Diversidade, Diversidade

Onde estão as mulheres da sua empresa?

A sustentabilidade dos negócios depende diretamente das posições que as mulheres ocupam dentro das organizações e na sociedade; cabe a todos nós, e principalmente aos homens mais privilegiados, defender a promoção de lideranças femininas
Fundadora da #JustaCausa, do programa #lídercomneivia e dos movimentos #ondeestãoasmulheres e #aquiestãoasmulheres

Compartilhar:

Você, assim como eu, é fruto de uma sociedade machista. Desde a infância, você aprendeu que existem coisas “de mulher” e coisas “de homem”, assim como cores, comportamentos, atitudes, sentimentos, profissões, carreiras e lugares, de maneira explícita ou implicitamente, atribuídos aos gêneros de maneira binária e distinta.

É muito provável que você tenha crescido ouvindo e rindo de piadas que ofendem quem é diferente de você: mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+, nordestinas, pessoas com deficiência, velhas, gordas, portuguesas, japonesas, entre outras. Piadas essas que você, inconscientemente, reproduz até hoje.

Se você é um [homem branco, heterossexual, sem nenhuma deficiência aparente](https://mitsloanreview.com.br/post/qual-e-o-espaco-dos-homens-brancos-heterossexuais-e-sem-deficiencia “O lugar dos homens brancos, heterossexuais e sem deficiência”), que teve acesso a uma educação de qualidade e às melhores oportunidades de trabalho e carreira, o mundo sempre foi construído para você. A meritocracia, na qual você acredita, defende e promove com tanta convicção, foi feita por todos os homens brancos que te antecederam no comando das nações, governos, instituições e empresas públicas e privadas, desde sempre.

A culpa não é sua. No entanto, já está passando da hora de você assumir sua responsabilidade, indelegável e intransferível, de usar seu lugar de poder para mudar a realidade à sua volta.

## Retrocessos entre avanços

Você deve ter percebido que, nos últimos 60 anos, nós, mulheres, temos avançado na ocupação do mercado de trabalho. Se, até 1962, precisávamos da autorização dos nossos maridos para trabalhar, hoje, milhões de nós somos donas da nossa história, maioria nas universidades e estamos em todos os lugares, mesmo que ainda longe de ter as mesmas condições que você.

Nossos salários ainda são em média, 20,5% menores que os dos homens nas mesmas funções. Continuamos sendo duramente penalizadas quando escolhemos doar nosso corpo para gerar uma nova vida e dar seguimento à humanidade. Lembra que foi isso que sua mãe fez para te trazer ao mundo? Infelizmente, 50% das mulheres são demitidas em até dois anos da volta da licença maternidade.

Ainda temos que enfrentar uma jornada dupla de trabalho, uma vez que cuidar das tarefas domésticas e da criação dos filhos ainda são [responsabilidades atribuídas principalmente às mulheres](https://www.revistahsm.com.br/post/mercado-de-trabalho-precisamos-falar-sobre-jovens-e-mulheres).

Sofremos todo tipo de violência pessoal e profissional, desde a infância: [assédio](https://www.revistahsm.com.br/post/voce-sabe-o-que-e-assedio “Assédio no local de trabalho”), maninterrupting, bropriating, mansplaining, gaslighting — foi final deste artigo, acrescento um glossário sobre esses termos —, estupro, violência doméstica, psicológica, patrimonial, culminando no feminicídio.

Apesar disso tudo, a Microsoft, SAP, IBM, Twitter, Intel, Google, WeWork, Uber, Bayer, BP, Fleury, Sabin, Pfizer, Eli Lilly, Novo Nordisk, Citroen, P&G, UPS, GE, Equinor, Adidas, OAB SP, Gerdau Summit, Swarovsky, Sephora, Hinode, Travelex Bank, UBS, Deutsche Bank, Standard Bank, BMG, Rede e o Nubank, entre tantas outras empresas, são hoje lideradas por mulheres aqui no Brasil e/ou na América Latina.

### Mulheres que sustentam negócios

Todavia, apesar dessas lideranças femininas, essa parcela representa tão-somente 3,5% do contingente de empresas presentes no Brasil. Como se não bastasse, representamos apenas 11,5% do total de conselheiros, e seis em cada dez empresas com ações na Bolsa de Valores brasileira [não têm nenhuma mulher no conselho de administração](https://www.revistahsm.com.br/post/onde-esta-a-diversidade-nos-conselhos-administrativos “Mulheres nos conselhos administrativos”).

O que você está esperando para acelerar a [inclusão e ascensão das mulheres nas posições de liderança da sua empresa](https://www.revistahsm.com.br/post/da-equidade-de-genero-a-lideranca-feminina)? Lembre-se: representamos 52% da população, somos 67 milhões de mães, responsáveis por 38,7% dos lares e 80% das decisões de consumo do País. A sustentabilidade da sua empresa depende de nós.

No entanto, para garantir essa sustentabilidade, você tem que estar genuinamente comprometido com a mudança da realidade, promovendo a igualdade de gênero (ODS) como valor da cultura e da liderança da sua empresa, com metas claras e mensuráveis, políticas afirmativas, cotas e igualdade salarial.

Além disso, é necessário estimular a corresponsabilidade das tarefas e criação dos filhos com a licença parental, por exemplo, assegurando que as mulheres façam parte dos planos de sucessão. Em outras palavras, isso significar colocar o ESG na prática, com coragem e agilidade. No mais, não existe futuro sem mulheres, e você sabe disso.

## Para aprender e não esquecer

__Maninterrupting:__ interrupções constantes das nossas falas.

__Bropriating:__ apropriação indevida das nossas ideias.

__Mansplainning:__ homens nos explicando o óbvio.

__Gaslighting:__ homens minando nossa autoconfiança.

__ODS:__ Objetivo de Desenvolvimento Sustentável do Planeta

Compartilhar:

Artigos relacionados

O benefício existe. Mas as pessoas têm tempo para usá-lo?

Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Mobilidade interna: Por que quando o tema é talentos estamos sempre olhando para a grama do vizinho?

A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Sua empresa precisa de um cargo ou de uma competência?

Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

O que CEOs e CFOs realmente avaliam nas reuniões de orçamento

Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
15 de agosto de 2026 14H00
Sistemas desconectados, estoques imprecisos e perdas recorrentes tornam o hortifrúti uma das operações mais complexas do varejo alimentar. Ao contrário das promessas de transformação total, a inteligência artificial vem demonstrando valor justamente onde consegue reconstruir informações, prever demanda e apoiar decisões com impacto direto sobre vendas e desperdício.

Marco Perlman - CEO da Aravita

3 minutos min de leitura
Estratégia, Ecossistema
15 de agosto de 2026 08H00
Embora a maioria das empresas reconheça o potencial dos ecossistemas de parceiros para gerar receita e ampliar mercados, poucas conseguem transformar essa ambição em resultados consistentes. O artigo explora por que a construção de um ecossistema eficaz vai muito além da criação de um canal comercial, exigindo arquitetura, governança, ativação e uma estratégia capaz de conectar parceiros aos objetivos de crescimento do negócio.

Juliana Tubino e Nara Vaz Guimarães - Cofundadoras do Ecossistema Octo e coautoras do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo