Uncategorized

Omnichannel: bons exemplos na crise e seis dicas para quem deseja avançar

Ser omnichannel já era um desafio para o varejo no contexto pré-pandemia. Com o interesse acelerado por compras online, muitas empresas precisaram se adaptar.
Especialista em varejo e estratégia, com projetos desenvolvidos no Brasil, Latam, Emirádos Árabes e China para marcas como BRF, P&G, Coca-Cola, Nestlé, Sadia, Mastercard, Santander, J&J entre outras.

Compartilhar:

O impacto do novo coronavirus no mundo dos negócios obrigou muitas empresas a se movimentarem como nunca. Segundo a Nielsen, o volume de pessoas comprando em plataformas online pela primeira vez aumentou significativamente durante a pandemia, chegando a ter dias com 45% das compras feitas por pessoas que nunca haviam comprado online no Brasil. Ainda não é possível dizer se o índice se manterá nessa taxa, mas muito provavelmente ele não retorna à base anterior.

O curioso é que, mesmo antes da Covid-19, os números das compras online já eram expressivos o suficiente para que o senso de urgência batesse à porta das empresas. O relatório da e-bit de 2019, por exemplo, indicava que 36% da população brasileira já era digital buyer, movimentando um total de R$ 133bi no ecommerce. E se a demanda já estava clara, como especialista em varejo, observo com interesse o movimento de empresas para, finalmente, se tornarem omnichannel. 

Mais do que um “business buzzword”, estar onde o consumidor está – princípio básico de definição do termo ominichannel – é mandatório para as empresas que desejam manter relevância e fluidez em suas transações. Outro ponto importante sobre o conceito é que só o fato de ter loja física e uma plataforma de ecommerce não fazem da sua marca uma empresa ominichannel. O nome disso é é multicanalidade. 

Mudança na jornada do consumidor
——————————–

Um trabalho da Deloitte China, que comparou as jornadas antes e durante a Covid-19, mostra que um dos efeitos da pandemia foi um maior tráfego de conversão concentrado em ecossistemas de compras, ou seja, um combinando do comércio eletrônico integrado com as redes sociais, sites da marca, plataformas verticais, live streaming e tráfego privado (da sua base). A pesquisa nomeou o comportamento dos usuários de “life on cloud/vida na nuvem”. 

E não tem como falar de omnichannel se não falarmos sobre jornada do consumidor. Mapear a jornada e agir sobre ela é o primeiro passo para criar uma estratégia omnichannel. É importante compreendermos que mapeamento da jornada não é uma pesquisa do consumidor em que você faz uma vez. A jornada é orgânica, fluída e altamente influenciada por contextos de macro e micro cenários, e deve ser reaprendida rotineiramente. Será que a jornada da pessoa que comprava esmalte antes da pandemia é a mesma de agora? Será que ela não precisa de uma assistência ao uso e não só um suporte para decider qual cor comprar? 

Percebo que as empresas ainda têm muito caminho pela frente para estarem, de fato, alinhadas ao conceito de omnichannel. Porém, é inegável que algumas organizações surpreenderam nesta pandemia ao acelerar a implementação de novos jeitos de ofertarem seus produtos. Vejamos alguns exemplos.

Dengo ao Vivo
————-

A loja de chocolates @dengoloja tem uma experiência física toda sensorial e, apesar de já estar em plataformas de delivery, fez uma loja streaming, tentando replicar seu jeito de ser e vender.

[Loja Streaming](https://www.instagram.com/p/CAGKKpylp37/?igshid=1m9sy2o6k6p96)

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/5ca5749e-9d9f-45a0-82da-8e30f3ccab9c.png)

Varejo no Zap
————-

A Via Varejo colocou sua equipe de vendas no whatsapp e a plataforma passou a ser responsável por 20% total das vendas tanto das Casas Bahia como Pontofrio, mesmo tendo um site de ecommerce. O “conversation commerce” é uma realidade, em especial no Brasil dada a nossa paixão pelos apps de mensagem.

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/6099f056-5aec-4397-84f7-d8c42af71add.png)

Conveniência móvel
——————

A canadense Groceryneighbour é um truck supermercado com um portfólio de produtos de comerciantes e produtores locais, que para nas ruas e abre sua loja sobre rodas. Baixando o app ou acessando o site é possível saber onde e quando o truck estará por perto.

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/8486a4ed-1080-48fb-8d96-e81ddecbb479.png)

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/ce48021d-62e6-41e8-a1ef-5ddade8f9cb2.png)

Tradicional moderno: 
———————

As concessionárias de carro estão se movimentando e já implantaram novidades como delivery de test drive e venda por meio de redes sociais. A Hyundai, apesar de ter uma plataforma de ecommerce, app e estar no whatsapp, tem investido nas lojas das redes sociais, e afirma já ter vendido 150 carros em um mês, e que o social commerce possui 20% a mais de engajamento.

![Concessionária fechada em São Bernardo do Campo, SP — Foto: Lucas Leme/VC no G1](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/52496837-bcfc-463f-94df-5f555ccba613.png)

Concessionária fechada em São Bernardo do Campo, SP — Foto: Lucas Leme/VC no G1

Levando em conta estas movimentações e os meus aprendizados sobre o conceito de omnichannel, deixo aqui seis dicas para você que deseja avançar neste tipo de solução: 

1. Mapeie a jornada do consumidor e crie papéis estratégicos para os canais de interação serem suportes de conversão:

* Entenda o padrão de comportamento no processo de decisão de compra e conheça os canais que geram mais tração e suporte a conversão. Há empresas de data science focadas nesse entendimento e nos dão luz para encontrar momentos dos usuários que são cruciais para estar presente, de maneira relevante

* Não misture a função da mídia digital com o conteúdo de suporte a conversão.  Cada um tem seu papel, mas em momentos diferentes da jornada.

2. Considere ampliar a forma de acesso ao seu produto usando ferramentas ou aplicativos que seus consumidores já estão acostumados. Lembre-se que o foco é nele. Aqui vale explorar social e conversational commerce.

3. “Diminua o abismo entre entretenimento, conteúdo e comércio/conversão”, isso foi uma fala do CEO do Facebook Brasil e quando vemos o sucesso das lives com shows e recordes de doações dá para entender bem essa orientação.

4. Não pense seus canais de vendas de maneira isolada. Note que o usuário percorre vários deles para tomar uma decisão e o importante é estar pronto para o momento final. 

5. Aprenda com os dados e ajuste suas estratégias com base neles. Manter uma rotina de monitoramento da jornada e aprender quais são os indicadores de acompanhamento são fundamentais para estar sempre onde seu cliente está.

6. Invista na experiência de marca em todos os canais. O usuário espera ser tratado e reconhecido de maneira igual seja onde estiver. Portanto, a promessa da marca tem que estar super alinhada com a vivência do processo de compra.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Três hipóteses para redesenhar o primeiro degrau da carreira

A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
15 de agosto de 2026 14H00
Sistemas desconectados, estoques imprecisos e perdas recorrentes tornam o hortifrúti uma das operações mais complexas do varejo alimentar. Ao contrário das promessas de transformação total, a inteligência artificial vem demonstrando valor justamente onde consegue reconstruir informações, prever demanda e apoiar decisões com impacto direto sobre vendas e desperdício.

Marco Perlman - CEO da Aravita

3 minutos min de leitura
Estratégia, Ecossistema
15 de agosto de 2026 08H00
Embora a maioria das empresas reconheça o potencial dos ecossistemas de parceiros para gerar receita e ampliar mercados, poucas conseguem transformar essa ambição em resultados consistentes. O artigo explora por que a construção de um ecossistema eficaz vai muito além da criação de um canal comercial, exigindo arquitetura, governança, ativação e uma estratégia capaz de conectar parceiros aos objetivos de crescimento do negócio.

Juliana Tubino e Nara Vaz Guimarães - Cofundadoras do Ecossistema Octo e coautoras do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing
14 de agosto de 2026 13H00
Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

Antonio Carlos Matos da Silva - Conselheiro independente associado ao IBGC

5 minutos min de leitura
Liderança
14 de agosto de 2026 08H00
Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

13 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução