Marketing & growth
4 minutos min de leitura

Comunidades, não algoritmos: onde as marcas podem construir relevância na era pós-social

Enquanto as marcas continuam disputando atenção nos feeds, as conversas que realmente influenciam percepções e decisões migraram para espaços mais fechados e menos visíveis. Este artigo mostra por que o futuro da relevância pode estar justamente onde os algoritmos não alcançam.
Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Compartilhar:

As marcas sempre buscaram fazer parte da vida das pessoas. Se antes o tamanho do budget de marketing era proporcional à audiência alcançada, hoje uma marca pode aparecer para milhões de pessoas e, ainda assim, não entrar em nenhuma conversa capaz de influenciar percepções e escolhas. Isso acontece porque cada vez mais jovens, especialmente da Geração Z, estão se reunindo em espaços digitais menos visíveis, como grupos privados, comunidades de nicho, DMs (Direct Messages do Instagram) e fóruns fechados.

Esse movimento foi denominado digital campfires (fogueiras digitais) pela estrategista de comunidades Sara Wilson, que lançou o conceito em um artigo da Harvard Business Review há seis anos e retomou essa discussão no South by Southwest 2026, em uma palestra sobre o poder das comunidades na era pós-social.

Segundo Sara, a migração para esses espaços ocorre como resposta ao excesso de exposição e à disputa por atenção nas redes sociais. Com o crescimento do poder dos algoritmos e o aumento da publicidade nos feeds, muitos jovens passaram a buscar lugares para conversar com mais liberdade e privilegiar trocas com pessoas conhecidas. Em vez de publicar para todos, preferem interagir em grupos menores, onde o senso de pertencimento é mais forte e a influência nasce da proximidade.

“Paradoxalmente, os mecanismos criados pelas redes sociais para aproximar as marcas do público acabaram afugentando parte dessa audiência dos feeds e tornando mais difícil o acesso às conversas que costumam ter mais peso sobre uma decisão de compra do que uma campanha vista por milhões de pessoas.”

Criar comunidades ou interagir nelas?

Para as marcas, esse movimento abriu dois possíveis caminhos. O primeiro é criar suas próprias comunidades, reunindo consumidores, fãs e públicos de interesse em torno de um tema relevante para o grupo. O segundo é aprender a interagir com comunidades que já existem, respeitando seus códigos e a dinâmica de confiança construída entre os participantes.

Quando a marca decide criar uma comunidade própria, ela investe em um espaço onde pode se relacionar continuamente com seu público. Quando bem desenhada, a comunidade pode se tornar uma fonte estratégica de inteligência, ajudando a identificar desejos ainda não atendidos e a testar percepções diretamente com potenciais consumidores.

Um dos exemplos é o LEGO Ideas, plataforma digital criada para que fãs da marca submetam ideias de novos sets, apoiem projetos de outros membros e participem da escolha do que pode ser avaliado pela empresa para virar produto oficial. Dessa forma, a LEGO ganha repertório sobre os interesses dos fãs, enquanto os participantes encontram pertencimento e a possibilidade concreta de ver uma ideia sair da comunidade para a prateleira.

Saindo do ambiente exclusivamente digital, temos no Brasil a Comunidade Beleza Livre, iniciativa lançada pelo Grupo Boticário em 2023, que reúne consumidores de grupos minorizados, como pessoas negras, comunidade LGBTQIA+ e pessoas com deficiência. A marca envolve esses participantes na cocriação de produtos, embalagens e acessórios e criou itens como um engrossador multiuso para pessoas com mobilidade reduzida nos membros superiores, que facilita o uso de produtos como batons, máscaras de cílios e creme para mãos.

Coragem para perder o controle da narrativa

Já no segundo caminho, o de se inserir em uma comunidade já existente, são necessários alguns cuidados adicionais. A marca deve entender os códigos e rituais daquele grupo para saber que tipo de presença pode ser aceita sem parecer invasiva. Quando bem executada, essa aproximação permite que a marca ganhe relevância em ambientes onde a confiança já foi construída, mas, para isso, é preciso abrir mão de parte do controle sobre a narrativa.

Um exemplo recente é o da Dove, que levou a campanha r/eal Reviews para o Reddit. A empresa se comprometeu a divulgar as primeiras 50 avaliações reais de uma máscara capilar da marca em outdoors por toda a cidade de Nova York, sem qualquer edição.

Entre os resultados, destacam-se mais de 1 bilhão de impressões e a realização de um evento pop-up em Manhattan para distribuição da máscara capilar da Dove, que gerou filas de até uma hora de espera. Além disso, a marca registrou um aumento nas buscas pelo produto durante a campanha e um crescimento de 9% nas vendas no primeiro trimestre de 2026.

Independentemente do caminho escolhido, a estratégia de comunidade exige uma mudança de postura. Isso passa por ampliar a escuta e estar disposto a controlar menos a narrativa nos espaços onde a conversa real acontece. Os ganhos, porém, podem ser exponenciais.

Sua marca está pronta para dar esse passo?

Compartilhar:

Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing. Atua na interseção entre futuro, ESG e experiência de marca, ajudando líderes e organizações a anteciparem disrupções e traduzirem tendências em resultados mensuráveis. Eleita uma das profissionais mais inovadoras do mundo pelo Cannes Lions e destaque na "Forbes 50 Over 50", é professora convidada da Singularity University Brasil. Reconhecida por conectar visão de futuro, tecnologia e impacto social na construção de marcas com propósito. Possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV e MBA em Tendências e Estudos Futuros na ESPM e Liderança Criativa na Berlim School, SEER na Saint Paul e Governança no IBGC e UCLA. Dilma Campos também atuou como: jurada Cannes Lions Festival 2022 e

Artigos relacionados

Por que o marketing precisa sair da própria bolha

As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Por que alguns eventos entram para a história e outros são esquecidos na semana seguinte

Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

O fim da guerra fiscal: como a Reforma Tributária pode mudar a logística brasileira

Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Saudável, gostoso e acessível: a equação que desafia a indústria de alimentos no Brasil 

Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

A fadiga de decidir em tempos de excesso

Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Quanto custa quando o sistema para? Alguns minutos fora do ar podem custar milhões

À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de julho de 2026 07H00
A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

21 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo