Liderança, Times e Cultura

Como catalisar sua performance em 2024

Um artigo de Jim Collins publicado na Harvard Business Review de julho-agosto de 1999 apresentava os “mecanismos catalíticos” como modo de gerar resultados de modos imprevisíveis. Engajam as pessoas certas, espalham-se como vírus e são duráveis. Mas, até hoje, uma minoria de empresas e pessoas os usa conscientemente.
Adriana Salles Gomes é diretora-editorial de HSM Management.

Compartilhar:

Uma visão panorâmica da gestão brasileira talvez mostre que nossas empresas preferem fazer progressos incrementais. A noção de kaizen ou melhoria contínua, que ficou famosa com as empresas japonesas na década de 1990, conta com grande apreço dos gestores brasileiros, aplicada a produtos, serviços e processos.

Porém, como disse a __HSM Management__ o especialista em inovação gerencial e vice-diretor da London Business School Julian Birkinshaw, muitas vezes (cada vez mais vezes, na verdade), o incrementalismo não é suficiente. “A taxa de mudança dentro da sua empresa precisa corresponder à taxa de mudança externa, como se diz e, por isso, em um mundo em rápida mudança, precisamos adotar uma abordagem mais radical aqui e ali”, analisa Birkinshaw, que se diz um pouco cético em relação às empresas mudarem e superarem a burocracia.

Como o professor da LBS reforça, isso é particularmente verdade em empresas de viés burocrático, onde as forças da inércia são poderosas. E muitas empresas brasileiras poderiam se reconhecer nessa descrição, certo?

Isso não obrigatoriamente significa ter de fazer inovação de ruptura, no entanto, ou correr grandes riscos. Existem impulsionadores gerenciais – práticas, ferramentas etc. – que podem ajudar a mudar o patamar de desempenho de uma organização de maneiras rápidas, escaláveis e sustentáveis, que Jim Collins chamou de “mecanismos catalíticos” num artigo da Harvard Business Review em 1999. Entre os exemplos, Collins listou a famosa ferramenta NPS (métrica da Bain & Co. para julgar a satisfação do cliente) e alterações nas remunerações e na avaliação dos funcionários, bem como no pricing para os clientes.

Nós os chamamos de boosters, adotando a linguagem dos videogames, deixando claro que, passados tantos anos de vida digital, a expectativa de aceleração é muito maior. “O que um booster faz é passar os dados do jogo através de vários caminhos de tráfego otimizados e dedicados para resolver os problemas de roteamento, interceptação e congestionamento, o que fornece estabilidade e conexões rápidas de internet para os jogadores e reduz o atraso do jogo, o ping alto e a taxa de perda de pacotes”, esclarece um site para gamers. Na gestão, é algo semelhante; um booster é uma intervenção parecida, que atravessa o sistema hierárquico e a burocracia existente em uma empresa, inspirando as pessoas a comportar-se de maneira diferente.

Para este Dossiê, thinkers e practioners da gestão brasileira sugeriram 24 boosters, priorizando os que refletem a realidade do nosso mercado, os que são curingas (não servem a uma meta específica apenas) e/ou ainda os que não são óbvios – o NPS, a métrica de satisfação dos clientes da Bain & Co., não foi listado por ser bastante óbvio. Importante: boosters em geral ajudam a superar um “pântano ” de alternativas similares, substituindo outras ações.

### O que diz birkinshaw

A pedido de __HSM Management__, Birkinshaw fez alguns alertas sobre o que pode dar errado num booster:

– __Parece simples, mas não é.__ Mesmo no caso dos boosters, é muito raro que um esforço de gestão seja tão simples quanto parece ser. “Estaremos nos enganando se pensarmos que um decreto sobre como alocar o tempo mudará realmente o comportamento”, diz Birkinshaw. “O gestor precisa mostrar à empresa como o booster deve ser implementado, como fará o acompanhamento, como medirá os resultados etc.”

– __O risco do “teatro”.__ Se não tiverem sequência, tentativas de impulsionamento como a ambidestria, por exemplo, acabarão sendo ridicularizadas, como um “teatro da inovação”, alerta Birkinshaw. O cuidado deve ser redobrado, portanto, com o acompanhamento já mencionado e a atenção aos detalhes.

– __O papel da tecnologia.__ Não se mencionou tecnologia, mas Birkinshaw não estranhou isso. “A tecnologia digital simplesmente habilita algumas das mudanças de gestão e de liderança de que temos falado desde sempre. Por exemplo, queremos ser capazes de capacitar as pessoas para tomarem as suas próprias decisões sensatas e para trabalharem de forma colaborativa sem intervenção de cima para baixo? Sim. A tecnologia digital coloca a informação nas mãos de todos, em tempo real, tornando assim o papel do líder muito menos importante.

### O HARDWARE DA GESTÃO

Para Birkinshaw, o princípio orientador da gestão contemporânea é liberdade dentro de limites. Isso vem de governança – se boosters fossem software, governança seria hardware.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Essa reunião podia ser um agente

Enquanto agendas lotam e decisões patinam, este artigo mostra como a ascensão dos agentes de IA expõe a fragilidade das arquiteturas de decisão – e por que insistir em reuniões pode ser sinal de atraso estrutural.

Liderança
14 de abril de 2026 14H00
Este é o primeiro artigo da nova coluna "Liderança & Aikidô" e neste texto inaugural, Kei Izawa mostra por que os líderes mais eficazes deixam de operar pela lógica do confronto e passam a construir vantagem estratégica por meio da harmonia, da não resistência, da gestão de conflitos e de decisões sem ego em ambientes de alta complexidade.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

7 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
14 de abril de 2026 07H00
Com a ascensão dos agentes de IA, nos deparamos com uma profunda mudança no papel do designer, de executor para curador, estrategista e catalisador de experiências complexas. A discussão de UX evolui para o território do AX (Agent Experience), onde o foco deixa de ser somente a interação humano-máquina em interfaces e passa a considerar como agentes autônomos agem, decidem e colaboram com pessoas em sistemas inteligentes

Victor Ximenes - Senior Design Manager do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de abril de 2026 14H00
A aceleração da destruição criativa deixou de ser um conceito abstrato e passou a atravessar o cotidiano profissional, exigindo menos apego à estabilidade e mais capacidade de adaptação, recombinação e reinvenção contínua.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
13 de abril de 2026 07H00
Quando "estamos investindo em inteligência artificial" virou a forma mais elegante de não explicar por que o planejamento de headcount falhou. E o que acontece quando os dados mostram que as empresas demitem por uma eficiência que, para 95% delas, ainda não existe.

Atila Persici Filho - COO da Bolder

11 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
12 de abril de 2026 14H00
Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

9 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
12 de abril de 2026 09H00
Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional - é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Aretha Duarte - Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de abril de 2026 13H00
A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de abril de 2026 08H00
Quando a empresa cresce, o modelo mental do fundador precisa crescer junto - ou vira obstáculo. Este artigo demonstra que criar uma empresa exige um tipo de liderança. Escalá‑la exige outro.

Gustavo Mota - CEO do Lance

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de abril de 2026 15H00
Enquanto o Brasil envelhece, muitas empresas seguem desenhando experiências para um usuário que já não existe. Este artigo mostra que quando a tecnologia exige adaptação do usuário, ela deixa de servir e passa a excluir.

Vitor Perez - Co-fundador da Kyvo

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
10 de abril de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema nunca foi a geração. Mas sim a incapacidade da liderança de sustentar a complexidade humana no trabalho.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão