As mulheres brasileiras nunca estiveram tão preparadas para liderar. Hoje, elas estudam mais, concluem mais o ensino superior e representam a maioria entre os diplomados nas universidades brasileiras. Ainda assim, essa qualificação não se reflete na mesma proporção quando olhamos para os cargos de liderança nas empresas, na política e em outras instâncias de decisão.
Essa é uma contradição que precisa ser enfrentada.
Os estudos do IBGE mostram, há anos, que as mulheres apresentam maior escolaridade que os homens e são maioria entre as pessoas com ensino superior completo. Mesmo assim, continuam sub-representadas nas posições de comando e ocupam pouco mais de um terço dos cargos gerenciais no país. Na política, a distância também é evidente. Embora representem mais da metade da população brasileira e do eleitorado, ainda ocupamos uma parcela bastante reduzida das cadeiras no Congresso Nacional e em outros espaços de representação. Isso demonstra que o desafio não está na capacidade ou na formação das mulheres, mas nas oportunidades que ainda precisam ser ampliadas.
Por isso, iniciativas voltadas ao desenvolvimento profissional feminino continuam sendo importantes. Não porque as mulheres precisem provar competência, mas porque o acesso às posições de maior influência depende também de formação continuada, atualização constante, networking e da criação de ambientes onde possam trocar experiências e ampliar sua visibilidade profissional.
Vivemos um momento em que praticamente todas as profissões estão sendo transformadas pela tecnologia, pela inteligência artificial e por novas formas de trabalho. Nesse cenário, aprender deixou de ser uma etapa da carreira para se tornar um processo permanente. Quem continua estudando, compartilhando experiências e ampliando sua visão de mundo está mais preparado para aproveitar as oportunidades que surgem.
Foi com essa visão que nasceu o Summit Mulheres nas Profissões. Mais do que um evento, ele pretende ser um espaço para discutir as profissões do presente e do futuro, reunir especialistas de diferentes áreas e aproximar conhecimento de quem deseja crescer profissionalmente. Também haverá espaço para pequenas empreendedoras apresentarem seus negócios e ampliarem suas redes de relacionamento, porque muitas vezes uma boa conexão pode abrir portas tão importantes quanto uma boa ideia.
Defender mais mulheres em posições de liderança não significa estabelecer uma disputa entre homens e mulheres. Significa reconhecer que empresas e instituições tomam decisões melhores quando contam com diferentes perspectivas. Diversidade não é apenas uma questão de justiça. É também um fator de inovação, criatividade e competitividade.
Talento existe em todos os lugares, o que nem sempre existe são as mesmas oportunidades. Quanto mais conseguirmos reduzir essa distância, mais estaremos fortalecendo as empresas, a economia e a própria sociedade.
O Grupo Mulheres do Brasil nasceu acreditando que mudanças estruturais acontecem quando transformamos discurso em ação. Ao longo dos anos, desenvolvemos iniciativas voltadas à educação, ao empreendedorismo, à participação política e à geração de oportunidades. Cada novo projeto tem o mesmo objetivo: criar condições para que mais mulheres possam ocupar os espaços para os quais já estão preparadas.
Tenho esperança de que, nos próximos anos, a discussão deixe de ser quantas mulheres conseguem chegar aos cargos de liderança e passe a ser apenas quem está mais preparada para ocupá-los. Quando esse dia chegar, teremos dado um passo importante para construir um Brasil mais competitivo, mais inovador e mais representativo da sua própria sociedade.




