Bem-estar & saúde
3 minutos min de leitura

Morte: a próxima fronteira do bem-estar

Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.
Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Compartilhar:

A morte sempre foi tratada como um tema tabu, reservado a momentos de perda, silêncio e, muitas vezes, isolamento. Essa postura, predominante nos países ocidentais, vem passando por uma importante mudança cultural, acelerada principalmente pela pandemia de covid-19, que colocou a morte no centro da experiência coletiva, provocando uma nova relação com a perda.

O painel “How Death Became the New Wellness Frontier” (“Como a morte se tornou a nova fronteira do bem-estar”), que reuniu David Oliver, editor-adjunto de bem-estar do jornal USA Today, Rebecca Feinglos, fundadora e CEO da Grieve Leave e os doulas da morte, Darnell Lamont Walker e Jamie Thrower, trouxe para o centro do debate os novos formatos de apoio emocional ao luto.

Os profissionais conhecidos como doulas da morte atuam como acompanhantes em processos de fim de vida e luto e ajudam pessoas e famílias a lidar com decisões, emoções e significados relacionados à morte. Um papel que encontra um paralelo no Brasil no trabalho de psicólogos especializados em luto, mas com abordagem distinta, voltada ao apoio psicológico durante o processo.

O debate trouxe também à tona uma transformação na forma como o luto é vivido e compartilhado. Em um mundo mais conectado, experiências como funerais online, grupos de apoio virtuais e comunidades digitais de acolhimento surgem como alternativas para reduzir o isolamento.

Segundo os painelistas, nas empresas, o tema começa a ganhar espaço dentro da agenda de bem-estar, porém ainda de forma tímida. A maioria das organizações oferece suporte limitado, geralmente restrito ao cumprimento da legislação sobre licença, e ainda não prepara lideranças para lidar com colaboradores enlutados.

Outro ponto relevante é a falta de diversidade nos espaços de apoio ao luto. Grupos tradicionais nem sempre contemplam diferentes identidades, como pessoas LGBTQIA+, que podem vivenciar a perda de forma ainda mais isolada e, muitas vezes, invisibilizadas.

Mas como esse movimento ressoa nos brasileiros?

Pesquisa online conduzida pela Hibou, realizada nos dias 19 e 20 de março, ouviu 1.585 pessoas maiores de 18 anos, de todas as classes sociais e gêneros, com margem de erro de 2,5%.

Os resultados mostram que 54,7% dos participantes dizem que se sentem confortáveis em falar sobre morte e luto, enquanto 22,6% afirmam sentirem-se pouco confortáveis, com 8,5% nada confortáveis com o tema. Mais da metade (51,6%) acredita que as pessoas estão mais abertas a falar sobre morte e luto do que no passado, embora 27,5% afirmem não perceber mudanças nesse sentido.


Quando o assunto é tratar o luto como parte natural da vida e do bem-estar emocional, 78,3% dizem concordar total ou parcialmente. Ainda assim, 48,5% dizem se sentir pouco ou nada preparados emocionalmente para lidar com perdas importantes, enquanto 33,9% afirmam se sentir muito ou um pouco preparados.


A família (67,2%), aparece como principal fonte de apoio, seguida pela religião e a espiritualidade (60,2%), amigos (52,6%) e terapia/psicólogos (45,4%). Apenas uma parcela pequena recorre a comunidades, grupos ou conteúdos online, o que indica que os brasileiros ainda estão distantes da realidade apresentada no painel.

Mesmo assim, 58,3% consideram válido o surgimento de novos profissionais e serviços para apoio ao luto, como as doulas da morte. Esse dado se conecta a outro resultado relevante, já que 66,6% concordam que as pessoas lidam com o luto de forma mais solitária do que deveriam.


Saí do painel com a convicção de que precisamos reaprender a lidar com a morte como parte da vida e que a escuta e o cuidado coletivo têm um papel importante nesse processo. Embora os brasileiros ainda vivam essa experiência de forma mais reservada, o fato de muitos não se sentirem preparados para enfrentar a perda abre espaço para abordagens mais conscientes, acolhedoras e compartilhadas.

Compartilhar:

Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução