Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 minutos min de leitura

Força econômica do público 50+ impõe novo padrão de centralidade no cliente

A economia prateada deixou de ser nicho e se tornou força estratégica: consumidores 50+ movimentam trilhões e exigem experiências centradas em respeito, confiança e personalização.
Eric Garmes é CEO da Paschoalotto

Compartilhar:


A economia global está passando por uma transformação silenciosa, profunda e inevitável. Ela não nasce de uma tecnologia, de uma mudança regulatória ou de uma disrupção pontual, mas de uma mudança demográfica que altera, em escala estrutural, a forma como consumimos, trabalhamos e nos relacionamos com marcas: o envelhecimento da população.

A economia prateada, toda a cadeia econômica movimentada por pessoas com mais de 50 anos, deixou de ser um nicho para se tornar uma força central de desenvolvimento. De acordo com a consultoria Data8, a população 50+ movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil, representando 23% de todo o consumo de bens e serviços, com uma renda anual estimada em R$ 940 bilhões. Globalmente, a economia prateada já representa a terceira maior atividade econômica do mundo, movimentando US$ 7,1 trilhões por ano.

Em 2050, a ONU estima que haverá 2,1 bilhão de cidadãos com 60 anos ou mais. E até 2080, haverá mais pessoas com 65 anos ou mais no mundo do que o número total de menores de 18 anos. O Brasil segue essa curva, já que envelhece rápido e com alto poder de consumo, especialmente em serviços financeiros, renegociação de dívidas, crédito e saúde.

Esse movimento traz uma mensagem clara para as organizações. Não existe estratégia de experiência do cliente que ignore a economia prateada. Também não existe transformação digital que funcione sem uma escuta ativa profunda sobre como esse público realmente quer ser atendido, acolhido e compreendido.

O consumidor 50+ não quer facilidade: quer respeito

Durante anos, empresas traduziram “centralidade no cliente” como digitalização, automação e velocidade. Mas para a geração prateada, centralidade não é ausência de atrito, é ausência de desrespeito.

O consumidor 50+ valoriza clareza, previsibilidade, educação financeira acessível e canais de atendimento que combinem empatia com eficiência. Ele não quer ser empurrado para o digital, quer opções reais, humanização assistida por tecnologia e, acima de tudo, não quer ser tratado como alguém que “não entende”, mas como alguém que carrega décadas de experiência e responsabilidade financeira.

Aqui nasce um desafio para empresas que lidam com crédito, cobrança, relacionamento e renegociação: como equilibrar escala e sensibilidade? Como aplicar inteligência artificial sem perder vínculo humano? Como personalizar jornadas para quem valoriza confiança acima de qualquer outro indicador?

A geração prateada não quer apenas resolver um problema, ela quer ser vista.

A economia prateada exige uma nova lógica de relacionamento

O que diferencia empresas capazes de dialogar com o público 50+ é a forma como elas constroem relacionamento e isso exige uma combinação inteligente entre dados para personalizara jornada e identificar o momento financeiro real, tecnologia para ampliar acesso e reduzir barreiras, sensibilidade humana para compreender o que está por trás da dívida, da renegociação ou da dúvida e multicanalidade verdadeira, que não empurra o cliente para o digital, mas o acolhe onde ele prefere estar.

Esse equilíbrio é cada vez mais determinante para índices de recuperação, engajamento e fidelização. A economia prateada não responde a scripts genéricos, mas à confiança.

Por isso, organizações que trabalham com atendimento, crédito, negociação e experiência precisam internalizar uma lógica simples. O público prateado é diverso, exigente e extremamente consciente do valor do seu tempo e do seu dinheiro e não é resistente à tecnologia .

Por que a economia prateada deve guiar estratégias de 2025 em diante

A economia prateada não é uma tendência setorial, mas um novo eixo estruturante da sociedade. Ignorar esse público significa perder relevância e competitividade em um mercado onde a longevidade se tornou um fator estratégico.

Empresas que se destacam hoje são aquelas que entendem que centralidade no cliente começa pelo respeito. À medida que o Brasil amadurece demograficamente, cresce também a responsabilidade de criar experiências que não apenas resolvam problemas financeiros, mas devolvam segurança, autonomia e dignidade ao consumidor maduro.

Compartilhar:

Artigos relacionados

ESG: uma pauta de sobrevivência empresarial

O ESG deixou de ser uma iniciativa reputacional ou opcional para se tornar uma condição de sobrevivência empresarial, especialmente a partir de 2026, quando exigências regulatórias, como os padrões IFRS S1 e S2, sanções da CVM e acordos internacionais passam a impactar diretamente a operação, o acesso a mercados e ao capital. A agenda ESG saiu do marketing e entrou no compliance – e isso redefine o que significa gerir um negócio

Inovação virou desculpa para má gestão

Quando a inovação vira justificativa para desorganização, empresas perdem foco, desperdiçam recursos e confundem criatividade com falta de gestão – um risco cada vez mais caro para líderes e negócios.

Inovação & estratégia
24 de janeiro de 2026
Inovação não falha por falta de ideias, mas por falta de métricas - o que não é medido vira entusiasmo; o que é mensurado vira estratégia.

Marina Lima - Gerente de Inovação Aberta da Stellantis para América do Sul

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de janeiro de 2026
Se seus vínculos não te emocionam, talvez você esteja fazendo networking errado. Relações que movem mercados começam com conexões que movem pessoas - sem cálculo, sem protocolo, só intenção genuína.

Laís Macedo - Presidente do Future Is Now

3 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de janeiro de 2026
Se a IA sabe mais do que você, qual é o seu papel como líder? A resposta não está em competir com algoritmos, mas em redefinir o que significa liderar em um mundo onde informação não é poder - decisão é.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de janeiro de 2026
Como o mercado está revendo métricas para entregar resultados no presente e valor no futuro?

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Inovação
20 de janeiro 2026
O volume e a previsibilidade dos instrumentos de fomento à inovação como financiamentos, recursos de subvenção econômica e incentivos fiscais aumentaram consideravelmente nos últimos anos e em 2026 a perspectiva é de novos recordes de liberações e projetos aprovados. Fomento para inovação é uma estratégia que, quando bem utilizada, reduz o custo da inovação, viabiliza iniciativas de maior risco tecnológico, ajuda a escalar e encurtar o tempo para geração de valor dos projetos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89 empresas

5 minutos min de leitura
Liderança
19 de janeiro de 2026
A COP 30 expôs um paradoxo gritante: temos dados e tecnologia em abundância, mas carecemos da consciência para usá-los. Se a agenda climática deixou de ser ambiental para se tornar existencial, por que ainda tratamos espiritualidade corporativa como tabu?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de janeiro de 2026
Falar em ‘epidemia de Burnout’ virou o álibi perfeito: responsabiliza empresas, alimenta fundos públicos e poupa o Estado de encarar o verdadeiro colapso social que adoece o país. O que falta não é diagnóstico - é coragem para dizer de onde vem o problema

Dr. Glauco Callia - Médico, CEO e fundador da Zenith

7 minutos min de leitura
Liderança, ESG
16 de janeiro de 2026
No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de janeiro de 2026
A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.

Rafael Silva - Head de parcerias e alianças da Lecom

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança