Uncategorized
7 min de leitura

O futuro do brand experience apresentado no SXSW ressoa nos brasileiros?

O futuro das experiências de marca está na fusão entre nostalgia e inovação: 78% dos brasileiros têm memórias afetivas com campanhas (Bombril, Parmalat, Coca-Cola), mas resistem à IA (62% desconfiam) - o desafio é equilibrar personalização tecnológica com emoções coletivas que criam laços duradouros
CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Compartilhar:

Liderança

Como as marcas serão vividas, sentidas e compartilhadas pelos consumidores no futuro? De que forma as tecnologias imersivas e a criatividade podem impulsionar experiências memoráveis? Essas foram algumas das questões debatidas no painel “The Future of Brand Experience Design: How Brands Will Be Lived, Felt and Shared” (“O futuro do design de experiência de marca: como as marcas serão vividas, sentidas e compartilhadas”), que reuniu especialistas como Reece Hobbins, da Soon Future Studies, e Johan Millard, da SoHo Experiential, no terceiro dia do SXSW. O debate trouxe insights para as marcas e como elas podem criar conexões autênticas e duradouras com os consumidores.

Para Hobbins e Millard, o design de experiências de marca do futuro será centrado na criação de experiências imersiva e memoráveis, que ressoam com os consumidores em um nível emocional mais profundo. Didáticos, eles destacaram os quatro tipos de memória que podem ser explorados estrategicamente pelas marcas: a episódica (relacionada a eventos específicos, como as Olimpíadas, o Natal ou aniversários); a sensorial (que envolve os cinco sentidos humanos); a implícita (relacionada a emoções fortes, positivas ou negativas, e influenciada por como o consumidor reage emocionalmente a uma experiência); e a explícita (que se forma ao longo do tempo, por meio das outras três memórias).

Antes da Internet, as experiências culturais eram mais coletivas, com grande parte do público consumindo os mesmos conteúdos e vivendo momentos semelhantes. Hoje, com a fragmentação da mídia e a hiperpersonalização impulsionada pela IA, as marcas podem oferecer experiências altamente customizadas, sem abrir mão do compartilhamento. A Disney é um exemplo desse equilíbrio, conseguindo oferecer experiências únicas para cada membro da família, mantendo a conexão entre eles.

Nostalgia e criatividade como ativadores de memória

O aspecto mais importante da experiência de marca, no entanto, será sua capacidade de se tornar parte da memória de longo prazo do consumidor, influenciando seu comportamento futuro. E isso é alcançado por meio de experiências ricas em emoções e significados, que ativam a memória.

A nostalgia é um recurso que pode ser usado tanto para ativar a memória episódica como a sensorial e a implícita, tornando-se uma ferramenta potente para as marcas, ao permitir que os consumidores se conectem com memórias positivas do passado. A marca Pokémon, por exemplo, trabalha ativamente a nostalgia, ao relançar jogos e cartas dos anos 1990 e a Gucci se conecta com as gerações mais jovens por meio de coleções que remetem aos anos 1990 e 2000, criando uma ponte entre o passado e o presente.

Outra abordagem destacada no painel foi o uso de elementos inesperados nas experiências de marca para quebrar a monotonia e previsibilidade dos algoritmos de personalização. Um exemplo curioso foi a marca de embutidos Oscar Mayer (que pertence à Kraft Heinz), que lançou uma máscara facial inspirada na mortadela bolonha, em parceria com a empresa coreana Seoul Mamas. Além disso, o detox digital vem ganhando força como forma de ressignificar experiências, valorizando o contato humano e práticas táteis, como cozinhar, fazer artesanato ou ouvir discos de vinil.

O que os brasileiros pensam sobre essas tendências?

Nossa parceria com a Hibou, da Lígia Mello, nos permitiu investigar como essas tendências ressoam nos brasileiros. No dia 14 de março, entrevistamos 1.080 brasileiros, maiores de 18 anos, das classes A, B, C e D. A pesquisa tem uma margem de erro de 3%.

Os brasileiros têm memórias duradouras com as marcas?

A grande maioria dos brasileiros (78%) afirmou que já teve alguma propaganda, campanha ou experiência de marca que se tornou uma memória permanente. Esse dado confirma não apenas as tendências discutidas no SXSW, mas também a força das campanhas publicitárias no Brasil, que sempre souberam criar laços emocionais profundos com o público.

De acordo com a pesquisa, as Top 3 marcas que ficaram na memória dos brasileiros são: Bombril, com 14,2% das respostas (Carlos Moreno foi o garoto-propaganda da marca por 35 anos!); Parmalat, com 9,5% (a coleção de bichinhos dos anos 1990 foi uma verdadeira febre entre as crianças); e Coca-Cola, que foi apontada por 8,9% dos participantes, enquanto outros 4,7% a associaram ao Natal. Todas essas marcas usaram estratégias para ativar a memória sensorial, episódica e implícita dos consumidores, e, não por acaso, permaneceram na memória de longo prazo (explícita) dos brasileiros.

Que elementos nostálgicos as marcas deveriam trazer de volta?

Para os participantes da pesquisa, os jingles lideram a lista, com 45% das respostas, seguidos de perto pelas embalagens antigas (37%) e pelos personagens (37%). Os sabores descontinuados de algumas marcas (35%) também foram lembrados pelos brasileiros, o que mostra que ativar a memória sensorial, visual e implícita é uma estratégia eficaz de engajamento de marca no Brasil.

O que fala mais alto para os brasileiros, a personalização ou o compartilhamento?

Quando questionados sobre a preferência entre experiências personalizadas ou momentos compartilhados, 43% dos entrevistados disseram que preferem compartilhar experiências de marca com pessoas especiais. Apenas 9% preferem experiências altamente personalizadas para si mesmos, enquanto 49% não têm uma preferência clara entre as duas opções. Isso indica que, mesmo em um mundo hiperpersonalizado, o aspecto coletivo ainda é essencial para a experiência do consumidor brasileiro.

Confiança na IA para personalização a experiência

A maioria dos brasileiros (62%) não tem confiança na utilização da IA para personalizar as experiências de marca, sendo que 38% se sentem pouco confiantes e 24% nada confiantes. Apenas 16% confiam na tecnologia, e um número ainda menor (2%) se sente muito confiante com seu uso. Apesar do potencial da inteligência artificial, os dados mostram que ainda há um longo caminho para que a tecnologia conquiste a credibilidade do público. Transparência no uso dos dados, segurança e benefícios claros para o consumidor serão fundamentais para mudar essa percepção e tornar a IA uma aliada, e não uma preocupação dos consumidores.

O que esses resultados mostram é que o futuro das experiências de marca será, ainda, dominado pelas emoções humanas. O uso de tecnologias, como a IA, pode trazer personalização e recursos visuais impactantes, mas a conexão com as marcas continuará sendo marcada pela vivência de experiências sensoriais inesquecíveis.

Compartilhar:

CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Artigos relacionados

A IA vai pelo mesmo caminho do ERP e da transformação digital?

O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia – mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Estamos aprendendo mais (e entendendo menos)

Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Tecnologia & inteligencia artificial, Lifelong learning
19 de maio de 2026 07H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Lifelong learning
18 de maio de 2026 15H00
Mais do que absorver conhecimento, este artigo mostra por que a capacidade de revisar, abandonar e reconstruir modelos mentais se tornou o principal motor de aprendizagem e adaptação nas organizações em um mundo acelerado pela IA.

Andréa Dietrich - CEO da Altheia - Atelier de Tecnologias Humanas e Digitais

9 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
18 de maio de 2026 08H00
A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de maio de 2026 17H00
E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
17 de maio de 2026 10H00
Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados - e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Diego Nogare

7 minutos min de leitura
Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
Liderança
15 de maio de 2026 07H00
Não é a idade que torna líderes obsoletos - é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

0 min de leitura
Marketing
14 de maio de 2026 15H00
Executivo tende a achar que, depois de um certo ponto, não é mais preciso contar o que faz. O case da co-founder do Nubank prova exatamente o contrário.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão