Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
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Se a IA não te recomenda, você não está no jogo

A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.
É o empreendedor brasileiro que liderou a expansão da marca Neil Patel globalmente, transformando a operação no Brasil em um dos pilares do crescimento internacional. A NP Digital nasceu a partir de uma iniciativa de Rafael Mayrink ao se conectar com Neil Patel em 2015. Hoje, a empresa está presente em mais de 26 países, com aproximadamente mil colaboradores. Com mais de duas décadas de experiência em marketing e estratégia, Mayrink já contribuiu para o crescimento de marcas como iFood, TOTVS e OLX, ajudando grandes empresas a transformar marketing em alavanca real de negócio, com mais escala, eficiência e geração de demanda.

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Estou aqui querendo trocar a televisão da minha sala.

Durante décadas as empresas “invadiam” a casa do consumidor com mensagens que elas mesmas “inventavam” sobre elas.

“Minha TV é isso, é aquilo”

Com o digital, o comportamento do consumidor mudou. Ele passou a correr atrás das informações.

Nesse universo digital, a minha busca por uma TV seria basicamente assim:

“TV 55 polegadas 4k”.

De cara eu já acessaria os sites que apareciam nas primeiras posições do Google e escolheria minha TV. 

Imagina isso acontecendo de forma exponencial, a cada segundo. Ou seja, centenas de milhares de pessoas buscando por TV’s, e acessando aquele determinado site. Ou seja, o tráfego dos sites mais bem ranqueados no Google era um absurdo de grande.

Mas com a inteligência artificial, o comportamento do consumidor mudou. E muito.

A minha pesquisa já foi completamente diferente. Veja como eu pesquisei para comprar minha TV:

Tirei foto da minha sala. Mostrei como o ambiente é claro. Mostrei o tamanho da sala. Falei que tenho duas filhas (crianças). Como eu não tenho TV por assinatura, assisto tudo pela internet. Logo, a TV precisa ter boa qualidade para receber bem o sinal do Wi-Fi.

Pronto. O Claude me entregou a dica com todas as qualidades que a minha TV deveria ter.

E daí eu pedi para a IA me informar qual era a melhor marca e modelo nesse quesito. O assistente montou uma resposta com três opções. 

E é aqui que entra o risco para a sua marca: você pode não aparecer em nenhuma das opções que a IA coloca para o consumidor. A pessoa comprou de outra marca e seguiu a vida dela; sem nem pensar no seu produto.

Você não perdeu essa venda para um concorrente com preço melhor ou com uma campanha mais criativa. Perdeu porque, para o algoritmo, você simplesmente não existia. E essa venda não apareceu no CRM, não gerou alerta, não entrou na reunião de pipeline. Ninguém do seu time de marketing está medindo isso.

Veja isso: em março de 2026, quase metade das buscas no Google já aciona respostas geradas por inteligência artificial. Isso é um salto de 58% em três meses. 

No varejo, 83% das buscas do tipo “melhor produto para…” já vêm com resposta pronta. Cerca de 60% das buscas terminam sem clique nenhum.

E aqui tem um paradoxo interessante para o seu time de marketing refletir: o tráfego orgânico caiu 42% desde que essas respostas começaram a aparecer. 

Mas quem ainda recebe um clique, converte 23 vezes mais. Vinte e três vezes mais!

O Google virou um filtro. Ele não manda mais uma multidão de pessoas para o seu site. Pode ser que ele mande quem já decidiu pela compra. E pode ser que sua marca seja a resposta certa para aquela busca; ou não. 

Só que isso depende da IA ter decidido, primeiro, que você merece ser citado por ela. Entende?

A busca por market share no seu negócio mudou de lugar. Ela não está mais apenas no seu site, na sua loja ou na sua campanha.

O cliente de 2026 não faz mais o caminho tradicional da busca. Ele não abre abas, não compara sites. Ele pergunta para uma IA e recebe uma resposta pronta. A jornada de cinco etapas às vezes se transforma em apenas duas: pergunta e compra. O meio (onde sua marca aparecia e convencia) diminuiu em intensidade.

O que isso significa? Que a narrativa da sua marca mudou de mãos. 

E se é a IA quem decide o que o cliente vai ver, o que nos resta é saber como ela decide.

Ela não decide por quem gasta mais ou por quem tem mais seguidores. A IA não se impressiona com vaidade. 

Ela avalia três coisas, e é isso que eu gostaria que você entendesse e começasse a colocar em prática:

1 – Consigo ler essa marca com clareza? 

2 – Consigo confiar nela? 

3 – Ela é a melhor resposta para esse problema específico?


Legibilidade é o básico. Se o seu site não deixa claro em dez segundos o que você vende, para quem e por quê, a IA te descarta antes de qualquer análise. Descrições genéricas, jargão corporativo, informações inconsistentes entre canais; tudo isso te torna ilegível para um algoritmo.

Outra coisa: confiança é a palavra da vez. A IA olha se blogs especializados te citam, se seus reviews têm volume e consistência, se suas informações batem em todos os canais, se seu Google Business Profile está atualizado. Ela olha, inclusive, coisas que você talvez nunca tenha tratado como marketing: seu prazo de entrega, sua transparência de preço, sua política de devolução. 

Para a IA, tudo isso é sinal de confiança; ou de risco.

Na prática: a IA não recomenda “uma empresa de moda.” Ela recomenda “a melhor marca de moda sustentável para mulheres que são mães acima dos 35 anos.” Quanto mais amplo você tenta ser, mais diluído fica. Quanto mais específico o seu nicho, mais fácil para o algoritmo te escolher como a melhor resposta.

O Gartner estima que 83% da jornada de compra acontece fora do seu controle direto. Sua marca não é mais definida pelo que você diz. É definida pelo que os outros dizem. E principalmente, pelo que a IA decide acreditar.

Se a IA é o novo filtro, o que muda na prática?

Seu time de Marketing não cria mais conteúdo para ranquear. Cria conteúdo para ser citado. Em vez de otimizar para aparecer numa lista de links, você precisa produzir a resposta que a IA vai escolher entregar. 

Isso significa responder a pergunta nas primeiras 150 palavras, provar com dados, estruturar o conteúdo em tabelas e listas que facilitem a extração. A IA não lê como humano. Ela extrai. Quem facilita essa extração, tem mais chance de ser citado..

Vendas não espera mais o lead chegar pelo site. Se a IA não te recomenda antes do primeiro contato, o cliente nem sabe que você existe. A venda começa antes da venda.

Outro ponto importante: a projeção da Semrush é que até 2028 o tráfego de busca gerado por IA vai ultrapassar o orgânico tradicional. Talvez antes. São cerca de vinte meses.

O que dá para fazer com vinte meses?

Nos primeiros trinta dias, o básico: auditar se o seu site deixa claro o que você vende e para quem, checar se seus reviews têm volume e consistência, alinhar nome e descrições em todos os canais.

De trinta a noventa dias, escolher um nicho para dominar. Um. Não três; não cinco. Mapear as perguntas que a IA responde no seu setor e produzir conteúdo que responda melhor que qualquer concorrente.

De noventa a cento e oitenta dias, construir autoridade editorial publicando dados e pesquisas originais, preparar a infraestrutura técnica para operar com agentes de IA, e começar a monitorar onde e como sua marca aparece nas respostas do ChatGPT, Perplexity e Google.

A McKinsey estima em cinco trilhões de dólares a oportunidade global em comércio mediado por agentes. Quem não for legível, confiável e relevante para essas máquinas vai perder a chance de ser considerado.

Seu maior concorrente hoje não é apenas outra empresa. É a Inteligência Artificial que pode não estar recomendando a sua marca.

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