Liderança, Empreendedorismo, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
0 min de leitura

“Womenomics”, a economia movida a equidade de gênero

Imersão de mais de 10 horas em São Paulo oferece conteúdo de alto nível, mentorias com especialistas, oportunidades de networking qualificado e ferramentas práticas para aplicação imediata para mulheres, acelerando oportunidades para um novo paradigma econômico

Compartilhar:

Você já ouviu falar em “womenomics”? É o termo que os americanos usam para retratar “a economia baseada na força de produção e consumo das mulheres”.  Contém imensas oportunidades, mas ainda é subestimada pela maioria das empresas no mundo – e não é diferente no Brasil.

Entre os analistas que apontam essas oportunidades está a economista Jackie VanderBrug, da Putnam Investments. Como coautora do livro “Gender Lens Investing: Uncovering opportunities for growth, returns and impact”, VanderBrug advoga que toda decisão de negócios pode – e deve – ser analisada sob uma “lente de gênero”. Isso transcende o simples investimento em empresas fundadas por mulheres; trata-se de incorporar uma perspectiva capaz de discernir diferenças culturais e comportamentais que impactam diretamente o consumo, o risco e o retorno.

Há muito tempo, a discussão sobre diversidade de gênero no ambiente corporativo está ancorada na premissa de que mais mulheres em posições de liderança resultam em melhores resultados financeiros. Embora essa abordagem seja crucial para inserir o tema na agenda das empresas, ela nos cega para o principal, que é a womenomics.

Um exemplo claro disso reside na mobilidade urbana: mulheres frequentemente realizam trajetos no transporte público com múltiplas paradas – para levar filhos à escola, ir ao supermercado, visitar parentes. Essa realidade exige um repensar do transporte, da bilhetagem e da segurança de forma diferenciada. No setor financeiro, muitas mulheres evitam agências bancárias tradicionais, o que abre um vasto campo para o desenvolvimento de soluções digitais mais acolhedoras e alinhadas às suas necessidades.

Quando a lente da womenomics é aplicada, surgem oportunidades de negócios e gestão até então negligenciadas.

Nos negócios, produtos deixam de ser meramente “menores e cor-de-rosa”, como destaca VanderBrug, para se tornarem genuinamente relevantes. Serviços financeiros passam a mensurar não apenas risco e retorno médios, mas também as nuances de comportamento entre diferentes grupos de clientes.

Na gestão, empresas mudam de paradigma, como sugere a professora Sarah Kaplan, da University of Toronto, Canadá, e a equidade de gênero passa a ser encarada como um desafio de inovação organizacional. Em vez de focar em “convencer” indivíduos a eliminar seus vieses, a inovação tem a ver com redesenhar os processos organizacionais de forma a mitigar a influência desses vieses. Investidores, por sua vez, começam a considerar métricas como a redução da disparidade salarial de gêneros, a presença feminina em conselhos e a redistribuição do trabalho não remunerado na avaliação de empresas que disputam seus recursos.

Exemplos práticos de womenomics

O Japão oferece um estudo de caso de como a womenomics pode se materializar em política pública. Diante de uma população economicamente ativa em declínio, o país apostou nessa abordagem para desbloquear seu potencial. Investimentos em creches, flexibilização de licenças parentais e esforços para combater jornadas de trabalho exaustivas de 70 horas semanais foram implementados, com a ambiciosa meta de elevar o PIB nacional em 15%. Embora os avanços não sejam lineares – o Japão chegou a cair no ranking global de equidade de gênero –, a experiência demonstra que posicionar as mulheres no centro não é apenas uma questão de justiça, mas uma estratégia vital.

No setor privado, um exemplo de womenomics vem do redirecionamento do foco no design de processos de fundo de venture capital. Trata-se do Village Capital, ligado a uma organização sem fins lucrativos com raízes em New Orleans, EUA, que reestruturou seu modelo de decisão de investimento implementando a avaliação entre pares em suas rodadas de aceleração. O resultado foi notável: embora representassem apenas 15% dos participantes, as empreendedoras passaram a receber entre 30% e 40% das indicações de investimento. Um ajuste aparentemente simples na metodologia de decisão abriu caminho para talentos que, antes, eram sistematicamente subavaliados.

Um convite ao novo paradigma no Brasil

A womenomics tem um potencial gigantesco – um relatório de 2015 da McKinsey calculava que, quando fosse priorizada, a womenomics poderia acrescentar US$ 12 trilhões a US$ 28 trilhões ao PIB mundial anual.  Mas priorizá-la remete a uma mudança fundamental de mentalidade e de prática. Significa reavaliar os critérios de sucesso, repensar a tomada de decisões e adotar um olhar mais apurado para as diferenças que verdadeiramente importam. Uma premissa se aplica a empresas de todos os portes e setores.

É precisamente sobre esses temas que o evento Mulheres Inspiradoras Academy, uma iniciativa da HSM em parceria com o movimento Mulheres Inspiradoras, se debruçará no próximo dia 3 de outubro de 2025, em São Paulo. A proposta vai além da inspiração: trata-se de uma imersão de mais de 12 horas, com conteúdo de alto nível, mentorias com especialistas, oportunidades de networking qualificado e ferramentas práticas para aplicação imediata no ambiente profissional.

Destinado a mulheres em posições de liderança – ou prestes a alcançá-las -, o encontro possui vagas limitadas e uma programação meticulosamente desenhada para preparar executivas que almejam não apenas ocupar espaço, mas transformar a maneira como as organizações decidem, inovam e crescem.

Em última análise, a womenomics não busca provar o “valor” das mulheres, mas sim reconhecer que nenhuma sociedade ou empresa pode se dar ao luxo de desperdiçar metade de seu talento. Outubro se apresenta como uma oportunidade ímpar para quem busca acelerar esse processo transformador.

MÉTRICAS DA WOMENOMICS

  1. Participação na força de trabalho: Quanto maior o número de mulheres atuando na economia formal com empregos remunerados, maiores as oportunidades de negócios e a tendência ao crescimento econômico.
  2. Avanço dos níveis educacionais: Em muitas partes do mundo, as meninas já têm melhor desempenho acadêmico do que os meninos e mais mulheres se graduam. E isso deve se intensificar.  No Brasil, dados do IBGE do Censo 2022 e da PNAD mostram que  20,7% das mulheres com 25 anos ou têm o ensino superior completo, ante 15,8% dos homens. 
  3. Poder de compra: O poder de compra global das mulheres, uma vez que elas tomam 80% das decisões de compra, é estimado em pelo menos US$ 25,5 trilhões.
  4. Gap de remuneração: Mulheres que trabalham em período integral nos EUA ganham 17% menos que os homens em 2025.
  5. Economia do cuidado: Ainda cabe mais às mulheres que aos homens e, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é indispensável ao bem-estar dos indivíduos. Calcula-se que se o cuidado fosse remunerado, representaria entre 9% e 13% do PIB mundial (e do PIB de cada país).
  6. Mulheres empreendedoras: Mesmo com os desafios óbvios de obter capital, reports calculam que haja entre 250 milhões e 300 milhões de mulheres empreendedoras em 2025, entre negócios formais e informais. (O Global Entrepreneurship Monitor listava 128 milhões de negócios formais liderados por mulheres).
  7. Mulheres e tecnologia: Esse setor apresenta potencial para virar o jogo tanto a favor das mulheres como da economia global; hoje entre 26% e 28% dos empregos tecnológicos são ocupados por mulheres.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento

Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

A AGI já chegou? E se Ray Kurzweil estiver certo há mais tempo do que imaginávamos?

As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

O que uma prótese de quadril me ensinou sobre os erros de decisão dentro das empresas

Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
15 de agosto de 2026 14H00
Sistemas desconectados, estoques imprecisos e perdas recorrentes tornam o hortifrúti uma das operações mais complexas do varejo alimentar. Ao contrário das promessas de transformação total, a inteligência artificial vem demonstrando valor justamente onde consegue reconstruir informações, prever demanda e apoiar decisões com impacto direto sobre vendas e desperdício.

Marco Perlman - CEO da Aravita

3 minutos min de leitura
Estratégia, Ecossistema
15 de agosto de 2026 08H00
Embora a maioria das empresas reconheça o potencial dos ecossistemas de parceiros para gerar receita e ampliar mercados, poucas conseguem transformar essa ambição em resultados consistentes. O artigo explora por que a construção de um ecossistema eficaz vai muito além da criação de um canal comercial, exigindo arquitetura, governança, ativação e uma estratégia capaz de conectar parceiros aos objetivos de crescimento do negócio.

Juliana Tubino e Nara Vaz Guimarães - Cofundadoras do Ecossistema Octo e coautoras do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing
14 de agosto de 2026 13H00
Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

Antonio Carlos Matos da Silva - Conselheiro independente associado ao IBGC

5 minutos min de leitura
Liderança
14 de agosto de 2026 08H00
Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

13 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução