Liderança
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A inteligência agridoce: a competência que o futuro exige das líderes

Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.
Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva. Saiba mais: https://www.instagram.com/grupomulheresdobrasil
PhD, sócia fundadora da BTA, consultoria em desenvolvimento empresarial, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil. Além disso, Betania é professora da PUC Minas Gerais e do Insead, da França, autora de 13 livros e coautora de Estratégia e Gestão Empresarial, com Sumantra Ghoshal, entre outros.

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Foto ou filme?

Há duas formas de analisar a trajetória das mulheres no mundo do trabalho – e vou me ater, neste momento, ao Brasil.

No filme podemos ver que os avanços são inequívocos: cresceram a participação efetiva das mulheres e sobretudo o nível de consciência da necessidade de avançar ainda mais. Se, no entanto, observarmos a foto, a conclusão é que continuamos longe de um equilíbrio razoável, especialmente nas posições de topo e na representação política. Há muito a fazer e, atenção!, fazer, não reclamar.

Podemos pensar em três espaços: o “espaço problema”, o “espaço reclamação” e o “espaço solução”. O primeiro” é necessário para compreender com profundidade suas causas e construir as melhores soluções. Mas tem de ser transitório. Se nos detemos demais nele, passamos diretamente para o terrível “espaço reclamação” – que drena energia, é “chato” e não produz avanços. Temos de ir para o “espaço solução”.

A carreira das mulheres avançou, embora na vida cotidiana elas ainda sejam “atravessadas” por obstáculos e alavancas, visíveis ou não. A escolha é sua: ou pôr foco em obstáculos e reclamar, ou se ater à força das alavancas e fazer acontecer… Uma delas é a a capacidade de administrar o paradoxo agridoce, que foca ao mesmo tempo:

  • A racionalização (agri), presente nos movimentos para eficiência; a produtividade; as conversas necessárias, duras; a racionalização (agri-).
  • A revitalização (doce), que significa processos de desenvolvimento, abertura e criação de novos negócios, acolhimento, a inovação.


Mais: a competência em administrar paradoxos é um diferencial fundamental em tempos de incerteza radical como o que vivemos atualmente.

O conceito de “agridoce” foi cunhado por nós em conjunto com Sumantra Ghoshal, então professor da London Business School. Ser agridoce não significa ser ambígua, indecisa nem, a qualquer preço, conciliadora. Significa reconhecer que a realidade contém elementos aparentemente opostos e que liderar não implica, necessariamente, em eliminar um deles, e sim administrar a tensão existente entre eles.

Durante muito tempo, fomos educados para pensar com base na lógica do “ou”: crescer ou preservar; controlar ou dar autonomia; competir ou colaborar; entregar resultados ou cuidar das pessoas.

O ambiente atual, marcado por rupturas tecnológicas, instabilidade geopolítica e incerteza radical, exige outras capacidades. Exige pessoas que pensam e agem pela lógica do “E”. Agir com base no “E” não significa evitar escolhas. Significa não tratar como incompatíveis dimensões que precisam coexistir.

A competência está em saber quando escolher e quando integrar. E é justamente essa capacidade que precisamos desenvolver e fortalecer nas lideranças femininas do presente e do futuro.

Tenho visto essa reflexão ganhar força em diferentes espaços de diálogo e construção coletiva. Um deles é o Summit Mulheres nas Profissões, iniciativa do Grupo Mulheres do Brasil, que reúne mulheres interessadas em ampliar repertórios, compartilhar dilemas, compreender melhor as alavancas para navegar os paradoxos da vida profissional e pessoal e construir novas possibilidades para si e para as próximas gerações.

O futuro não está pronto. Ele é construído pelas escolhas que fazemos, pelas relações que cultivamos, pelas ações que colocamos em prática e pelos espaços que decidimos ocupar com coragem e responsabilidade.

Afinal, liderança não é apenas sobre chegar mais longe individualmente. É também sobre criar condições para que outras pessoas possam avançar conosco.

E talvez essa seja uma das maiores forças das mulheres que transformam realidades: a capacidade de construir futuros coletivamente.

Porque o futuro também está em suas mãos. Está em nossas mãos.

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Fundado em 2013 por Luiza Helena Trajano e outras 40 mulheres, o Grupo Mulheres do Brasil é uma das maiores redes de mobilização feminina do país. Com mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior, atua em frentes como educação, empreendedorismo, equidade de gênero, inclusão social, cidadania, sustentabilidade, defesa de políticas públicas e combate à violência contra mulheres e meninas. Por meio da articulação entre sociedade civil, iniciativa privada e poder público, desenvolve projetos e ações que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e inclusiva. Saiba mais: https://www.instagram.com/grupomulheresdobrasil

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