência produtiva, escassez de mão de obra qualificada e novas exigências de sustentabilidade impõem decisões cada vez mais rápidas e estratégicas. Nesse contexto, estar presente em feiras e encontros do setor é, para além de uma ação de relacionamento, uma forma de leitura antecipada do mercado.

Experiências recentes em eventos como o MBA Fashion Day, no Brasil, e a Colombiatex, na Colômbia, reforçam essa minha percepção. Em ambientes distintos, mas complementares, é possível observar algo em comum: quem participa com olhar atento volta com mais do que contatos e materiais institucionais. Volta com repertório, referências e clareza para conduzir o negócio.

Eventos nacionais têm um papel fundamental ao aproximar indústria, moda, gestão e formação. São espaços de escuta qualificada, onde emergem as dores reais das empresas, as lacunas de conhecimento e a necessidade de profissionalização em toda a cadeia produtiva. Mais do que tendências, esses encontros revelam comportamentos, prioridades e o nível de maturidade do mercado interno.

Já feiras internacionais ampliam o campo de visão. Elas permitem comparar o Brasil com outros polos têxteis, entender como a tecnologia está sendo aplicada em diferentes contextos e identificar movimentos que, em pouco tempo, devem impactar o nosso mercado. É ali que se percebe, de forma concreta, como inovação, automação e eficiência estão deixando de ser diferenciais e se tornando pré-requisitos.

Outro aspecto muitas vezes subestimado é o networking qualificado. Em feiras e eventos bem direcionados surgem parcerias, projetos conjuntos e oportunidades de negócio que dificilmente nasceriam em interações digitais ou reuniões formais. A proximidade, a conversa aberta e a troca de experiências aceleram decisões e criam confiança.

Há ainda um valor intangível, mas decisivo: a capacidade de tomar decisões melhores a partir da presença. Relatórios, indicadores e estudos são essenciais, mas não substituem a experiência de ver uma solução em funcionamento, comparar processos, ouvir diferentes perspectivas e compreender o contexto em que as transformações estão acontecendo. Estar presente é, também, uma forma de reduzir riscos.

Por isso, a pergunta que as empresas precisam se fazer não é mais ‘se devem’ participar de feiras e eventos, mas ‘como’ participar. Ir apenas para cumprir agenda tende a gerar retornos limitados. Ir para observar, aprender, se conectar e provocar reflexões internas transforma o evento em uma valiosa ferramenta de gestão.  

Compartilhar:

Artigos relacionados

ESG
30 de dezembro de 2025
No dia 31 de dezembro de 2025 acaba o prazo para adesão voluntária às normas IFRS S1 e S2. Se sua empresa ainda acha que tem tempo, cuidado: 2026 não vai esperar. ESG deixou de ser discurso - é regra do jogo, e quem não se mover agora ficará fora dele

Eliana Camejo - Conselheira de Administração pelo IBGC e Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Aprendizado
30 de dezembro de 2025
Crédito caro, políticas públicas em transição, crise dos caminhões e riscos globais expuseram fragilidades e forçaram a indústria automotiva brasileira a rever expectativas, estratégias e modelos de negócio em 2025

Bruno de Oliveira - Jornalista e editor de negócios do site Automotive Business

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de dezembro de 2025
Automação não é sobre substituir pessoas, mas sobre devolver tempo e propósito: eliminar tarefas repetitivas é a chave para engajamento, retenção e uma gestão mais estratégica.

Tiago Amor - CEO da Lecom

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de dezembro de 2025
Reuniões não são sobre presença, mas sobre valor: preparo, escuta ativa e colaboração inteligente transformam encontros em espaços de decisão e reconhecimento profissional.

Jacque Resch - Sócia-diretora da RESCH RH

3 minutos min de leitura
Carreira
25 de dezembro de 2025
HSM Management faz cinco pedidos natalinos em nome dos gestores das empresas brasileiras, considerando o que é essencial e o que é tendência

Adriana Salles Gomes é cofundadora de HSM Management.

3 min de leitura
Liderança, Bem-estar & saúde
24 de dezembro de 2025
Se sua agenda lotada é motivo de orgulho, cuidado: ela pode ser sinal de falta de estratégia. Em 2026, os CEOs que ousarem desacelerar serão os únicos capazes de enxergar além do ruído.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
23 de dezembro de 2025
Marcela Zaidem, especialista em cultura nas empresas, aponta cinco dicas para empreendedores que querem reduzir turnover e garantir equipes mais qualificadas

Marcela Zaidem, Fundadora da Cultura na Prática

5 minutos min de leitura
Uncategorized, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
22 de dezembro de 2025
Inclusão não acontece com ações pontuais nem apenas com RH preparado. Sem letramento coletivo e combate ao capacitismo em todos os níveis, empresas seguem excluindo - mesmo acreditando que estão incluindo.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Lifelong learning
19 de dezembro de 2025
Reaprender não é um luxo - é sobrevivência. Em um mundo que muda mais rápido do que nossas certezas, quem não reorganiza seus próprios circuitos mentais fica preso ao passado. A neurociência explica por que essa habilidade é a verdadeira vantagem competitiva do futuro.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
18 de dezembro de 2025
Como a presença invisível da IA traz ganhos enormes de eficiência, mas também um risco de confiarmos em sistemas que ainda cometem erros e "alucinações"?

Rodrigo Cerveira - CMO da Vórtx e Cofundador do Strategy Studio

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...