Inovação & estratégia
2 minutos min de leitura

Inspirar o mercado é diferente de copiar

Mais do que proteger ideias, a discussão convida empresas a construírem uma cultura em que o pioneirismo sirva de estímulo para novas criações, e não de atalho para replicar o trabalho de quem inovou primeiro.
Presidente da Calçados Bibi, possui MBA em Gestão empresarial pela Fundação Dom Cabral de Minas Gerais, especialização em Liderança pela FDC/Kellogg School of Management em Evanston (EUA), participação do IEE (Instituto de Estudos Empresariais) e experiência na área internacional, implantando a área comercial de exportação interna na Bibi e expandindo as exportações para além da América Latina. Além disso, atuou também em diversas áreas da empresa e, em 2010, liderou a estruturação da Bibi Franchising, expandindo o projeto de lojas exclusivas da marca para mais de 65 cidades em 23 estados brasileiros, além dos pontos internacionais, registrando um crescimento da rede desde o ingresso no mercado de franquias, em 2008. A Calçados Bibi possui duas plantas fabris localizadas em Parobé

Compartilhar:

Ser pioneiro significa, muitas vezes, abrir um caminho que outras empresas passarão a percorrer. No ambiente de negócios, isso é positivo. Quando uma companhia desenvolve uma solução, apresenta um produto, novo conceito ao consumidor ou transforma a maneira de atuar em determinado mercado, é natural que esse movimento inspire concorrentes e ajude a elevar o nível de todo o setor.

Existe, porém, uma diferença importante entre inspirar-se em uma inovação e simplesmente copiá-la. A primeira atitude faz parte de um mercado competitivo e saudável. A segunda pode ultrapassar limites éticos e legais, chegando à reprodução indevida de produtos, marcas, criações e outros ativos protegidos.

Essa é uma discussão que me acompanha há bastante tempo. Em 2007, fui coautora de uma publicação do IEE (Instituto de Estudos Empresariais), ligada ao Fórum da Liberdade, na qual escrevi sobre as consequências da pirataria e caminhos para combatê-la. Naquele momento, destaquei que a livre concorrência é fundamental para uma sociedade desenvolvida, desde que aconteça dentro de regras respeitadas por todos. Também abordei como a pirataria compromete a propriedade, a concorrência justa e o desenvolvimento econômico.

Quase duas décadas depois, a discussão permanece atual e ganha novas dimensões. Em mercados cada vez mais rápidos, conectados e expostos pelas redes sociais, uma boa ideia pode circular pelo mundo em questão de horas. Para quem investe tempo, recursos, pesquisa e conhecimento na criação de um produto ou conceito, proteger a inovação passa a ser parte da própria estratégia de negócio.

Na Calçados Bibi, que construiu sua história buscando inovar no segmento infantil, entendemos que o pioneirismo também traz uma responsabilidade, a de contribuir para a evolução do mercado. Quando uma iniciativa bem-sucedida inspira outras empresas a pesquisar, desenvolver suas próprias soluções e melhorar a experiência oferecida ao consumidor, todos avançam. É assim que a concorrência estimula a inovação.

O problema começa quando não existe evolução, interpretação ou criação própria, mas apenas reprodução. No artigo que escrevi anos atrás, defini a pirataria a partir justamente da utilização e reprodução ilícita de produtos com finalidade comercial e sem autorização de seus criadores. Essa distinção continua essencial.

Empresas pioneiras não devem temer ser referência. Pelo contrário, já que ser observado pelo mercado pode ser um reconhecimento de que determinada inovação abriu uma nova possibilidade para o setor. Mas precisamos fortalecer uma cultura empresarial em que referências sejam pontos de partida, e não atalhos para copiar aquilo que outros levaram anos para construir.

A inovação sustentável nasce quando uma ideia inspira outra ideia. É essa dinâmica que gera concorrência saudável, movimenta mercados e faz empresas evoluírem. Copiar pode parecer o caminho mais curto. Criar, porém, é o que constrói marcas capazes de deixar um legado por décadas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Inspirar o mercado é diferente de copiar

Mais do que proteger ideias, a discussão convida empresas a construírem uma cultura em que o pioneirismo sirva de estímulo para novas criações, e não de atalho para replicar o trabalho de quem inovou primeiro.

O fim da educação cega: Learner 360 – uma nova forma de enxergar quem aprende

O artigo discute por que a personalização da aprendizagem exige ir além dos indicadores tradicionais e apresenta o conceito de Learner 360, uma proposta para construir uma visão mais integrada, dinâmica e significativa do aprendiz, capaz de apoiar decisões educacionais mais precisas e trajetórias de desenvolvimento verdadeiramente centradas no indivíduo.

O futuro do trabalho será criativo, conectado e escalável

A IA vai tirar empregos ou reinventar o trabalho? A pergunta mais comum sobre inteligência artificial ainda gira em torno da substituição de empregos. O artigo propõe uma reflexão sobre o futuro das carreiras, questionando a estrutura tradicional das organizações e defendendo um modelo em que pessoas se concentram cada vez mais em criar, conectar, verificar e escalar, enquanto a IA assume grande parte das atividades operacionais.

Criatividade deixou de ser campanha. Tornou-se estratégia.

O artigo defende que a criatividade deixou de ser um recurso pontual para se tornar uma capacidade organizacional capaz de conectar tecnologia, inovação, cultura e estratégia, sustentando o crescimento contínuo e a relevância das empresas no longo prazo.

O que os lugares ensinam sobre controle

Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de setembro de 2026 14H00
Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução