Marketing & growth
3 minutos min de leitura

Pressão econômica leva Geração Z ao consumo compartilhado

Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.
Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Compartilhar:

A Geração Z chega ao mercado de trabalho e à vida adulta em uma realidade econômica mais dura do que a enfrentada por gerações anteriores. O dinheiro rende menos diante do custo de vida, a entrada no mercado de trabalho se tornou mais difícil e a independência parece mais distante. Como resposta a esses desafios, esses jovens têm recorrido a estratégias coletivas para dividir custos e tornar a vida adulta mais viável.

Ao assistir à palestra “Prejudicados: Geração Z, a Economia e as Marcas”, apresentada por Andrew Yahanan, da Kantar Monitor, durante o SXSW 2026, vi esse movimento aparecer com clareza. Ao relacionar aperto econômico, vida adulta e comportamento de consumo, o debate ofereceu pistas valiosas sobre como a colaboração, o compartilhamento e as redes de apoio vêm reorganizando a rotina desses jovens e sobre como as marcas podem se aproximar deles com mais relevância.

A Kantar trouxe vários exemplos do dia a dia destes jovens adultos, mas a moradia é talvez a expressão mais simbólica dessa dificuldade financeira. Segundo estudos, a relação entre renda média e preço das casas, que era de 3,6 em 1984, está hoje próxima de 5,0, sinal de que morar sozinho se tornou uma realidade cada vez mais distante para quem está começando a vida adulta.

Com isso, a Geração Z gasta cerca de 9% a mais da renda com habitação do que a Geração X e os Baby Boomers. Embora esses números retratem a realidade dos Estados Unidos, eles dialogam com dificuldades bastante semelhantes às enfrentadas por jovens brasileiros da mesma geração.

Quando viver sozinho custa caro demais, dividir despesas passa a ser uma saída concreta. Voltar para a casa dos pais, adiar a saída de casa, dividir aluguel ou até considerar a compra de um imóvel com amigos ou familiares se tornam alternativas possíveis para estes jovens.

Oportunidades para as marcas

Para as marcas, o ponto central está em compreender esse contexto e responder ao comportamento que ele produz. Uma geração que divide moradia, despesas, transporte, assinaturas e até decisões financeiras também tende a se relacionar de outra forma com produtos e serviços. Entender esse movimento é essencial, para não insistir em ofertas desenhadas para um consumidor isolado, quando a realidade aponta cada vez mais para escolhas mediadas pelo coletivo.

Isso traz implicações práticas para a jornada do cliente. Existem formas de facilitar o compartilhamento e tornar mais simples a divisão de custos e produtos? Carrinhos coletivos, pagamentos em grupo e embalagens pensadas para uso fracionado são algumas das respostas possíveis a esse novo comportamento de consumo.

Essa reorganização coletiva da vida cotidiana também altera a maneira como a Geração Z se informa e se relaciona com as marcas. Conteúdo e linguagem se tornam dimensões ainda mais estratégicas. A Geração Z não apenas divide despesas ou moradia. Ela também compartilha referências, aprende em comunidade e busca orientação em creators, plataformas sociais e grupos online, inclusive em temas tradicionalmente mais técnicos, como investimentos.

Creator economye pertencimento

No Brasil, alguns agravantes tornam essa discussão ainda mais relevante. Somos um dos maiores consumidores de redes sociais do mundo, o que ajuda a explicar a força da creator economy no país. Além disso, o Brasil é o país mais ansioso do planeta, liderando o ranking global da Organização Mundial da Saúde, o que reforça o valor do pertencimento e da conexão com grupos e comunidades.

Assim, abrem-se duas grandes oportunidades para as marcas. A primeira é a atuação como âncora de comunidade, criando vínculos mais consistentes com esses jovens. A segunda é a convergência entre entretenimento e experiências imersivas, como as de realidade estendida, em que a marca deixa de apenas aparecer e passa a cocriar universos nos quais o fã se reconhece e participa da história que deseja viver.

Independentemente do caminho, o importante é que as marcas estejam atentas às mudanças de comportamento e consigam desenvolver estratégias que se conectem com mais consistência às expectativas e aos valores dessa geração.

Compartilhar:

Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Artigos relacionados

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

O que o espírito do tempo está tentando nos dizer? Afeto, autonomia e o desafio de construir o futuro

A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

Inovação & estratégia
28 de outubro de 2026 08H00
A trajetória dos lubrificantes automotivos acompanha os principais marcos da indústria automotiva brasileira. Com a chegada de motores mais eficientes, exigências ambientais mais rigorosas e a expansão da eletrificação, o setor precisou inovar continuamente para atender novas demandas e permanecer relevante em um cenário de transformação da mobilidade.

Marcelo Martini - Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de outubro de 2026 15H00
O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

Afonso Morais - Fundador do escritório Pardi e Morais Consultores Jurídicos e Criador e apresentador do podcast Falando de Fraudes

6 minutos min de leitura
Estratégia
27 de outubro de 2026 08H00
Na teoria, cada contato acontece no momento certo e segue o fluxo previsto. Na prática, volume, prioridades e limitações operacionais exigem adaptações constantes. O desafio das empresas não é criar estratégias perfeitas, mas garantir que elas resistam às pressões do dia a dia sem perder seu propósito original.

Guilherme Busch - VP da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de outubro de 2026 15H00
Quando a visibilidade se transforma em critério implícito de reconhecimento, profissionais podem passar a priorizar projetos que geram exposição em detrimento daqueles que realmente precisam ser feitos. O artigo explora como o loud working pode afetar a colaboração e a dinâmica das equipes.

João Paulo Batistella - Fundador e CEO da Eleva Technologies,

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de outubro de 2026 08H00
De onde vem o termo, o que existe ao redor de um agente e por que transformar capacidade de raciocínio em trabalho confiável é uma decisão de gestão, não apenas de tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
25 de outubro de 2026 14H00
À medida que a inteligência artificial transforma funções, processos e competências, cresce a pressão sobre as áreas de Recursos Humanos para encontrar profissionais preparados para um cenário de constante transformação. O desafio não é apenas contratar talentos, mas desenvolver a capacidade de adaptação dentro das organizações.

Daniela Camargo - Head of People & Culture da VOLL

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de outubro de 2026 08H00
Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos em diferentes regiões do planeta e tendem a se intensificar nas próximas décadas. Mais do que reagir aos desastres quando eles acontecem, o texto defende uma abordagem baseada em prevenção, planejamento e uso estratégico da tecnologia para reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de adaptação.

Álvaro Trilho - Diretor de Riscos da WTW Brasil

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
24 de outubro de 2026 14H00
A disponibilidade constante passou a ser confundida com produtividade. Mas, enquanto profissionais são cobrados por respostas rápidas, cresce a necessidade de concentração para realizar atividades que exigem análise, criatividade, julgamento e tomada de decisão. O artigo propõe uma reflexão sobre o valor do silêncio digital no trabalho, mostrando por que organizações que desejam melhores resultados precisam aprender a proteger a atenção das pessoas, e não apenas monitorar sua presença online.

Juliana Marinelli - Pesquisadora pHd de bem-estar digital

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
24 de outubro de 2026 08H00
Mais do que proteger ideias, a discussão convida empresas a construírem uma cultura em que o pioneirismo sirva de estímulo para novas criações, e não de atalho para replicar o trabalho de quem inovou primeiro.

Andrea Kohlrausch,- Presidente da Calçados Bibi

2 minutos min de leitura
Educação
23 de outubro de 2026 15H00
O artigo discute por que a personalização da aprendizagem exige ir além dos indicadores tradicionais e apresenta o conceito de Learner 360, uma proposta para construir uma visão mais integrada, dinâmica e significativa do aprendiz, capaz de apoiar decisões educacionais mais precisas e trajetórias de desenvolvimento verdadeiramente centradas no indivíduo.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução