Marketing & growth
3 minutos min de leitura

Pressão econômica leva Geração Z ao consumo compartilhado

Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.
CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Compartilhar:

A Geração Z chega ao mercado de trabalho e à vida adulta em uma realidade econômica mais dura do que a enfrentada por gerações anteriores. O dinheiro rende menos diante do custo de vida, a entrada no mercado de trabalho se tornou mais difícil e a independência parece mais distante. Como resposta a esses desafios, esses jovens têm recorrido a estratégias coletivas para dividir custos e tornar a vida adulta mais viável.

Ao assistir à palestra “Prejudicados: Geração Z, a Economia e as Marcas”, apresentada por Andrew Yahanan, da Kantar Monitor, durante o SXSW 2026, vi esse movimento aparecer com clareza. Ao relacionar aperto econômico, vida adulta e comportamento de consumo, o debate ofereceu pistas valiosas sobre como a colaboração, o compartilhamento e as redes de apoio vêm reorganizando a rotina desses jovens e sobre como as marcas podem se aproximar deles com mais relevância.

A Kantar trouxe vários exemplos do dia a dia destes jovens adultos, mas a moradia é talvez a expressão mais simbólica dessa dificuldade financeira. Segundo estudos, a relação entre renda média e preço das casas, que era de 3,6 em 1984, está hoje próxima de 5,0, sinal de que morar sozinho se tornou uma realidade cada vez mais distante para quem está começando a vida adulta.

Com isso, a Geração Z gasta cerca de 9% a mais da renda com habitação do que a Geração X e os Baby Boomers. Embora esses números retratem a realidade dos Estados Unidos, eles dialogam com dificuldades bastante semelhantes às enfrentadas por jovens brasileiros da mesma geração.

Quando viver sozinho custa caro demais, dividir despesas passa a ser uma saída concreta. Voltar para a casa dos pais, adiar a saída de casa, dividir aluguel ou até considerar a compra de um imóvel com amigos ou familiares se tornam alternativas possíveis para estes jovens.

Oportunidades para as marcas

Para as marcas, o ponto central está em compreender esse contexto e responder ao comportamento que ele produz. Uma geração que divide moradia, despesas, transporte, assinaturas e até decisões financeiras também tende a se relacionar de outra forma com produtos e serviços. Entender esse movimento é essencial, para não insistir em ofertas desenhadas para um consumidor isolado, quando a realidade aponta cada vez mais para escolhas mediadas pelo coletivo.

Isso traz implicações práticas para a jornada do cliente. Existem formas de facilitar o compartilhamento e tornar mais simples a divisão de custos e produtos? Carrinhos coletivos, pagamentos em grupo e embalagens pensadas para uso fracionado são algumas das respostas possíveis a esse novo comportamento de consumo.

Essa reorganização coletiva da vida cotidiana também altera a maneira como a Geração Z se informa e se relaciona com as marcas. Conteúdo e linguagem se tornam dimensões ainda mais estratégicas. A Geração Z não apenas divide despesas ou moradia. Ela também compartilha referências, aprende em comunidade e busca orientação em creators, plataformas sociais e grupos online, inclusive em temas tradicionalmente mais técnicos, como investimentos.

Creator economye pertencimento

No Brasil, alguns agravantes tornam essa discussão ainda mais relevante. Somos um dos maiores consumidores de redes sociais do mundo, o que ajuda a explicar a força da creator economy no país. Além disso, o Brasil é o país mais ansioso do planeta, liderando o ranking global da Organização Mundial da Saúde, o que reforça o valor do pertencimento e da conexão com grupos e comunidades.

Assim, abrem-se duas grandes oportunidades para as marcas. A primeira é a atuação como âncora de comunidade, criando vínculos mais consistentes com esses jovens. A segunda é a convergência entre entretenimento e experiências imersivas, como as de realidade estendida, em que a marca deixa de apenas aparecer e passa a cocriar universos nos quais o fã se reconhece e participa da história que deseja viver.

Independentemente do caminho, o importante é que as marcas estejam atentas às mudanças de comportamento e consigam desenvolver estratégias que se conectem com mais consistência às expectativas e aos valores dessa geração.

Compartilhar:

CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan InternationalCEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera ntwk. Atualmente, Dilma também é conselheira da Universidade São Judas, da Ampro – Associação de Marketing Promocional; da APD - Associação Pró Dança, APP - Associação dos Profissionais da Propaganda e do ICS - Instituto Clima e Sociedade Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival

Artigos relacionados

Pressão econômica leva Geração Z ao consumo compartilhado

Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual – e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Todos nus com a mão no bolso

Não é a idade que torna líderes obsoletos – é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Tecnologia & inteligencia artificial, Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 18H00
A nova norma exige gestão contínua de risco, mas só a inteligência artificial permite sair da fotografia pontual e avançar para um modelo preditivo de saúde mental nas organizações. Esse artigo demonstra por que a gestão de riscos psicossociais exige uma operação contínua, preditiva e orientada por dados.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
30 de abril de 2026 15H00
Este artigo desmonta o mito de que “todo mundo já chegou” na inteligência artificial - os dados mostram que não é verdade. E é exatamente aí que mora a maior oportunidade desta década (para quem tiver coragem de começar).

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
30 de abril de 2026 11H00
O futuro não é humano nem artificial: é combinado. O diferencial está em quem sabe conduzir essa inteligência. Este artigo propõe uma mudança radical de mentalidade: na era em que a inteligência deixou de ser exclusiva do humano, o diferencial competitivo não está mais em saber respostas - mas em fazer as perguntas certas, reduzir a fricção cognitiva e liderar a combinação entre mente humana e IA.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 08H00
Quem nunca falou e sentiu que o outro “desligou”? Este artigo recorre à neurociência para explicar por que isso acontece - e sugere o que fazer para trazer a atenção de volta.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 18H00
Este é o primeiro artigo de uma série de cinco que investiga o setor farmacêutico brasileiro a partir de dados, conversas com líderes e comparações internacionais, para entender onde estamos, como o capital vem sendo alocado e até que ponto a indústria nacional consegue, de fato, gerar inovação e deslocamento tecnológico.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

17 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 13H00
Sua empresa tem um lab de inovação, patrocina hackathon e todo mundo fala em "mindset de crescimento". Mas o que, concretamente, mudou no seu modelo de negócio nos últimos dois anos?

Atila Persici Filho - CINO da Bolder e Professor FIAP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 07H00
Este artigo mostra como empresas de todos os portes podem acessar financiamentos e subvenções públicas para avançar em inteligência artificial sem comprometer o caixa, o capital ou as demais prioridades do negócio.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de abril de 2026 14H00
Em um mundo onde algoritmos decidem o que vemos, compramos e consumimos, este artigo questiona até que ponto estamos realmente exercendo o poder de escolha no mundo digital. O autor mostra como a conveniência, combinada a IA, vem moldando nossas decisões, hábitos e até a nossa percepção da realidade.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de abril de 2026 08H00
Organizações recorrem a parcerias estratégicas para acessar tecnologia e expertise avançada, como a implantação de plataformas ERP em poucas semanas

Paulo de Tarso - Sócio-líder do Deloitte Private Program no Brasil

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
27 de abril de 2026 15H00
A era da produtividade limitada pelo horário terminou. Enquanto ainda debatemos jornadas e turnos, a produtividade já opera 24x7. Este artigo questiona modelos mentais e estruturais que se tornaram obsoletos diante da ascensão dos agentes de inteligência artificial.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão