Tecnologia e inovação, Empreendedorismo

Os Impactos da Covid-19 no agronegócio

Ainda é difícil estimar os impactos da pandemia de Covid-19 em todos os setores da economia, e no agronegócio não é diferente.
Técnico Agrícola e administrador, especialista em cafeicultura sustentável, trabalhou na Prefeitura Municipal de Poços de Caldas (MG) e foi coordenador do Movimento Poços de Caldas Cidade de Comércio Justo e Solidário. Ulisses é consultor de associações e cooperativas e certificações agrícolas.

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Em meio a uma enxurrada de notícias catastrófica que, em vez de ajudar, acaba nos desorientando, faço aqui em meu isolamento social uma reflexão sobre alguns pontos que devemos nos atentar. 

Aumento do preço e dificuldade de obter insumos e equipamentos
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Com o fechamento de fronteiras, portos e o aumento do dólar, muitos insumos fundamentais para a produção agropecuária não chegarão às propriedades e, se chegarem, serão substancialmente mais caros. 

O preço do adubo, só para citar um exemplo, tende a subir com a simples oscilação do dólar. Sem perspectiva de normalização, adaptar-se a essa realidade será um desafio para o agronegócio brasileiro, que depende de fontes de matéria prima importadas. 

Por um outro lado, este cenário retoma um ponto importante que é pensar em autossuficiência ou, ao menos, diminuição da dependência de outros países. 

Dificuldade para a colheita
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A colheita de vários produtos do setor está chegando e com ela a dúvida de como será realizada, visto que muitas propriedades ainda demandam grande quantidade de mão de obra nesses períodos, mão de obra que muitas vezes vem de outras localidades. 

Essa barreira também será sentida pelo setor pecuário com a dificuldade de escoar seus produtos para grandes frigoríficos, laticínios e agroindústrias locais. 

E diferentemente de outras atividades no setor agropecuário, não dá para parar a produção e retomar depois. É preciso pensar agora em estratégias e orientações que demonstrem como superar esses desafios. Iniciativas diversas estão sendo realizadas neste sentido. 

Porém, além de não parar, é preciso que o setor não se coloque em risco e não seja fonte de propagação do vírus.

Produtor no grupo de risco
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Outra preocupação é com relação a idade do produtor rural brasileiro, com quase 70% dos agricultores acima dos 45 anos. 

Muitos estão no grupo de risco e, por trabalharem com pouca mão de obra, não conseguem se resguardar. Neste caso é preciso que o setor se uma, seja por meio de um produtor, cooperativa ou associação, para auxiliar aqueles que são do grupo de risco. 

Além disso, revendas e prestadores de serviços precisam lembrar de evitar o contato com agricultores deste perfil e, caso a comunicação seja indispensável, usar equipamentos de segurança como a máscara. 

Rumo à era digital
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Um impacto certo do novo coronavírus na vida das pessoas é que essa situação nos empurra para a necessidade de aderir à revolução digital que estava em curso, mas que agora avançará mais rápido em todos os segmentos da economia. 

No campo a utilização de ferramentas digitais traz mais racionalidade ao uso de insumos, possibilitará maior controle da gestão, extremamente necessária para superar os desafios que virão com a recessão econômica e, o mais importante, trará o consumidor para mais próximo do produtor. 

Acredito que teremos avanços na demanda por produtos de origem, pelo contato do produtor com o consumidor final, e a necessidade do produtor trabalhar sua marca para se colocar no mercado. 

Um exemplo que já ocorre em algumas cidades é a adesão de produtores a feiras livres digitais, que acontece em ambiente virtual utilizando mídias sociais, na qual produtores e consumidores estão encontrando formas de continuar garantindo o suprimento de alimentos em meio a pandemia.

Mercados mais restritos e exigentes
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Acredito que o fechamento temporário das fronteiras tende a estimular uma mudança de comportamento, em que os produtos locais passem a ser mais valorizados, com mais incentivo a produção agropecuária local. 

Além de ajudar a enfrentar a crise econômica, essa mudança também reduz o risco de novas contaminações. Neste contexto, o Brasil terá um desafio de credibilidade, para conseguir transmitir ainda mais confiança para seus parceiros comerciais.

Por outro lado, haverá um aumento da demanda por alimentos e o Brasil continuará a ser o celeiro do mundo. 

Essa nossa vocação natural, aliada a investimentos e maior profissionalização do setor será capaz de reerguer nosso país. 

Caberá mais uma vez ao agronegócio o papel de nos tirar da crise e trazer condições de emprego e renda para nossa população.

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