Cultura organizacional

A “hora H” do SXSW: empatia e transparência

Painéis do festival apontam mais do que uma tendência, uma necessidade em tempos de pandemia e no pós-covid-19: a urgência dos diálogos transparentes e empáticos entre colaboradores
Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Compartilhar:

Ao longo das últimas edições do SXSW, o destaque para a importância do elemento humano nas organizações, e sua relevância como força geradora de mudança, tem aumentado de forma significativa. Em outras edições, tivemos painéis transformacionais com Brené Brown e Esther Perel, que trabalharam temas relacionados ao que se popularizou no mercado como as “soft skills”.

O termo “soft skills” é utilizado para se referir ao conjunto de habilidades de relacionamentos interpessoais que fazem contraposição ao viés demasiadamente técnico, as chamadas “hard skills”. Ao longo dos últimos anos, os [profissionais estão compreendendo melhor quais são as “soft skills”](https://www.revistahsm.com.br/post/a-importancia-das-portable-skills-para-sua-carreira) e estão buscando maneiras para desenvolvê-las.

A pandemia, sem dúvida, acelerou esse processo de conscientização. O motivo é claro: uma vez que toda a [pressão, estresse e traumas decorrentes de seus efeitos geraram impactos](https://mitsloanreview.com.br/post/revisitando-o-burnout-a-luz-da-covid-19) que demandam uma atenção diferente de todos em relação a todos. Colocamos dessa forma, pois não se trata apenas de líderes em relação aos seus liderados. Nós todos estamos no limite, e isso exige mais empatia em todas as nossas interações e relações.

## Clareza de informações

A empatia parte de um dos pontos fundamentais do comportamento humano: o desejo de compreender e de ser compreendido. Todos nós temos histórias para compartilhar, e também queremos ouvir e conhecer as histórias dos outros. Contudo, esse desejo de compreender e ser compreendido, muitas vezes, se perde nos ambientes profissionais. Por isso, precisamos falar sobre a evolução da apatia para a empatia nas empresas.

Um dos primeiros aspectos nesse ponto é destacado na sessão “The Future of Emotion AI & The Empathy Economy”, que se resume na importância que os líderes têm de assumir o seu papel protagonista e trabalhar com comunicações transparentes e frequentes.

Essa demanda da liderança deve ser compreendida como uma forma de garantir ambientes emocionalmente seguros para as pessoas em um momento de alta incerteza e volatilidade, sabendo que a falta de informações cria ambiente fértil para todo o tipo de desconfiança, que mina ainda as relações e a produtividade no dia a dia.

Conforme muito bem colocado pelo Andy Chabot, VP de A&B da Blackberry Farm, no painel “Leading Safely + Motivating Empathetically”: “Quando não damos informações suficientes para as pessoas, as lacunas são preenchidas por opiniões.”

Vale destacar também que, no contexto de ambientes remotos, temos uma nova dinâmica de trabalho, mais distribuída, [o que dificulta a circulação de informação](https://mitsloanreview.com.br/post/boas-praticas-de-comunicacao-em-tempos-de-home-office) e diminui nossa capacidade de percebermos e compreendermos o outro da melhor forma possível.

Quando trabalhamos em um mesmo ambiente físico, todos os dias passamos longos períodos ao lado das mesmas pessoas. Com isso, temos um ambiente mais fértil para notar mudanças de comportamento que indiquem que um colega está passando por uma situação difícil, seja no âmbito profissional ou pessoal. A proximidade física facilita o acesso à informação de modo mais fluído, pois a troca espontânea, natural, acontece com frequência.

## A pandemia e seus efeitos

Na realidade atual, [estamos todos fisicamente distantes e, em muitos casos, também distantes emocionalmente](https://mitsloanreview.com.br/post/desafios-da-pandemia-produtividade-e-colaboracao), pois todos estão lidando com estresses e traumas emocionais. As preocupações com a sua saúde e de seus familiares e amigos, o homeschooling, a solidão do distanciamento social, as perdas. Tudo isso está acontecendo o tempo todo com todos por mais de 365 dias.

Estados de estresse e trauma alteram o fluxo de adrenalina no nosso corpo, diminuem a nossa capacidade de lidar com pensamentos complexos e tomar decisões racionais. Com tanta coisa acontecendo no mundo e nas nossas vidas particulares, ter foco e entregar resultados no nosso ambiente profissional se tornou um dos maiores desafios que precisamos endereçar como indivíduos e como grupo.

A boa notícia é que na sessão “[The Empathetic Workplace](https://panelpicker.sxsw.com/vote/108831)” temos praticamente uma aula com alguns passos que podemos seguir para acolher colegas de trabalho de forma mais empática. Algo que chama muito a atenção é quando Katharine Manning explica sobre a “fadiga de compaixão”. E o que significa isso? Precisamos reconhecer em nós mesmos os sinais de que também estamos no limite e utilizar da rotina de autocuidado como uma estratégia.

Ainda, não podemos julgar a realidade dos outros a partir da nossa própria – e aqui um hiperlink com o Websummit, que ocorreu em dezembro de 2020. Um dos tópicos bastante quentes foi em relação aos [novos modelos de trabalh](https://www.revistahsm.com.br/post/cinco-pilares-da-gestao-de-pessoas-no-trabalho-hibrido)o, mais flexíveis, que no futuro permitirão que as pessoas escolham suas melhores estratégias em termos de balancear o home office com o office.

Essa tendência de flexibilização envolve diferentes prismas em sua análise, como os aspectos financeiros, legais e competitivos. No entanto, vale reforçar que flexibilidade pode ser uma boa forma de ter mais empatia pelas pessoas e compreender que o [modelo de trabalho ideal para cada uma será uma escolha muito pessoal](https://mitsloanreview.com.br/post/revisitando-o-burnout-a-luz-da-covid-19-parte-3-de-4), influenciada por aspectos da sua vida privada.

## Rotas alteradas

Finalmente, fazendo um paralelo para as marcas, com um hiperlink para o painel “[Building Digital Trust in a Transformed World](https://online.sxsw.com/event/sxsw-online/planning/UGxhbm5pbmdfMzM1NzYz)”, que teve a participação de Neesha Hathi, vice-presidente executiva e chief digital officer da Charles Schwab. Ela destacou algo que executivos de marketing já têm observado e colocado em prática: o poder das comunidades, a importância da consistência entre falar e agir, e o diálogo mais empático, compreendendo as necessidades dos seus públicos, sintetizam as novas regras do jogo.

“Para ganhar a confiança dos millennials, a consistência das ações ao longo do tempo é fundamental. Mas é preciso também entender de verdade as necessidades e desejos dos investidores jovens. E não tratá-los como um grupo homogêneo”, destacou Neesha Hathi. Mais uma vez, a empatia reina como habilidade necessária.

Entretanto, numa era de avanço das tecnologias, em que a comunicação “olho no olho” tem sido substituída cada vez mais por mensagens de texto, áudio ou através de telas, será que a honestidade e a empatia são habilidades que correm risco de extinção no futuro?

## AÇÃO EMPÁTICA

Fechamos este artigo com uma frase de Marcus Samuelsson, chef e restaurateur, consagrado pelo restaurante de comfort food Red Rooster no Harlem, em Nova Iorque: “espero que empatia seja a palavra de 2021. Temos privilégio e oportunidade de segurar a barra e possivelmente vamos crescer. Mas a maioria das empresas do setor, não. Então, como eu consigo ajudar o restante da comunidade? Como eu uso meus recursos para ajudar um parceiro que precisa navegar nessa situação?”.

Este artigo foi escrito com meu colega de consultoria, Felipe Ladislau, de forma totalmente virtual, utilizando ferramentas de colaboração e muita empatia.

*Gostou do texto? Confira o [primeiro](https://www.revistahsm.com.br/post/a-hora-h-do-sxsw-consumo-imersivo-no-varejo) e o [segundo](https://www.revistahsm.com.br/post/a-hora-h-do-sxsw-hackear-ou-habilitar-o-ser-humano) artigo que foram escritos por Lilian Cruz sobre o SXSW 2021. No mais, acompanhe as principais tendências tecnológicas assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Artigos relacionados

Quando a liderança encontra a vida real

Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Diversidade não gera performance. O que gera é a forma como ela é operada

Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos – e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
12 de abril de 2026 14H00
Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

9 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
12 de abril de 2026 09H00
Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional - é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Aretha Duarte - Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de abril de 2026 13H00
A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de abril de 2026 08H00
Quando a empresa cresce, o modelo mental do fundador precisa crescer junto - ou vira obstáculo. Este artigo demonstra que criar uma empresa exige um tipo de liderança. Escalá‑la exige outro.

Gustavo Mota - CEO do Lance

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de abril de 2026 15H00
Enquanto o Brasil envelhece, muitas empresas seguem desenhando experiências para um usuário que já não existe. Este artigo mostra que quando a tecnologia exige adaptação do usuário, ela deixa de servir e passa a excluir.

Vitor Perez - Co-fundador da Kyvo

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
10 de abril de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema nunca foi a geração. Mas sim a incapacidade da liderança de sustentar a complexidade humana no trabalho.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
9 de abril de 2026 14H00
À medida que a tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a forma de operar. Este artigo demonstra que como q inteligência artificial já é comum, o diferencial agora está em quem sabe transformá‑la em sistema de crescimento.

Renan Caixeiro - Co-fundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
9 de abril de 2026 07H00
O mercado não mudou as pessoas. Mudou o jeito de trabalhar. Este artigo mostra que a verdadeira vantagem competitiva agora não está no que você faz, mas no que você sabe delegar - e no que não delega.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
8 de abril de 2026 16H00
Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia - é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Ana Flávia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
8 de abril de 2026 08H00
O bar já entendeu que o mundo virou parte do jogo corporativo. Conflitos, tarifas e decisões políticas estão impactando negócios em tempo real. A pergunta é: o CEO entendeu ou ainda acha que isso é “assunto de diplomata”?

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...