Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
6 minutos min de leitura

Se a IA não te recomenda, você não está no jogo

A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.
É o empreendedor brasileiro que liderou a expansão da marca Neil Patel globalmente, transformando a operação no Brasil em um dos pilares do crescimento internacional. A NP Digital nasceu a partir de uma iniciativa de Rafael Mayrink ao se conectar com Neil Patel em 2015. Hoje, a empresa está presente em mais de 26 países, com aproximadamente mil colaboradores. Com mais de duas décadas de experiência em marketing e estratégia, Mayrink já contribuiu para o crescimento de marcas como iFood, TOTVS e OLX, ajudando grandes empresas a transformar marketing em alavanca real de negócio, com mais escala, eficiência e geração de demanda.

Compartilhar:

Estou aqui querendo trocar a televisão da minha sala.

Durante décadas as empresas “invadiam” a casa do consumidor com mensagens que elas mesmas “inventavam” sobre elas.

“Minha TV é isso, é aquilo”

Com o digital, o comportamento do consumidor mudou. Ele passou a correr atrás das informações.

Nesse universo digital, a minha busca por uma TV seria basicamente assim:

“TV 55 polegadas 4k”.

De cara eu já acessaria os sites que apareciam nas primeiras posições do Google e escolheria minha TV. 

Imagina isso acontecendo de forma exponencial, a cada segundo. Ou seja, centenas de milhares de pessoas buscando por TV’s, e acessando aquele determinado site. Ou seja, o tráfego dos sites mais bem ranqueados no Google era um absurdo de grande.

Mas com a inteligência artificial, o comportamento do consumidor mudou. E muito.

A minha pesquisa já foi completamente diferente. Veja como eu pesquisei para comprar minha TV:

Tirei foto da minha sala. Mostrei como o ambiente é claro. Mostrei o tamanho da sala. Falei que tenho duas filhas (crianças). Como eu não tenho TV por assinatura, assisto tudo pela internet. Logo, a TV precisa ter boa qualidade para receber bem o sinal do Wi-Fi.

Pronto. O Claude me entregou a dica com todas as qualidades que a minha TV deveria ter.

E daí eu pedi para a IA me informar qual era a melhor marca e modelo nesse quesito. O assistente montou uma resposta com três opções. 

E é aqui que entra o risco para a sua marca: você pode não aparecer em nenhuma das opções que a IA coloca para o consumidor. A pessoa comprou de outra marca e seguiu a vida dela; sem nem pensar no seu produto.

Você não perdeu essa venda para um concorrente com preço melhor ou com uma campanha mais criativa. Perdeu porque, para o algoritmo, você simplesmente não existia. E essa venda não apareceu no CRM, não gerou alerta, não entrou na reunião de pipeline. Ninguém do seu time de marketing está medindo isso.

Veja isso: em março de 2026, quase metade das buscas no Google já aciona respostas geradas por inteligência artificial. Isso é um salto de 58% em três meses. 

No varejo, 83% das buscas do tipo “melhor produto para…” já vêm com resposta pronta. Cerca de 60% das buscas terminam sem clique nenhum.

E aqui tem um paradoxo interessante para o seu time de marketing refletir: o tráfego orgânico caiu 42% desde que essas respostas começaram a aparecer. 

Mas quem ainda recebe um clique, converte 23 vezes mais. Vinte e três vezes mais!

O Google virou um filtro. Ele não manda mais uma multidão de pessoas para o seu site. Pode ser que ele mande quem já decidiu pela compra. E pode ser que sua marca seja a resposta certa para aquela busca; ou não. 

Só que isso depende da IA ter decidido, primeiro, que você merece ser citado por ela. Entende?

A busca por market share no seu negócio mudou de lugar. Ela não está mais apenas no seu site, na sua loja ou na sua campanha.

O cliente de 2026 não faz mais o caminho tradicional da busca. Ele não abre abas, não compara sites. Ele pergunta para uma IA e recebe uma resposta pronta. A jornada de cinco etapas às vezes se transforma em apenas duas: pergunta e compra. O meio (onde sua marca aparecia e convencia) diminuiu em intensidade.

O que isso significa? Que a narrativa da sua marca mudou de mãos. 

E se é a IA quem decide o que o cliente vai ver, o que nos resta é saber como ela decide.

Ela não decide por quem gasta mais ou por quem tem mais seguidores. A IA não se impressiona com vaidade. 

Ela avalia três coisas, e é isso que eu gostaria que você entendesse e começasse a colocar em prática:

1 – Consigo ler essa marca com clareza? 

2 – Consigo confiar nela? 

3 – Ela é a melhor resposta para esse problema específico?


Legibilidade é o básico. Se o seu site não deixa claro em dez segundos o que você vende, para quem e por quê, a IA te descarta antes de qualquer análise. Descrições genéricas, jargão corporativo, informações inconsistentes entre canais; tudo isso te torna ilegível para um algoritmo.

Outra coisa: confiança é a palavra da vez. A IA olha se blogs especializados te citam, se seus reviews têm volume e consistência, se suas informações batem em todos os canais, se seu Google Business Profile está atualizado. Ela olha, inclusive, coisas que você talvez nunca tenha tratado como marketing: seu prazo de entrega, sua transparência de preço, sua política de devolução. 

Para a IA, tudo isso é sinal de confiança; ou de risco.

Na prática: a IA não recomenda “uma empresa de moda.” Ela recomenda “a melhor marca de moda sustentável para mulheres que são mães acima dos 35 anos.” Quanto mais amplo você tenta ser, mais diluído fica. Quanto mais específico o seu nicho, mais fácil para o algoritmo te escolher como a melhor resposta.

O Gartner estima que 83% da jornada de compra acontece fora do seu controle direto. Sua marca não é mais definida pelo que você diz. É definida pelo que os outros dizem. E principalmente, pelo que a IA decide acreditar.

Se a IA é o novo filtro, o que muda na prática?

Seu time de Marketing não cria mais conteúdo para ranquear. Cria conteúdo para ser citado. Em vez de otimizar para aparecer numa lista de links, você precisa produzir a resposta que a IA vai escolher entregar. 

Isso significa responder a pergunta nas primeiras 150 palavras, provar com dados, estruturar o conteúdo em tabelas e listas que facilitem a extração. A IA não lê como humano. Ela extrai. Quem facilita essa extração, tem mais chance de ser citado..

Vendas não espera mais o lead chegar pelo site. Se a IA não te recomenda antes do primeiro contato, o cliente nem sabe que você existe. A venda começa antes da venda.

Outro ponto importante: a projeção da Semrush é que até 2028 o tráfego de busca gerado por IA vai ultrapassar o orgânico tradicional. Talvez antes. São cerca de vinte meses.

O que dá para fazer com vinte meses?

Nos primeiros trinta dias, o básico: auditar se o seu site deixa claro o que você vende e para quem, checar se seus reviews têm volume e consistência, alinhar nome e descrições em todos os canais.

De trinta a noventa dias, escolher um nicho para dominar. Um. Não três; não cinco. Mapear as perguntas que a IA responde no seu setor e produzir conteúdo que responda melhor que qualquer concorrente.

De noventa a cento e oitenta dias, construir autoridade editorial publicando dados e pesquisas originais, preparar a infraestrutura técnica para operar com agentes de IA, e começar a monitorar onde e como sua marca aparece nas respostas do ChatGPT, Perplexity e Google.

A McKinsey estima em cinco trilhões de dólares a oportunidade global em comércio mediado por agentes. Quem não for legível, confiável e relevante para essas máquinas vai perder a chance de ser considerado.

Seu maior concorrente hoje não é apenas outra empresa. É a Inteligência Artificial que pode não estar recomendando a sua marca.

Compartilhar:

É o empreendedor brasileiro que liderou a expansão da marca Neil Patel globalmente, transformando a operação no Brasil em um dos pilares do crescimento internacional. A NP Digital nasceu a partir de uma iniciativa de Rafael Mayrink ao se conectar com Neil Patel em 2015. Hoje, a empresa está presente em mais de 26 países, com aproximadamente mil colaboradores. Com mais de duas décadas de experiência em marketing e estratégia, Mayrink já contribuiu para o crescimento de marcas como iFood, TOTVS e OLX, ajudando grandes empresas a transformar marketing em alavanca real de negócio, com mais escala, eficiência e geração de demanda.

Artigos relacionados

Administrar um restaurante e uma multinacional é mais parecido do que parece

Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional – planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente – são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

O engajamento não nasce das pessoas. Nasce do ambiente.

Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Aprendi que até no Japão as mulheres conseguem quebrar regras

Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

User Experience, UX, Inovação & estratégia
12 de julho de 2026 08H00
Em um mundo onde quase tudo pode ser comprado, o verdadeiro luxo deixou de ser exclusividade e passou a ser simplicidade. Este artigo mostra por que as empresas mais valiosas da próxima década serão aquelas capazes de eliminar complexidade, reduzir decisões e transformar experiência em significado.

Bruno Mazanek - CEO da Zanek

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Finanças
11 de julho de 2026 14H00
O mercado aprendeu a medir estoques, fábricas e patrimônio físico. Mas como medir inteligência, dados e conhecimento? O desafio das empresas hoje não é apenas criar valor, mas desenvolver métricas capazes de reconhecê-lo.

Carolina Almeida Cruz - Cofundadora e CEO da C-MORE

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de julho de 2026 08H00
Enquanto o sonho do hexa mobilizou milhões de brasileiros, outro fenômeno também ganhou força fora dos gramados. Este artigo discute como o avanço das apostas online está influenciando a relação dos jovens com dinheiro, educação e carreira, e por que empresas e líderes não podem ignorar seus efeitos sobre o futuro do trabalho.

Rodrigo Santos - Psicólogo e tutor educacional na Leapy

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
10 de julho de 2026 14h00
O futuro dos caminhões no Brasil será multienergético, e a engenharia nacional terá papel decisivo nessa transformação. Este artigo mostra por que a transição energética do transporte de cargas dependerá da combinação entre múltiplas fontes de energia, inovação tecnológica e soluções adaptadas à realidade do país.

Eduardo Oliveira - Diretor de Engenharia da IVECO para a América Latina

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
10 de julho de 2026 08H00
Da Kodak aos desafios da economia digital, a história dos negócios mostra que organizações raramente fracassam por um único erro. Elas perdem relevância quando insistem em estratégias, processos e crenças que deixaram de responder às transformações do mercado.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Inovação & estratégia, Liderança
9 de julho de 2026 15H00
O maior risco da sucessão não é a troca de comando. É deixar para depois. Este artigo mostra por que a continuidade dos negócios depende menos dos herdeiros e mais da preparação, da governança e da capacidade de construir o próximo ciclo de crescimento.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio da FC Partners

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
9 de julho de 2026 08H00
A inteligência artificial já consegue executar boa parte do trabalho operacional. O que ela ainda não faz é dar sentido, construir confiança e imaginar futuros. Este artigo mostra por que o verdadeiro gargalo das empresas deixou de ser tecnológico e passou a ser a forma como lideram, colaboram e tomam decisões.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de julho de 2026 15H00
A inteligência artificial deixou de ser um projeto da área de tecnologia e passou a fazer parte da rotina de todas as áreas da empresa. O problema é que, em muitos casos, sua adoção avança mais rápido do que os mecanismos de segurança, compliance e governança capazes de sustentá-la.

Rodrigo Hülsenbeck - CEO da Premiersoft

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de julho de 2026 08H00
A maior vulnerabilidade da era da IA pode não estar nos profissionais juniores, mas nos cargos criados para coordenar fluxos e transmitir informações. O que acontece quando a tecnologia passa a fazer isso melhor, mais rápido e mais barato?

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

4 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
7 de julho de 2026 14H00
Entre Polônia e Brasil, teatro e negócios, cultura e estratégia, a autora propõe uma reflexão instigante sobre pertencimento, inteligência cultural e a capacidade, cada vez mais rara, de pensar com independência em um mundo saturado de narrativas.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

15 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo