Uncategorized
7 min de leitura
Oferecido por:

O futuro do brand experience apresentado no SXSW ressoa nos brasileiros?

O futuro das experiências de marca está na fusão entre nostalgia e inovação: 78% dos brasileiros têm memórias afetivas com campanhas (Bombril, Parmalat, Coca-Cola), mas resistem à IA (62% desconfiam) - o desafio é equilibrar personalização tecnológica com emoções coletivas que criam laços duradouros
Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Compartilhar:

Liderança

Como as marcas serão vividas, sentidas e compartilhadas pelos consumidores no futuro? De que forma as tecnologias imersivas e a criatividade podem impulsionar experiências memoráveis? Essas foram algumas das questões debatidas no painel “The Future of Brand Experience Design: How Brands Will Be Lived, Felt and Shared” (“O futuro do design de experiência de marca: como as marcas serão vividas, sentidas e compartilhadas”), que reuniu especialistas como Reece Hobbins, da Soon Future Studies, e Johan Millard, da SoHo Experiential, no terceiro dia do SXSW. O debate trouxe insights para as marcas e como elas podem criar conexões autênticas e duradouras com os consumidores.

Para Hobbins e Millard, o design de experiências de marca do futuro será centrado na criação de experiências imersiva e memoráveis, que ressoam com os consumidores em um nível emocional mais profundo. Didáticos, eles destacaram os quatro tipos de memória que podem ser explorados estrategicamente pelas marcas: a episódica (relacionada a eventos específicos, como as Olimpíadas, o Natal ou aniversários); a sensorial (que envolve os cinco sentidos humanos); a implícita (relacionada a emoções fortes, positivas ou negativas, e influenciada por como o consumidor reage emocionalmente a uma experiência); e a explícita (que se forma ao longo do tempo, por meio das outras três memórias).

Antes da Internet, as experiências culturais eram mais coletivas, com grande parte do público consumindo os mesmos conteúdos e vivendo momentos semelhantes. Hoje, com a fragmentação da mídia e a hiperpersonalização impulsionada pela IA, as marcas podem oferecer experiências altamente customizadas, sem abrir mão do compartilhamento. A Disney é um exemplo desse equilíbrio, conseguindo oferecer experiências únicas para cada membro da família, mantendo a conexão entre eles.

Nostalgia e criatividade como ativadores de memória

O aspecto mais importante da experiência de marca, no entanto, será sua capacidade de se tornar parte da memória de longo prazo do consumidor, influenciando seu comportamento futuro. E isso é alcançado por meio de experiências ricas em emoções e significados, que ativam a memória.

A nostalgia é um recurso que pode ser usado tanto para ativar a memória episódica como a sensorial e a implícita, tornando-se uma ferramenta potente para as marcas, ao permitir que os consumidores se conectem com memórias positivas do passado. A marca Pokémon, por exemplo, trabalha ativamente a nostalgia, ao relançar jogos e cartas dos anos 1990 e a Gucci se conecta com as gerações mais jovens por meio de coleções que remetem aos anos 1990 e 2000, criando uma ponte entre o passado e o presente.

Outra abordagem destacada no painel foi o uso de elementos inesperados nas experiências de marca para quebrar a monotonia e previsibilidade dos algoritmos de personalização. Um exemplo curioso foi a marca de embutidos Oscar Mayer (que pertence à Kraft Heinz), que lançou uma máscara facial inspirada na mortadela bolonha, em parceria com a empresa coreana Seoul Mamas. Além disso, o detox digital vem ganhando força como forma de ressignificar experiências, valorizando o contato humano e práticas táteis, como cozinhar, fazer artesanato ou ouvir discos de vinil.

O que os brasileiros pensam sobre essas tendências?

Nossa parceria com a Hibou, da Lígia Mello, nos permitiu investigar como essas tendências ressoam nos brasileiros. No dia 14 de março, entrevistamos 1.080 brasileiros, maiores de 18 anos, das classes A, B, C e D. A pesquisa tem uma margem de erro de 3%.

Os brasileiros têm memórias duradouras com as marcas?

A grande maioria dos brasileiros (78%) afirmou que já teve alguma propaganda, campanha ou experiência de marca que se tornou uma memória permanente. Esse dado confirma não apenas as tendências discutidas no SXSW, mas também a força das campanhas publicitárias no Brasil, que sempre souberam criar laços emocionais profundos com o público.

De acordo com a pesquisa, as Top 3 marcas que ficaram na memória dos brasileiros são: Bombril, com 14,2% das respostas (Carlos Moreno foi o garoto-propaganda da marca por 35 anos!); Parmalat, com 9,5% (a coleção de bichinhos dos anos 1990 foi uma verdadeira febre entre as crianças); e Coca-Cola, que foi apontada por 8,9% dos participantes, enquanto outros 4,7% a associaram ao Natal. Todas essas marcas usaram estratégias para ativar a memória sensorial, episódica e implícita dos consumidores, e, não por acaso, permaneceram na memória de longo prazo (explícita) dos brasileiros.

Que elementos nostálgicos as marcas deveriam trazer de volta?

Para os participantes da pesquisa, os jingles lideram a lista, com 45% das respostas, seguidos de perto pelas embalagens antigas (37%) e pelos personagens (37%). Os sabores descontinuados de algumas marcas (35%) também foram lembrados pelos brasileiros, o que mostra que ativar a memória sensorial, visual e implícita é uma estratégia eficaz de engajamento de marca no Brasil.

O que fala mais alto para os brasileiros, a personalização ou o compartilhamento?

Quando questionados sobre a preferência entre experiências personalizadas ou momentos compartilhados, 43% dos entrevistados disseram que preferem compartilhar experiências de marca com pessoas especiais. Apenas 9% preferem experiências altamente personalizadas para si mesmos, enquanto 49% não têm uma preferência clara entre as duas opções. Isso indica que, mesmo em um mundo hiperpersonalizado, o aspecto coletivo ainda é essencial para a experiência do consumidor brasileiro.

Confiança na IA para personalização a experiência

A maioria dos brasileiros (62%) não tem confiança na utilização da IA para personalizar as experiências de marca, sendo que 38% se sentem pouco confiantes e 24% nada confiantes. Apenas 16% confiam na tecnologia, e um número ainda menor (2%) se sente muito confiante com seu uso. Apesar do potencial da inteligência artificial, os dados mostram que ainda há um longo caminho para que a tecnologia conquiste a credibilidade do público. Transparência no uso dos dados, segurança e benefícios claros para o consumidor serão fundamentais para mudar essa percepção e tornar a IA uma aliada, e não uma preocupação dos consumidores.

O que esses resultados mostram é que o futuro das experiências de marca será, ainda, dominado pelas emoções humanas. O uso de tecnologias, como a IA, pode trazer personalização e recursos visuais impactantes, mas a conexão com as marcas continuará sendo marcada pela vivência de experiências sensoriais inesquecíveis.

Compartilhar:

Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Artigos relacionados

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução