Gestão de Pessoas

Como demitir alguém?

Muitas perguntas e reflexões são feitas sobre o melhor momento para a demissão, mas a principal questão é como demitir alguém sem que seja ruim para o profissional e para a empresa
Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

Muitas pessoas me procuram com uma pergunta que parece simples:[qual é o melhor momento para demitir alguém?](https://www.revistahsm.com.br/post/cinco-prioridades-para-os-lideres-de-rh-em-2022) É em uma segunda-feira? No começo da semana, no meio dela ou em uma sexta-feira? Deve-se fazer isso ao iniciar o dia ou no final dele? Parece uma questão boba, mas é bem controversa e com opiniões divididas.

Eu, contudo, não acho que seja algo tão relevante no processo de demissão. A grande questão, essa sim deveria levantar muitas perguntas e reflexões, não é quando deve-se demitir alguém, mas __como__. Antes de uma demissão acontecer, todo um trâmite precisa ser seguido para que o profissional tenha consciência do que está acontecendo e, principalmente, a possibilidade de melhorar.

## Demissão não pode ser uma surpresa
Tirando situações de redução massiva da força de trabalho, reorganizações, falência e outras mazelas que podem acarretar em demissões sem relação com a performance ou comportamento do profissional, uma demissão nunca deve ser uma surpresa.

Há alguns anos eu trabalhei com uma profissional que, mesmo com avaliações positivas, meta batida e a percepção de que tudo estava indo bem no seu trabalho, foi demitida. Ela não teve absolutamente nenhum sinal de que algo estava errado e foi pega totalmente de surpresa. Quando perguntou ao funcionário do RH responsável pelo desligamento o que tinha acontecido, escutou que estava com problemas de relacionamento com o resto da equipe e também com sua gerente direta, mesmo ela não tendo recebido nenhum feedback sobre esses supostos problemas. Ela ficou arrasada.

Demitir um profissional dessa forma, sem que ele tenha algum sinal de que algo está errado ou tenha recebido feedback de qualidade para reverter qualquer que seja o problema, é péssimo. Péssimo para o profissional que vai passar por isso e péssimo para a empresa, que claramente não tem um processo sólido para que seus gestores trabalhem com os profissionais em suas performances e comportamentos que não estejam de acordo com o que se espera.

## Plano de melhoria de performance
Há uma ferramenta bem conhecida no RH chamada PIP (performance improvement plan) que, em tradução livre, nada mais é do que um plano de melhoria de performance.

O PIP é um documento que deve ser feito por escrito, deve trazer de forma clara quais são as expectativas para o profissional em questão, apontar o que não está dentro do esperado, definir metas claras e mensuráveis sobre o que se espera com o plano de melhoria, dizer como a empresa e o seu gerente direto o apoiarão em todo o processo e deixar claro quais as consequências (incluindo demissão) caso essas metas não sejam cumpridas.

Eu particularmente gosto muito de usá-la por trazer processo claro a ser seguido e, principalmente, dar visibilidade para o profissional sobre o que está acontecendo e como ele pode reverter a situação. Toda a empresa deveria implementar o PIP ou algum processo semelhante para garantir que seus profissionais – contratados às duras penas não sejam descartados sem que possam receber feedback de qualidade para cumprir o que é esperado pela empresa.

## O papel do líder em uma demissão
Quero deixar um[recado importante para todos os líderes](https://www.revistahsm.com.br/post/autoconhecimento-para-as-novas-liderancas) sobre esse tema tão importante: vocês são responsáveis por garantir que cada membro da sua equipe desempenhe de acordo com o que é esperado.

Demitir alguém é bem fácil, basta mandar a ordem para o RH e pronto – em muitos casos não precisa nem de justificativa ou feedback. Colocar nos trilhos um profissional que não está entregando o que é esperado dá trabalho, e muito, eu sei. Contudo, todo líder tem o dever de colocar energia e tempo para garantir que todos os membros da equipe entreguem o melhor de si, principalmente em momentos em que isso não está acontecendo.

Tem que pegar na mão, dar feedback de qualidade e com exemplos, fazer um plano de melhoria (se a sua empresa não usa um PIP, use você), dar apoio moral, inspirar, acreditar que é possível, olhar no fundo dos olhos da pessoa e dizer: “juntos nós vamos conseguir mudar isso”.

Agora uma verdade sobre a gestão de pessoas:[ser líder dá trabalho](https://www.revistahsm.com.br/post/lider-chegou-o-fim-de-ano-agora-e-hora-de-empatia-e-reconhecimento). É um esforço danado, junto com muita responsabilidade. Não é tarefa de preguiçoso, de gente que não gosta – e acredita – em gente, que só quer alimentar o ego com o cargo, o salário pomposo e tudo mais que vem com a posição.

Ser líder é estar disposto a correr todos os dias uma maratona ao lado da equipe que faz parte. Principalmente no momento em que algum deles não vai bem.

Se você, líder, usar e abusar de um bom processo (mais uma vez recomendo o PIP) e colocar energia e intenção para ajudar o membro da sua equipe que precisa, tanto faz o horário e dia que o desligamento será feito. Se seguir tudo isso à risca, é bem provável que nem irá precisar demitir ninguém.

E, se precisar, terá feito tudo o que podia por ele.

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

Diversidade não gera performance. O que gera é a forma como ela é operada

Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos – e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de abril de 2026 13H00
A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de abril de 2026 08H00
Quando a empresa cresce, o modelo mental do fundador precisa crescer junto - ou vira obstáculo. Este artigo demonstra que criar uma empresa exige um tipo de liderança. Escalá‑la exige outro.

Gustavo Mota - CEO do Lance

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de abril de 2026 15H00
Enquanto o Brasil envelhece, muitas empresas seguem desenhando experiências para um usuário que já não existe. Este artigo mostra que quando a tecnologia exige adaptação do usuário, ela deixa de servir e passa a excluir.

Vitor Perez - Co-fundador da Kyvo

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
10 de abril de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema nunca foi a geração. Mas sim a incapacidade da liderança de sustentar a complexidade humana no trabalho.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
9 de abril de 2026 14H00
À medida que a tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a forma de operar. Este artigo demonstra que como q inteligência artificial já é comum, o diferencial agora está em quem sabe transformá‑la em sistema de crescimento.

Renan Caixeiro - Co-fundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
9 de abril de 2026 07H00
O mercado não mudou as pessoas. Mudou o jeito de trabalhar. Este artigo mostra que a verdadeira vantagem competitiva agora não está no que você faz, mas no que você sabe delegar - e no que não delega.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
8 de abril de 2026 16H00
Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia - é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Ana Flávia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
8 de abril de 2026 08H00
O bar já entendeu que o mundo virou parte do jogo corporativo. Conflitos, tarifas e decisões políticas estão impactando negócios em tempo real. A pergunta é: o CEO entendeu ou ainda acha que isso é “assunto de diplomata”?

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
7 de abril de 2026 16H00
Executivos não falham no cenário internacional por falta de competência, mas por aplicar decisões no código cultural errado. Este artigo mostra que no ambiente global, liderar deixa de ser comportamento e passa a ser tradução

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
7 de abril de 2026 08H00
Se a IA decide quem indicar, um dado se impõe: a reputação já é lida por máquinas - e o LinkedIn emergiu como sua principal fonte.

Bruna Lopes de Barros

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...