Uncategorized

O RH do futuro

Compartilhar:

Com a evolução de pessoas, processos e metodologias nas empresas, o setor de Recursos Humanos também precisa se manter atualizado. Grandes mudanças no perfil dos profissionais de RH, nas ferramentas utilizadas por eles e nos conceitos aplicados à área abrangem o que está sendo chamado de “RH do futuro”.

Conversamos com Caroline Marcon, consultora, coach executiva e professora do MBA de Gestão Estratégica e de Recursos Humanos da FGV, para nos aprofundar no RH do futuro. 

Quais são as diferenças entre ele e o conceito de RH tradicional? Como fazer esta transformação? Quais empresas brasileiras já se encaixam no RH do futuro?

Leia a entrevista exclusiva para obter todas essas respostas!

### Qual é a diferença do RH do futuro para o RH tradicional?

O RH do futuro terá a cara de uma ‘empresa de soluções de capital humano internalizada’. Ao se posicionar como empresa, e não área de staff, o CHRO precisará exercer muito mais o papel de empreendedor, líder, do que de expert técnico. Ele deve ser o conselheiro de confiança do CEO e do time executivo, pois lidera a agenda de talentos, a transformação cultural e o desenho organizacional que viabilizarão a execução da estratégia.

O time de RH do futuro precisará atuar de forma proativa para gerar demanda e entregar soluções focadas em resolver os principais desafios do negócio. Não pode ficar na sua área esperando ser convidado para participar dos temas importantes da empresa. Tem que saber influenciar, trazer recomendações úteis para todas as áreas do negócio.

São três as diferenças mais significativas entre o RH tradicional e do futuro:

#### Preparo dos profissionais de RH

A régua vai subir muito. O perfil será o “profissional T”, em que a vertical simboliza a profundidade técnica em uma prática específica (desenvolvimento, remuneração, relações trabalhistas etc) e a horizontal simboliza a mentalidade generalista (curiosidade, relacionamento interpessoal, influência, resolução de problemas etc).

#### Estrutura e práticas de RH

A estrutura será mais horizontal, ágil e próxima das áreas de negócio para construir em conjunto as soluções. As práticas de RH (gestão de desempenho, remuneração e benefícios, engajamento etc.) serão mais flexíveis e adaptáveis para atrair e reter os melhores profissionais, dado que temos 4 gerações trabalhando juntas e cada uma com necessidades específicas.

#### Tecnologia

Ela será uma aliada importante do RH para trazer eficiência, reduzir custos, melhorar a qualidade das informações. O RH será menos focado em gerar relatórios de informações e mais focado no processo decisório que elas possibilitam. O uso de ferramentas de people analytics possibilitará ao RH utilizar métricas mais assertivas e estratégicas de performance.

### Quais são os principais impactos que o RH do futuro precisa gerar para o negócio da empresa?

O RH do futuro precisa ajudar os líderes a melhorar a qualidade do seu processo decisório como um todo. Por meio de métricas inteligentes de capital humano, desenvolvimento de comportamentos alinhados à estratégia, captação dos melhores talentos do mercado, requalificação dos profissionais, construção de times de alta performance e criando condições para a empresa aprender mais rápido e em escala.

### Quais serão as novas frentes de atuação do RH do futuro? E o que muda no perfil dos executivos de RH?

O RH precisa estar muito envolvido em todo o processo de inovação da empresa. Criar condições para a mudança de cultura necessária, ajudar no desenho de novos processos e estrutura organizacional, promover nudgings, ou seja, pequenas alterações no ambiente de trabalho para facilitar a escolha de novos comportamentos (tais como layout, times virtuais, comunicação interna etc.), treinar times em abordagens ágeis e, principalmente, desenvolver credibilidade para ser ouvido e influenciar a agenda estratégica.

### Quais os principais desafios na transformação de um RH do modelo tradicional para uma atuação mais estratégica e ágil? Como vencer essas barreiras?

O principal desafio na transformação do RH é desenvolver agilidade de aprendizagem. Adotar uma postura de lifelong leaner (aprendiz para toda a vida). Isso envolve:

* Ter a coragem de desafiar com propriedade o status quo (e correr o risco de ser visto como menos diplomático e gentil);

* Antecipar os problemas da organização e ser propositivo nas soluções;

* Sair da posição confortável de expert em pessoas e assumir os riscos de dar ideias originais, típicos dos empreendedores;

* Construir relacionamentos de confiança e influenciar estrategicamente;

* Formar um time forte de RH e não tolerar mediocridade;

* Fazer o esforço contínuo de atualização sobre temas relacionados ao negócio e a tecnologia (ler, fazer cursos, visitar clientes e parceiros etc.);

* Buscar feedback de seus pares e clientes para melhorar continuamente.

### Já existem empresas no Brasil que se encaixem no conceito de RH do Futuro e tem conseguido aplicá-lo?

Sim! Tenho dois bons exemplos:

#### Alelo

Na Alelo, a estrutura de RH e de Inovação já estão operando juntas sob a liderança da CHRO Soraya Bahde. Os benefícios para o negócio são visíveis não somente nos resultados da empresa (que estão excelentes) mas também no ambiente de trabalho. Ambiente leve, repleto de squads (times multifuncionais), ágil e de gente trabalhadora e comprometida. O CEO construiu sua carreira em um grande banco, mas mesmo vindo de uma cultura mais tradicional, demonstra uma grande abertura para novas ideias e incentiva as mudanças.

#### Stone

Na Stone, unicórnio brasileiro da área de meios de pagamento, todos os profissionais são chamados de “empreendedores”. A cultura é de autonomia, responsabilidade, simplicidade e foco no cliente. O CHRO, Daniel Karrer, é um empreendedor nato, co-fundador de uma das consultorias de gestão mais bem-sucedidas do Brasil, a Elo Group. O desenho organizacional de RH é bastante horizontal e planejado estrategicamente para promover uma entrega ágil e de qualidade.

Compartilhar:

Artigos relacionados

ROA, ROE e EBITDA estão ficando obsoletos?

O mercado aprendeu a medir estoques, fábricas e patrimônio físico. Mas como medir inteligência, dados e conhecimento? O desafio das empresas hoje não é apenas criar valor, mas desenvolver métricas capazes de reconhecê-lo.

O sucesso de ontem pode ser o maior risco do seu negócio

Da Kodak aos desafios da economia digital, a história dos negócios mostra que organizações raramente fracassam por um único erro. Elas perdem relevância quando insistem em estratégias, processos e crenças que deixaram de responder às transformações do mercado.

Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A longevidade deixou de ser apenas um dado demográfico para se tornar questão de governança

Fran Winandy

0 min de leitura
Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de junho de 2026 13H00
Quando bem interpretados, os sinais do comportamento das equipes deixam de ser rotina e passam a revelar o que realmente sustenta performance, engajamento e resultado.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

4 minutos min de leitura
ESG
6 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra por que a inclusão de pessoas com deficiência ainda não evoluiu de obrigação legal para estratégia de negócio nas organizações brasileiras.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

6 minutos min de leitura
Liderança
5 de junho de 2026 16H00
Organizações não estão falhando por falta de esforço, estão falhando por fazer coisas demais ao mesmo tempo. Este artigo reforça que o verdadeiro papel da liderança não é multiplicar tarefas, mas definir o problema certo e simplificar a execução.

François Bazini - CMO e Consultor

8 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Liderança
5 de junho de 2026 08H00
Como o Brasil chegou à NR1 e por que esta pode ser nossa última chance de acertar?

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
4 de junho de 2026 14H00
Ao refletir sobre a evolução da indústria têxtil, o autor propõe uma mudança de lógica: mais do que investir em máquinas, a competitividade passa a depender do valor real que a tecnologia entrega ao longo do tempo.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
4 de junho de 2026 08H00
O próximo desafio da liderança não é tecnológico - é aprender a liderar humanos e máquinas na mesma mesa.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de junho de 2026 15H00
Quando a IA vira solução antes de existir o problema, o resultado tende a ser irrelevante. Este artigo mostra por que o erro das empresas não está na tecnologia, mas na ordem das decisões

Osvaldo Aranha - Chief AI Strategist, Palestrante, Mentor e Conselheiro

5 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança, Marketing & growth
3 de junho de 2026 08H00
Em meio à obsessão por crescimento, este artigo propõe uma mudança de perspectiva: não é o quanto a empresa cresce que define seu sucesso, mas sua capacidade de transformar expansão em valor real e sustentável ao longo do tempo.

Alexandre Costa - Gerente de Estratégia Financeira, Pricing e Revenue Management

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de junho de 2026 13H00
Este artigo mostra como o agronegócio brasileiro precisa evoluir para uma arquitetura integrada de dados e gestão - transformando tecnologia em vantagem competitiva, governança robusta e valor sustentável no longo prazo.

AAdilson Martins - Sócio líder para o setor de agronegócio da Deloitte; André Ferreira - VP Global de Agronegócios da SAP; Lígia Penna - Sócia de Enterprise Technology & Performance da Deloitte e Rafael Okuda - Vice-presidente de Agribusiness & Food da SAP Brasil.

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo