Marketing, Estratégia
3 minutos min de leitura

Da produção à curadoria: a nova lógica da relevância digital

O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.
A Deloitte é a organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado, com mais de 470 mil profissionais em todo o mundo, gerando impactos que realmente importam em mais de 150 países e territórios. Com base nos seus 180 anos de história, oferecemos serviços de auditoria, asseguração, consultoria, impostos e serviços relacionados para quase 90% das empresas da lista da Fortune Global 500® e milhares de outras organizações. No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é líder de mercado, com mais de 7.000 profissionais e operações em todo o território nacional, a partir de 18 escritórios.
Chief Growth Officer da Deloitte Brasil, com foco no crescimento das operações e desenvolvimento de alianças estratégicas e ecossistemas robustos, além de alavancar soluções inovadoras, que vão desde inteligência artificial até transformações digitais e dos negócios, para atender às demandas crescentes de mercados diversificados como Energia, Manufatura e Serviços.
Sócio-líder para a indústria de Technology, Media & Telecommunications (TMT) da Deloitte. É especialista no desenvolvimento e execução de estratégias tecnológicas voltadas à transformação dos negócios. Ao longo de sua carreira, liderou iniciativas que envolvem gestão de grandes equipes, relacionamento com clientes e alianças estratégicas, além de participar ativamente de decisões complexas relacionadas a riscos, governança e performance financeira.

Compartilhar:

O mercado de mídia e entretenimento chegou em 2026 com um dilema. Por um lado, nunca foi tão fácil produzir, distribuir e medir o alcance de um conteúdo. Por outro, no entanto, nunca foi tão difícil atrair atenção, confiança e relevância. O crescimento dos vídeos curtos, do streaming, dos criadores digitais e da inteligência artificial generativa ampliou formatos e canais, mas ao mesmo tempo em que fragmentou a jornada do público.

Durante anos, a indústria operou sob a lógica da escala. Estar em muitos canais, publicar em grande volume e ampliar alcance pareciam caminhos suficientes para garantir relevância. Hoje, só isso já não basta. A audiência até pode ser alcançada, mas não necessariamente permanece e cria uma conexão. O desafio deixou de ser apenas aparecer no feed para se tornar memorável em meio ao excesso de estímulos.

Essa mudança altera também a percepção de qualidade. Tradicionalmente associada a grandes produções e altos investimentos, ela passa a incorporar fatores como identificação, autenticidade, utilidade e proximidade com o público. Conteúdos produzidos por creators e vídeos sociais ganham força justamente porque oferecem imediatismo, diversidade de vozes e sensação de participação, e comunidades digitais se transformam em ativos estratégicos para marcas e empresas de mídia.

Os formatos curtos ajudam a explicar essa transformação. Microsséries e microdramas, desenvolvidos para consumo no celular, entendem a fragmentação da rotina da audiência, cada vez mais ativa nas redes sociais, e transformam pequenos intervalos de atenção em hábito narrativo. Segundo projeções da Deloitte no estudo “TMT Predictions 2026”, as receitas globais desse formato devem mais do que dobrar neste ano, chegando a US$ 7,8 bilhões, mostrando como o público tem consumido cada vez mais, formatos mais compatíveis com jornadas móveis e aceleradas.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial generativa acelera ainda mais esse cenário. Ferramentas capazes de criar vídeos, imagens e roteiros reduzem barreiras de produção e ampliam a quantidade de conteúdo disponível. Isso democratiza a criação e acelera experimentações, mas produz um efeito inevitável:  à medida que produzir fica mais fácil, diferenciar-se e construir confiança se tornam desafios maiores.

O valor competitivo começa, então, a migrar da produção para a curadoria, da distribuição para a confiança e da tecnologia para a interpretação cultural. A IA pode aumentar eficiência, acelerar processos e personalizar experiências, mas não substitui repertório, visão editorial nem construção de marca – e, nesse contexto, autenticidade tende a ganhar peso econômico. Ela não diz respeito apenas a estilo ou originalidade, mas também ao compromisso com a verdade, em contraste direto com a proliferação de desinformação e fake news.

Essa transformação também redefine a importância dos dados. Métricas isoladas já não são suficientes. O diferencial passa a ser a inteligência de audiência multiplataforma, ou seja, a capacidade de compreender como consumidores transitam entre redes sociais, streaming, TV, games e comunidades digitais. Mais importante do que medir visualizações será entender o que faz alguém parar, voltar, compartilhar ou criar vínculo com determinado conteúdo.

Para muitas empresas, esse será um dos maiores desafios estratégicos da próxima década. A fragmentação do consumo dificulta consolidar uma visão unificada das audiências e exige investimentos em infraestrutura de dados, governança e capacidades analíticas mais sofisticadas.

O futuro da mídia e do entretenimento será guiado pela capacidade de criar conexões genuínas, fomentar confiança e autenticidade em meio ao vasto universo digital. Num cenário cada vez mais fragmentado e competitivo, empresas e profissionais que conseguirem interpretar os dados com inteligência, inovar nos formatos e fortalecer vínculos com suas comunidades estarão mais bem posicionados para se destacar. Relevância e estratégia, mais do que volume, serão os diferenciais que determinarão o sucesso na era digital.

Compartilhar:

A Deloitte é a organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado, com mais de 470 mil profissionais em todo o mundo, gerando impactos que realmente importam em mais de 150 países e territórios. Com base nos seus 180 anos de história, oferecemos serviços de auditoria, asseguração, consultoria, impostos e serviços relacionados para quase 90% das empresas da lista da Fortune Global 500® e milhares de outras organizações. No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é líder de mercado, com mais de 7.000 profissionais e operações em todo o território nacional, a partir de 18 escritórios.

Artigos relacionados

Quanto custa perder um cliente?

Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Se o colaborador tóxico sai, o problema vai embora com ele?

Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento

Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução